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Diferenciais de uma boa estrutura para usinas de solo

As estruturas respondem por cerca de 18% do CAPEX, mas são decisivas para a segurança e o desempenho da usina

Diferenciais de uma boa estrutura para usinas de solo

Foto: Thomás Martins/Click Solar

O mercado brasileiro de energia solar passou por uma transformação significativa nos últimos anos. O crescimento acelerado da geração fotovoltaica atraiu novos fabricantes de estruturas para usinas de solo, aumentando a competitividade e ampliando as soluções disponíveis para desenvolvedores, EPCistas e investidores.

Ao mesmo tempo, a constante pressão pela redução do CAPEX das usinas impulsionou o desenvolvimento de  soluções mais econômicas e eficientes. Esse movimento trouxe avanços importantes em termos de otimização estrutural, redução de peso, ganho logístico e simplificação da montagem. No entanto, também evidenciou um risco crescente: a tomada de decisão baseado exclusivamente no menor custo de aquisição

Embora as estruturas representem aproximadamente 18% do CAPEX de uma usina fotovoltaica, elas são responsáveis por sustentar fisicamente todos os demais componentes do sistema, incluindo módulos, inversores e infraestrutura elétrica.

Dessa forma, falhas de projeto, fabricação ou instalação podem gerar impactos financeiros muito superiores à economia obtida na aquisição.

Impactos na geração de energia

Um dos fatores frequentemente negligenciados durante a especificação das estruturas é sua influência direta no desempenho energético da usina.

A altura dos módulos em relação ao solo, conhecida como clearance, influencia tanto o aproveitamento da radiação refletida pelo terreno (albedo) quanto na  circulação de ar sob os módulos. Uma ventilação mais eficiente contribui para reduzira temperatura de operação dos módulos, favorecendo seu desempenho e proporcionando  ganhos de geração ao longo da vida útil do empreendimento.

Por esse motivo, a análise da estrutura deve considerar não apenas aspectos mecânicos e estruturais, mas também sua contribuição para o desempenho energético global da planta.

A influência da estrutura nos custos de implantação

As fundações estão entre os principais desafios técnicos e financeiros na implementação de  usinas de solo. Nesse contexto, características estruturais aparentemente simples podem gerar impactos expressivos no custo total da obra.

Estruturas que permitem maiores espaçamentos entre estacas reduzem a quantidade de fundações necessárias e, consequentemente, diminuem custos relacionados à cravação, concreto, mão de obra e mobilização de equipamentos.

Outro aspecto relevante é a capacidade de adaptação ao terreno. Soluções capazes de absorver variações de declividade e irregularidades naturais minimizam a necessidade de terraplenagem e movimentação de terra, atividades que frequentemente representam uma parcela significativa do custo total da implantação.

Projetando para a realidade do campo

Diferentemente de ambientes industriais controlados, a montagem de usinas fotovoltaicas ocorre, na maioria das vezes, em locais remotos, expostos a altas temperaturas, poeira e limitações logísticas.

Nesse cenário, o fator humano deve ser considerado durante o desenvolvimento do produto. Sistemas que incorporam tolerâncias adequadas, furos oblongos, ajustes dimensionais e recursos que facilitam o  alinhamento tornam a montagem mais rápida e menos suscetível a erros de execução.

Além de reduzir retrabalhos, essas características contribuem para ganhos de produtividade e maior previsibilidade no cronograma de implantação.

A importância do suporte de engenharia

Outro aspecto que merece atenção é o nível de suporte técnico fornecido pelo fabricante da estrutura. A disponibilização de memoriais de cálculo, relatórios estruturais, certificados de matéria-prima, rastreabilidade dos materiais e suporte durante a execução da obra são fatores que aumentam a segurança do empreendimento e proporciona maior confiabilidade para investidores, projetistas e EPCistas na tomada de decisão.

Em um mercado cada vez mais competitivo, a avaliação de uma estrutura fotovoltaica deve ir além do preço por quilograma de aço ou do valor final do fornecimento. A escolha da solução mais adequada deve considerar seus impactos sobre o  desempenho energético, os custos de na fundação, a produtividade na montagem, na operação e na longevidade da usina.

A busca por redução de custos é legítima e necessária. Entretanto, quando realizada sem uma avaliação técnica criteriosa, pode comprometer justamente o componente responsável por garantir a estabilidade estrutural e a durabilidade de todo o investimento realizado na usina.

As opiniões e informações expressas são de exclusiva responsabilidade do autor e não obrigatoriamente representam a posição oficial do Canal Solar.

Raphael Soeiro
Sobre o autor
Raphael Soeiro

Engenheiro mecânico, com pós-graduação em Gestão de Projetos, atua desde 2019 no desenvolvimento de projetos e produtos com foco no setor solar. Ao todo, possui participação em mais de 7 GWp de usinas fotovoltaicas.

Comentários (1)

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  • Djavan Diu

    Embora não seja do ramo da energia solar, achei muito importante esse artigo sobre estruturas para usinas fotovoltaicas.
    Trabalho no ramo da agronomia e pretendo me especializar no pastejo de ovinos sob essas instalações …. acho viável e pode ser uma fonte de renda complementar.

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