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Emissões globais de CO2 aumentaram menos de 1% em 2022

Crescimento da solar, eólica e VEs ajudaram a limitar os impactos do aumento do uso de carvão e petróleo, aponta IEA

Autor: 6 de março de 2023Indicadores
4 minutos de leitura
Emissões globais de CO2 aumentaram menos de 1% em 2022

O aumento nas emissões de carvão mais do que compensou o declínio de 1,6% nas emissões de gás natural. Foto: Freepik

As emissões globais de dióxido de carbono relacionadas à energia aumentaram menos de 1% em 2022 – menos do que se temia inicialmente – à medida que o crescimento da solar, eólica e VEs (veículos elétricos), por exemplo, ajudaram a limitar os impactos do aumento do uso de carvão e petróleo em meio à crise global de energia. A análise é da IEA (Agência Internacional de Energia).

De acordo com a organização, embora a alta no ano passado tenha sido muito menor do que o salto de mais de 6% em 2021, as emissões ainda permanecem em uma trajetória de crescimento insustentável, exigindo ações mais fortes para acelerar a transição de energia limpa.

O Global Energy Transitions Stocktake apontou ainda que as emissões globais de CO2 relacionadas à energia, no total, cresceram 321 milhões de toneladas, atingindo um novo recorde de mais de 36,8 bilhões de toneladas.

Segundo a pesquisa, o aumento foi significativamente mais lento do que o crescimento econômico global de 3,2%, sinalizando um retorno a uma tendência de uma década que foi interrompida em 2021 pela recuperação econômica rápida e intensiva em emissões da crise da Covid.

Eventos climáticos extremos, incluindo secas e ondas de calor, bem como um número incomumente grande de usinas nucleares desligadas, contribuíram para o aumento das emissões. Mas, 550 milhões de toneladas adicionais de emissões foram evitadas pelo aumento da implantação de tecnologias de energia limpa.

“Os impactos da crise energética não resultaram no grande aumento das emissões globais que inicialmente se temia – e isso se deve ao notável crescimento de renováveis e tecnologias de eficiência energética. Sem energia limpa, o crescimento das emissões de CO2 teria sido quase três vezes maior”, disse Fatih Birol, diretor executivo da IEA.

“No entanto, ainda vemos as emissões crescentes de combustíveis fósseis, dificultando os esforços para atingir as metas climáticas do mundo. As empresas internacionais e nacionais estão obtendo receitas recordes e precisam assumir sua parcela de responsabilidade, de acordo com seus compromissos públicos de cumprir as metas climáticas”, relatou.

Na visão de Birol, é fundamental que tais companhias revisem suas estratégias para garantir que estejam alinhadas com reduções significativas de emissões.

Outros dados

As emissões de CO2 do carvão cresceram 1,6% à medida que a crise global de energia continuou a estimular uma onda de troca de gás por carvão na Ásia e, em menor grau, na Europa. Embora o aumento nas emissões de carvão tenha sido apenas cerca de um quarto do aumento de 2021, ainda excedeu em muito a taxa média de crescimento da última década.

De acordo com o relatório, o aumento nas emissões de carvão mais do que compensou o declínio de 1,6% nas emissões de gás natural, uma vez que a oferta continuou a diminuir após a invasão russa da Ucrânia e as empresas e cidadãos europeus responderam com esforços para reduzir o uso de gás.

“As emissões de CO2 do petróleo cresceram ainda mais do que as do carvão, aumentando 2,5%, mas ainda abaixo dos níveis pré-pandemia. Cerca de metade do aumento ano a ano nas emissões de petróleo veio da aviação, já que as viagens aéreas continuaram a se recuperar dos mínimos da pandemia”, relataram.

Emissões na China, UE e EUA

Segundo a IEA, as emissões da China ficaram praticamente estáveis ​​em 2022, já que medidas estritas contra a Covid-19 e o declínio da atividade de construção levaram a um crescimento econômico mais fraco e reduções nas emissões industriais e de transporte.

Já as emissões da União Europeia caíram 2,5%, graças à implantação recorde de energias renováveis, ajudando a garantir que o uso de carvão não fosse tão alto quanto alguns observadores previam. Um início ameno do inverno europeu e medidas de economia de energia em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia também contribuíram.

“Nos Estados Unidos, as emissões cresceram 0,8%, pois os edifícios aumentaram seu consumo de energia para lidar com temperaturas extremas. Excluindo a China, as emissões das economias emergentes e em desenvolvimento da Ásia aumentaram 4,2%, refletindo o rápido crescimento econômico e da demanda por energia”, concluiu a pesquisa.

Mateus Badra

Mateus Badra

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020. Atualmente, é Analista de Comunicação Sênior do Canal Solar e possui experiência na cobertura de eventos internacionais.

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