As condições de suprimento de energia elétrica para 2026 permanecem seguras, sustentadas pela recuperação dos reservatórios, pela melhora do cenário hidrológico no Sul do país e pelo planejamento operacional previsto para enfrentar eventuais períodos de maior demanda.
Esse foi o principal cenário apresentado durante a mais recente reunião ordinária do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), que reuniu representantes dos principais órgãos responsáveis pelo acompanhamento das condições de operação do sistema elétrico brasileiro.
A avaliação também indica que o sistema continuará contando, quando necessário, com o despacho complementar de usinas termelétricas, a operação otimizada das hidrelétricas do rio São Francisco e o uso estratégico do reservatório da usina de Itaipu para preservar a confiabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Entre outros destaques do encontro houve atenção também para a expansão da infraestrutura elétrica, resultados da comercialização de energia e projeções para os próximos anos.
Recuperação dos reservatórios
Um dos pontos centrais discutidos pelo colegiado foi a melhora observada nas condições hidrológicas da Região Sul durante o mês de junho, porque, segundo informações apresentadas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a atuação frequente de frentes frias e massas de ar frio sobre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste favoreceu tanto a ocorrência de precipitações quanto a redução das temperaturas.
Como consequência, os reservatórios da região Sul registraram recuperação em seus níveis de armazenamento, especialmente na bacia do rio Iguaçu, reforçando as condições de atendimento ao sistema elétrico.
Também foram registradas chuvas acima da média nas bacias dos rios Iguaçu, Tietê, Grande, Paranaíba e na área incremental da hidrelétrica de Itaipu. Nas demais bacias do SIN, as condições permaneceram próximas da média histórica para o período.
Apesar desse comportamento favorável das precipitações em parte do país, o CMSE destacou que permanece elevada a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño durante o segundo semestre de 2026, predominando cenários que indicam intensidade forte ou muito forte.
Níveis elevados
Os dados operacionais apresentados ao comitê mostram que o SIN encerrou junho com aproximadamente 71% de energia armazenada. Entre os subsistemas, o Norte registrou o maior índice, com 95% da capacidade máxima armazenada, seguido pelo Nordeste, com 89%. O Sudeste/Centro-Oeste fechou o mês com 66%, enquanto o Sul atingiu 63%.
Em relação à ENA (Energia Natural Afluente), junho terminou abaixo da MLT (Média de Longo Termo) em todos os subsistemas: 93% no Sudeste/Centro-Oeste, 82% no Sul, 59% no Nordeste e 58% no Norte. No conjunto do SIN, a ENA correspondeu a 82% da média histórica.
Para julho, os cenários elaborados pelo ONS indicam comportamento distinto entre as regiões. No cenário superior, a ENA poderá alcançar 125% da média histórica no Sul e 105% no Sudeste/Centro-Oeste, enquanto Nordeste e Norte permanecem com projeções inferiores à média. Já o armazenamento do sistema deverá permanecer entre 66,1% e 69,7%, dependendo das condições hidrológicas observadas ao longo do mês.
Margem de segurança
Durante a reunião, o ONS também apresentou ao colegiado o PEN (Plano da Operação Energética), estudo que avalia as condições de garantia do suprimento de energia e potência entre 2027 e 2030.
O cronograma prevê para terça-feira (7) a divulgação do sumário executivo e dos resultados na plataforma Power BI, data em que também ocorrerá reunião com os agentes do setor. Os relatórios finais deverão ser disponibilizados até 31 de julho nos canais oficiais do operador.
Ainda na área de planejamento, o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) apresentou previsões meteorológicas indicando chuvas abaixo da média em parte das bacias do Iguaçu e Jacuí na primeira semana, seguidas por precipitações acima da média em trechos das bacias do Paraná, Iguaçu e Alto Uruguai na segunda quinzena de julho.
Geração solar avança
O acompanhamento da expansão do sistema também integrou a pauta do CMSE, com destaque para a informação de que, em junho, entraram em operação comercial 184,5 MW de capacidade instalada de geração centralizada. Foi citado, em especial, o Complexo Fotovoltaico Lagoinha, em Russas (CE), responsável por 165 MW desse total.
No segmento de transmissão, passaram a operar comercialmente 1.012 quilômetros de novas linhas, incluindo os empreendimentos Xingó–Camaçari II e Presidente Juscelino–Vespasiano 2. No período, não houve entrada em operação de novos transformadores com tensão igual ou superior a 230 kV.
Comercialização e intercâmbio
No mercado de curto prazo, a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) informou que a liquidação financeira referente à contabilização de maio movimentou R$ 3,07 bilhões. Desse total, R$ 2,64 bilhões foram liquidados, enquanto R$ 424,4 milhões permaneceram inadimplidos. Outros R$ 414,81 milhões foram destinados à CONER (Conta de Energia de Reserva).
O comitê também analisou os dados preliminares de intercâmbio internacional de energia. Não houve exportações de origem hidrelétrica nem importações comerciais em maio e junho. Já as exportações termelétricas alcançaram 754 MW médios em maio e 1.169,5 MW médios em junho, tendo a Argentina como principal destino, seguida pelo Uruguai.
Ao final da reunião, o CMSE reiterou que continuará acompanhando permanentemente as condições de atendimento ao mercado de energia elétrica, mantendo o monitoramento das condições hidrológicas, da operação do sistema e da evolução da oferta para garantir a segurança do abastecimento ao longo dos próximos meses.
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