O Brasil já possui mais de 4,65 milhões de sistemas fotovoltaicos de GD (geração distribuída), que somam mais de 53 GW de potência instalada. Com o avanço do armazenamento, essa base abre uma nova oportunidade para os integradores, que podem retornar aos clientes já atendidos para incorporar baterias aos sistemas existentes.
Nesse mercado de retrofit, a DAH Solar está ampliando sua atuação no Brasil com uma solução que permite adicionar armazenamento e backup a instalações fotovoltaicas já em operação, sem necessariamente substituir o inversor existente.
Apresentado pela fabricante durante a Intersolar, o Smart PCS possui potência nominal de 2 kW e utiliza uma arquitetura de acoplamento em corrente alternada (AC-coupled), permitindo que o equipamento opere independentemente da entrada fotovoltaica.
Phillipe Boaventura, Gerente Técnico de Armazenamento para América Latina da DAH Solar, explica que, diferentemente de um inversor híbrido convencional, o Smart PCS é conectado ao sistema elétrico da residência e pode utilizar a energia da própria rede para carregar o banco de baterias.
“Quando a rede está disponível, o sistema gerencia o carregamento e a manutenção do estado de carga da bateria; em uma interrupção da rede, o PCS passa a utilizar a energia armazenada para alimentar o circuito de cargas prioritárias conectado à saída de backup”, informa Boaventura.
Uma das características dessa arquitetura é a possibilidade de instalar o equipamento independentemente do sistema fotovoltaico existente ou integrá-lo a uma instalação em operação.
“Isso permite, por exemplo, adicionar armazenamento e backup a uma instalação fotovoltaica já existente sem necessariamente substituir o inversor solar instalado”, pontua.
Segundo a DAH Solar, o objetivo é alcançar dois perfis de consumidores. O primeiro é formado por proprietários de sistemas fotovoltaicos on-grid interessados em adicionar armazenamento e backup.
Já o segundo envolve consumidores que não possuem ou não podem instalar geração fotovoltaica, mas querem manter determinadas cargas funcionando durante interrupções da rede, incluindo moradores de apartamentos.
Retrofit: armazenamento sem substituir o inversor
A possibilidade de incorporar baterias posteriormente à instalação fotovoltaica também coloca o Smart PCS como uma alternativa para retrofit da base instalada de geração distribuída.
Nesse tipo de configuração, o inversor fotovoltaico existente continua responsável pela conversão da energia produzida pelos módulos, enquanto o PCS opera associado ao sistema de armazenamento.
Segundo Boaventura, a arquitetura AC-coupled permite adicionar baterias sem necessariamente substituir o inversor fotovoltaico existente por um modelo híbrido.
Para os integradores, essa característica abre a possibilidade de retornar a clientes que inicialmente instalaram apenas sistemas on-grid e posteriormente passaram a buscar armazenamento, seja para aumentar o autoconsumo e se adequar as tarifas horárias, seja para incorporar uma saída de backup à instalação.
A mesma arquitetura permite utilizar o equipamento sem geração fotovoltaica. Nesse cenário, as baterias podem ser carregadas pela rede e passam a alimentar as cargas prioritárias quando ocorre uma interrupção no fornecimento.
Protocolo aberto amplia possibilidades de integração
Outro ponto destacado pela DAH Solar é a adoção de protocolo de comunicação aberto, característica que amplia as possibilidades de configuração do banco de baterias.
“O Smart PCS trabalha com baterias de baixa tensão (LV) compatíveis com o protocolo de comunicação Pylontech, desde que também atendam aos requisitos elétricos e de comunicação necessários para a operação segura do sistema”, comenta Boaventura.
Na prática, isso significa que o integrador não fica necessariamente limitado às baterias fornecidas pela própria DAH Solar.
“Caso o cliente já possua uma bateria compatível ou tenha preferência por determinado fabricante, existe a possibilidade de avaliar sua integração ao PCS, desde que sejam atendidos os requisitos de tensão, corrente, comunicação, firmware e compatibilidade do BMS”, acrescenta.
Quando uma bateria ainda não consta na lista de modelos previamente homologados, a equipe técnica pode avaliar a possibilidade de integração e realizar os testes necessários antes da utilização comercial.
Segundo a DAH Solar, a estratégia busca reduzir a dependência de arquiteturas fechadas e dar ao integrador maior flexibilidade para desenvolver diferentes configurações de armazenamento.
Versão de 220 V está em processo de certificação
A versão atual do Smart PCS opera em 127 V e possui potência nominal de 2 kW. Para ampliar as possibilidades de aplicação no mercado brasileiro, a DAH Solar também desenvolveu uma versão de 220 V, que atualmente passa pelo processo de liberação da documentação e das certificações necessárias para sua comercialização e operação no país.
De acordo com a fabricante, a principal diferença elétrica entre as versões está na tensão nominal de operação e, consequentemente, na corrente necessária para entregar a mesma potência.
“Na versão de 127 V, a corrente nominal correspondente aos 2 kW é de aproximadamente 15,7 A. Em 220 V, cai para cerca de 9,1 A”, explica Boaventura.
“Dessa forma, embora ambas as versões mantenham a mesma potência nominal, os circuitos de potência, dispositivos de proteção, componentes de chaveamento e demais elementos associados à condução de corrente são dimensionados de acordo com a tensão e as condições elétricas específicas de cada versão”, complementa.
Equipamento passa por adequação ao mercado brasileiro
Embora o Smart PCS faça parte do portfólio global da DAH Solar, a versão comercializada no Brasil passa por adaptações às características da rede elétrica e aos requisitos regulatórios aplicáveis no país.
“Esse cuidado é particularmente importante em equipamentos conectados à rede elétrica, porque parâmetros como tensão nominal, frequência, limites de operação, proteções elétricas, comportamento durante distúrbios da rede e requisitos relacionados à desconexão e reconexão podem variar de acordo com o país”, pontua Boaventura.
“No caso brasileiro, portanto, não se trata simplesmente de importar uma configuração global e utilizá-la diretamente. A versão comercial destinada ao país precisa passar pelos processos de avaliação, certificação e adequação necessários para sua operação no ambiente elétrico brasileiro”, acrescenta.
Até 16 baterias podem operar em paralelo
O Smart PCS permite ampliar a capacidade de armazenamento de forma modular. Segundo a DAH Solar, toda a linha de baterias de baixa tensão da fabricante é compatível com o equipamento, sendo possível conectar até 16 unidades em paralelo, respeitando as especificações de instalação e comunicação.
No lado CC, o equipamento possui corrente máxima de carga e descarga de 50 A. Esse limite se refere ao PCS como um todo e não a cada bateria individualmente. Quando diferentes unidades são conectadas em paralelo, a corrente é compartilhada entre elas conforme as características e o controle de cada bateria.
Na prática, a conexão de mais baterias aumenta a capacidade energética do sistema e, consequentemente, a autonomia das cargas atendidas. A potência máxima fornecida, no entanto, permanece limitada aos 2 kW nominais do PCS.
Para o dimensionamento, portanto, o integrador precisa considerar não apenas a quantidade de baterias, mas também a capacidade de armazenamento necessária, os limites de corrente do equipamento e a compatibilidade de comunicação com o BMS.
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