Crescimento das fontes renováveis solar e eólica no Brasil

Crescimento das fontes sinaliza o caminho que os investimentos privados irão seguir nos próximos anos
Crescimento das fontes renováveis solar e eólica no Brasil
Potência instalada das duas fontes representa cerca de 17% da composição da capacidade total instalada por fonte em nossa Matriz Elétrica. Foto: Elements

O Brasil alcançou, no final de 2021, 33.2 GW de potência, somando as fontes eólica e solar (centralizada e distribuída).

Este número representa, aproximadamente, 17% da composição da capacidade total instalada por fonte em nossa Matriz Elétrica.

O crescimento dessas fontes vem ocorrendo de forma muito rápida, e sinaliza o caminho que os investimentos privados irão seguir nos próximos anos.

Enquanto a fonte eólica teve um crescimento de 26% de 2020 para 2021, a fonte solar centralizada cresceu 59% e a geração distribuída por fonte solar cravou 80% de crescimento neste mesmo período.

Esses números sinalizam que, a respeito do que ocorreu em outros países, a geração por fonte solar ocupará o primeiro lugar entre as duas fontes.

Este fato é corroborado pela hibridização dos parques eólicos que incorporarão a fonte solar em suas instalações, e pelo crescimento exponencial da fonte solar distribuída, que nos últimos dois anos cresceu 209%.

Os gestores das políticas públicas deveriam estudar a evolução dessas fontes com mais atenção. A EPE, recentemente, divulgou projeções no PDE 2031, onde estas fontes representarão 25% da capacidade instalada em 2031, e que juntas com a fonte hidráulica responderão por 70% de nossa capacidade instalada.

Vale salientar que estes números poderiam ser muito melhores, para isso bastaria manter os incentivos para a geração distribuída e os do uso do fio para as fontes centralizadas. Mas na atualidade predominam os que defendem a manutenção dos incentivos para as fontes sujas de energia, como o gás e o carvão.

Segundo a EPE, conforme PDE 2031, se fossem mantidos todos os incentivos à geração distribuída, seriam investidos nos próximos 10 anos, cerca de R$ 168 bilhões apenas em geração distribuída.

Com a taxação escalonada do fio (ou do sol), deixarão de ser efetivados R$ 46 bilhões em investimentos somente em geração distribuída. A conta se torna muito maior se considerarmos os desinvestimentos na geração centralizada (eólica e solar) de energia que perderão os subsídios do uso do fio.

Mesmo remando contra a maré, segundo o PDE, serão incorporados as seguintes potências pelas fontes solar e eólica, até 2031:

  • 26.1 GW de geração distribuída por fonte solar;
  • 2.7 GW de solar centralizada; e,
  • 4.3 GW de eólica.

Os números demonstram tudo, mas o pior cego é aquele que quer permanecer na escuridão, ou, os que enxergam e não querem ver a luz do sol.

Imagem de Daniel Lima
Daniel Lima
Diretor RDSOL Rede de Negócios em Energia. Presidente da Associação Norte e Nordeste de Energia Solar.

Uma resposta

  1. Parabens pela materia Daniel. Sou engenheiro e professor ha mais de 40 anos e acompanho com tristeza o desincentivo a energia solar e eolica no Brasil nos proximos anos. Sou da epoca que os governantes investiram bilhoes de reais em itaipu (que nao e nacional mas binacional) e em Belo Monte que nem reservatorio tem e que algumas vezes funciona apenas com alguns geradores dos varios existentes ou mesmo 1 gerador se nao houver boa vazao no rio que o alimenta. E nem falar de angra 2 e angra 3 que nunca terminaram. Dinheiro do povo que poderia ser melhor usada na educacao e moradia, da saude e alem do tempo perdido. Tinhamos uma chance agora com a solar e a eolica. Nestas nao ha investimento do dinheiro publico e nao gasta nem desgasta nossa populacao. Para nem falar das termeletricas uma extravagancia desnecessaria, poluente e cara. Sua materia eh simples e esclarecedora. Seriam por exemplo como as PPPs (parcerias publicas e privadas) que nem dinheiro publico entra pois o dinheiro e totalmente privado no caso da solar ou eolica. Hoje ja sabemos que toda a energia usada no nordeste eh totalmente equivalente a geracao eolica. Obrigado pelo materia.
    Prof. Carlos Argolo (Ph.D.) Universidade Federalde Alagoas – Instituto federal de Alagoas.

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