O mercado brasileiro de energia solar passou por uma transformação significativa nos últimos anos. O crescimento acelerado da geração fotovoltaica atraiu novos fabricantes de estruturas para usinas de solo, aumentando a competitividade e ampliando as soluções disponíveis para desenvolvedores, EPCistas e investidores.
Ao mesmo tempo, a constante pressão pela redução do CAPEX das usinas impulsionou o desenvolvimento de soluções mais econômicas e eficientes. Esse movimento trouxe avanços importantes em termos de otimização estrutural, redução de peso, ganho logístico e simplificação da montagem. No entanto, também evidenciou um risco crescente: a tomada de decisão baseado exclusivamente no menor custo de aquisição
Embora as estruturas representem aproximadamente 18% do CAPEX de uma usina fotovoltaica, elas são responsáveis por sustentar fisicamente todos os demais componentes do sistema, incluindo módulos, inversores e infraestrutura elétrica.
Dessa forma, falhas de projeto, fabricação ou instalação podem gerar impactos financeiros muito superiores à economia obtida na aquisição.
Impactos na geração de energia
Um dos fatores frequentemente negligenciados durante a especificação das estruturas é sua influência direta no desempenho energético da usina.
A altura dos módulos em relação ao solo, conhecida como clearance, influencia tanto o aproveitamento da radiação refletida pelo terreno (albedo) quanto na circulação de ar sob os módulos. Uma ventilação mais eficiente contribui para reduzira temperatura de operação dos módulos, favorecendo seu desempenho e proporcionando ganhos de geração ao longo da vida útil do empreendimento.
Por esse motivo, a análise da estrutura deve considerar não apenas aspectos mecânicos e estruturais, mas também sua contribuição para o desempenho energético global da planta.
A influência da estrutura nos custos de implantação
As fundações estão entre os principais desafios técnicos e financeiros na implementação de usinas de solo. Nesse contexto, características estruturais aparentemente simples podem gerar impactos expressivos no custo total da obra.
Estruturas que permitem maiores espaçamentos entre estacas reduzem a quantidade de fundações necessárias e, consequentemente, diminuem custos relacionados à cravação, concreto, mão de obra e mobilização de equipamentos.
Outro aspecto relevante é a capacidade de adaptação ao terreno. Soluções capazes de absorver variações de declividade e irregularidades naturais minimizam a necessidade de terraplenagem e movimentação de terra, atividades que frequentemente representam uma parcela significativa do custo total da implantação.
Projetando para a realidade do campo
Diferentemente de ambientes industriais controlados, a montagem de usinas fotovoltaicas ocorre, na maioria das vezes, em locais remotos, expostos a altas temperaturas, poeira e limitações logísticas.
Nesse cenário, o fator humano deve ser considerado durante o desenvolvimento do produto. Sistemas que incorporam tolerâncias adequadas, furos oblongos, ajustes dimensionais e recursos que facilitam o alinhamento tornam a montagem mais rápida e menos suscetível a erros de execução.
Além de reduzir retrabalhos, essas características contribuem para ganhos de produtividade e maior previsibilidade no cronograma de implantação.
A importância do suporte de engenharia
Outro aspecto que merece atenção é o nível de suporte técnico fornecido pelo fabricante da estrutura. A disponibilização de memoriais de cálculo, relatórios estruturais, certificados de matéria-prima, rastreabilidade dos materiais e suporte durante a execução da obra são fatores que aumentam a segurança do empreendimento e proporciona maior confiabilidade para investidores, projetistas e EPCistas na tomada de decisão.
Em um mercado cada vez mais competitivo, a avaliação de uma estrutura fotovoltaica deve ir além do preço por quilograma de aço ou do valor final do fornecimento. A escolha da solução mais adequada deve considerar seus impactos sobre o desempenho energético, os custos de na fundação, a produtividade na montagem, na operação e na longevidade da usina.
A busca por redução de custos é legítima e necessária. Entretanto, quando realizada sem uma avaliação técnica criteriosa, pode comprometer justamente o componente responsável por garantir a estabilidade estrutural e a durabilidade de todo o investimento realizado na usina.
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