Coronavírus: reclusão pode fazer consumo residencial exceder; GD é alternativa para reduzir impacto

Segundo Dirceu, como as pessoas vão estar em casa, a tendência é que o consumo de energia aumente

“A geração distribuída é importantíssima para reduzir o impacto no carregamento do sistema elétrico, já que, em época de coronavírus, a reclusão pode fazer com que o consumo residencial proporcione sobrecarga em alimentadores e transformadores de distribuição e, inclusive, de subestações”, é o que afirma Dirceu José Ferreira, especialista em redes de distribuição de energia elétrica. 

Segundo Dirceu, como as pessoas vão estar em casa, a tendência é que o consumo de energia aumente. “As residências que possuem geração fotovoltaica vão contribuir para que não haja um impacto grande no sistema. O perfil de carga tende a se deslocar para o período vespertino. Assim, a GD pode contribuir para o alívio do carregamento dos transformadores das subestações das concessionárias que estão perto do limite de serem sobrecarregadas nesse período”, explicou o especialista.

Manaus, por exemplo, foi uma cidade que registrou um blecaute e falta de energia elétrica na tarde do último domingo (22). “Manaus ainda depende de 35% de fontes não renováveis, apesar da matriz energética estar invertendo nos últimos anos. Este é um cenário propício para a implantação de geração por fontes renováveis, como a fotovoltaica. A inserção da geração distribuída permite que interrupções, como a ocorrida, tenham menor impacto no sistema, permitindo a redução do tempo de restabelecimento do fornecimento de energia, a quantidade de consumidores afetados e o alívio no carregamento dos ativos “, completou Dirceu.

O que é Geração Distribuída

A geração distribuída é a produção descentralizada de energia no próprio local ou nas proximidades de onde tal energia é utilizada. Para esse tipo de produção, os consumidores independentes utilizam fontes renováveis, como a energia solar, eólica,  biomassa e hidráulica.

São inúmeras as vantagens da GD, porém muitos ainda não tem consciência disso pois estão acostumados à geração convencional, chamada geração centralizada (GC), em que a atuação de grandes centrais — como hidrelétricas e termelétricas — é necessária, além de uma rede de linhas para transmitir e distribuir a energia, fazendo com que se alcance o consumidor final.

Segue, abaixo, algumas vantagens da GD: 

  • Redução de perdas elétricas; 
  • Maior confiabilidade;
  • Diminuição de investimentos em redes de distribuição e transmissão;
  • Redução de custos (evita o despacho de usinas térmicas);
  • Minimização de impactos ambientais;
Imagem de Mateus Badra
Mateus Badra
Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020.

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