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Descubra um horizonte de novos mercados para energia solar

Cinco oportunidades “fora da caixa” para vender sistemas de energia solar e gerar sustentabilidade em diferentes nichos

Autor: 13 de dezembro de 2022Opinião
6 minutos de leitura

O maior foco do setor solar ainda se concentra nos segmentos de residências, pequenas empresas e indústrias. Como resultado, vemos a geração distribuída ultrapassar a marca de 14 GW de potência instalada, vencendo a capacidade da maior hidrelétrica do país, a Itaipu.

Esse marco é motivo de orgulho, e o setor jamais deixará de valorizar que cada telhado se beneficie do sol. Porém, se pensarmos “fora da caixa”, existem muitas outras oportunidades de negócio para além dos telhados tradicionais.

Um exemplo é o investimento crescente nos carros elétricos. Em setembro deste ano, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou 30 projetos de pesquisa e desenvolvimento em mobilidade elétrica, com um investimento previsto de R$ 463,8 milhões nos próximos três anos.

Essa combinação entre energia solar e carros elétricos atrai gigantes multinacionais a unirem forças pelo crescimento deste mercado no Brasil, como ABB, Efacec e Siemens (empresas responsáveis por produzir 90% de carregadores para carros elétricos do mundo).

Hoje, convido você a conhecer outros horizontes ainda pouco explorados pelas empresas de energia fotovoltaica. Além de representarem oportunidades de negócios, também são inspirações para buscar em novas superfícies a chance de gerar energia a partir do sol.

Clubes de futebol com energia solar

No mundo, existem diversos exemplos de estádios abastecidos por energia solar. Aproveitando a Copa do Mundo no Catar, o Qatar Education City Stadium, planejado para receber seis jogos do mundial, foi projetado com placas fotovoltaicas que fornecem 20% de toda a energia necessária.

Já existem cinco estádios de futebol brasileiros unindo a paixão nacional pelo esporte com a sustentabilidade que só a energia solar oferece. São eles: o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro; o estádio do Mineirão, em Belo Horizonte; a Arena Pernambuco, em Recife; e os estádios de Pituaçu e a Arena Fonte Nova, em Salvador.

Dentre eles, o Mineirão é o que possui o maior sistema solar, com 6 mil módulos fotovoltaicos, gerando 1,42 MW. Assim como uma casa com energia solar, o excedente da energia gerada pela usina vai para a rede da distribuidora.

Árvores Solares

Em grandes eventos como o Rock in Rio, é possível encontrar desde as edições de 2017 as chamadas “árvores solares”. Elas são produzidas para servirem como estações de recarga USB para os celulares do público.

Conhecidas como OPTrees, as “árvores” imitam palmeiras e cada uma das cinco folhas são revestidas pelo filme OPV (filmes fotovoltaicos orgânicos). O diferencial, quando comparado com as placas tradicionais, é a leveza e flexibilidade que o material oferece para projetos temporários ou com designs complexos.

O resultado foi tão positivo que o festival aproveitou as árvores solares para gerar iluminação e abastecer roteadores Wi-Fi e câmeras de segurança.

Cinema Solar

O Cinesolar é um projeto iniciado em 2013 e que até o momento já realizou 730 sessões pelo país. O cinema funciona em uma van equipada com placas solares, assim é possível viajar por todo o Brasil e exibir gratuitamente filmes nacionais.

As sessões são realizadas à noite, e por isso, o Cinesolar faz uso de uma bateria para armazenar a energia gerada durante o dia. Assim, o projeto garante a sustentabilidade e torna a exibição dos filmes 100% movida à energia solar.

Além disso, o interior da van do Cinesolar conta com diversos monitores para mostrar em tempo real a quantidade de energia produzida pelo painel. Este é um exemplo de como é possível apostar em iniciativas sociais sem abrir mão da energia limpa.

Caminhões com energia solar

Já imaginou uma frota de caminhões de logística movida à energia solar? Essa já é a realidade de gigantes como a PepsiCo, uma das maiores empresas de consumo do mundo.

Em uma parceria com a Sunew, dez veículos da frota de distribuição da empresa receberam a instalação de filmes solares orgânicos, assim como os usados nas árvores solares.

O projeto foi pioneiro, e o objetivo agora é expandir a solução de energia para toda a frota da companhia. Desse modo, a PepsiCo visa contribuir com a diminuição significativa da emissão de Gases de Efeito Estufa no longo prazo.

Neste mesmo sentido, a Scania iniciou na Suécia testes com um caminhão movido à energia solar. Foram instaladas células fotovoltaicas com 18 metros de comprimento em um semi reboque acoplado a um cavalo-mecânico, e espera-se reduzir o consumo de combustível em até 10% se o modelo rodar apenas em território sueco. Outro benefício esperado é o aumento da durabilidade dos componentes elétricos dos caminhões.

Agro em expansão

Embora o agronegócio não pareça um foco tão criativo quanto árvores e cinemas solares, um fato é que ainda há muito espaço para vender energia solar ao produtor rural.

Em todo o território nacional existem fazendas de pequeno a grande porte que gastam muito com a conta de luz convencional, já que dependem de seus processos de produção. Isso sem falar das fazendas que não possuem acesso à rede elétrica.

Para este público, a energia solar é a alternativa mais promissora. O uso de soluções tecnológicas no agronegócio proporciona mais qualidade de vida e segurança para essas pessoas, e sempre com a possibilidade de aumento da produtividade.

Desde 2021, segundo a Forbes, os produtores rurais já investiram em torno de R$ 3,4 bilhões em energia solar com a geração de mais de 21 mil empregos. Investir no agronegócio, além de ser incrivelmente oportuno, ainda contribui para a diminuição dos gases do efeito estufa e redução do custo dos alimentos produzidos.

Alguns exemplos “fora da caixa” de aplicações da energia solar no agronegócio são:

  •       Agricultura de precisão;
  •       Bombeamento de água;
  •       Ventilação em aviários e currais;
  •       Ordenha e resfriamento de leite;
  •       Cerca elétrica para proteção do rebanho;
  •       Secagem e armazenamento de grãos;
  •       Lavouras de café e outros produtos;
  •       Refrigeração de carnes, leites e derivados;
  •       Monitoramento e gestão das propriedades.

Concluindo: vender sistemas fotovoltaicos exige visão

Como vimos no artigo de hoje, os mais diversos projetos podem se beneficiar muito da energia solar. É possível fechar contratos com festivais, projetos sociais, empresas de logística que buscam inovação e sustentabilidade, e até mesmo o tradicional agronegócio ainda se vê carente de soluções de energia limpa.

Por isso, nós do setor devemos manter os olhos abertos para além dos telhados convencionais. Se nós, que tratamos diariamente do tema e seus benefícios, não enxergarmos as oportunidades e formos capazes de oferecer soluções para diferentes pessoas, não serão elas que virão em busca de nossas empresas. O cliente conhece a dor, nosso papel é oferecer a melhor forma de saná-la.

E você, conhece ou já vendeu sistemas para contextos diferentes dos tradicionais?

Gustavo Tegon

Gustavo Tegon

Formado em Negócios Internacionais e com MBA em Gestão e Negócios pela Universidade Metodista de Piracicaba. Com grande experiência em geração distribuída, liderou os fabricantes BYD, Jinko e Canadian Solar no Brasil. Atualmente, é diretor Institucional da BelEnergy.

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