25 de fevereiro de 2024
solar
No Brasil Hoje

Potencia GC SolarGC 12,2GW

No Brasil Hoje

Potencia GD SolarGD 26,8GW

Setor de energia liberou 135 milhões de toneladas de metano em 2022

Metano é responsável por cerca de 30% da alta das temperaturas globais desde a Revolução Industrial, diz IEA

Autor: 21 de fevereiro de 2023Indicadores
5 minutos de leitura
Setor de energia liberou 135 milhões de toneladas de metano em 2022

As emissões de metano permaneceram teimosamente altas em 2022, diz diretor executivo da IEA. Foto: Reprodução

Uma combinação de altos preços de energia, preocupações com a segurança do abastecimento e incerteza econômica não foram suficientes para reduzir as emissões de metano no ano passado, de acordo com uma nova análise da IEA (Agência Internacional de Energia).

O Global Methane Tracker descobriu que a indústria global de energia foi responsável por 135 milhões de toneladas de metano liberadas na atmosfera em 2022, apenas um pouco abaixo dos recordes registrados em 2019.

Atualmente, o setor de energia – incluindo petróleo, gás natural, carvão e bioenergia – responde por cerca de 40% das emissões totais de metano atribuíveis à atividade humana, perdendo apenas para a agricultura.

Segundo o estudo, o metano é responsável por cerca de 30% do aumento das temperaturas globais desde a Revolução Industrial. Ele se dissipa mais rápido que o dióxido de carbono, mas é um gás de efeito estufa muito mais poderoso durante seu curto período de vida.

Na visão da Agência, cortar as emissões de metano é uma das maneiras mais eficazes de limitar o aquecimento global e melhorar a qualidade do ar no curto prazo.

“As emissões de metano do petróleo e do gás sozinhas poderiam ser reduzidas em 75% com as tecnologias existentes, destacando a falta de ação da indústria em uma questão que costuma ser muito barata de resolver”, disse a pesquisa.

No total, menos de 3% da receita acumulada pelas empresas de petróleo e gás em todo o mundo no ano passado seria necessária para fazer o investimento de US$ 100 bilhões em tecnologias necessárias para alcançar essa redução.

“Nosso novo Rastreador Global de Metano mostra que algum progresso está sendo feito, mas que as emissões ainda são muito altas e não caem rápido o suficiente – especialmente porque os cortes de metano estão entre as opções mais baratas para limitar o aquecimento global a curto prazo. Simplesmente não há desculpa”, comentou Fatih Birol, diretor executivo da IEA.

“A explosão do oleoduto Nord Stream no ano passado liberou uma enorme quantidade de metano na atmosfera. Mas as operações normais de petróleo e gás em todo o mundo liberam a mesma quantidade de metano que a explosão do Nord Stream todos os dias”, apontou.

Alternativas para controlar as emissões

Para a IEA, interromper todas as queimas e descargas não emergenciais de metano é a medida mais impactante que os países podem tomar para controlar as emissões. Atualmente, cerca de 260 bilhões de metros cúbicos de metano são perdidos para a atmosfera a cada ano em operações de petróleo e gás.

“Três quartos disso poderiam ser retidos e colocados no mercado usando políticas e tecnologias testadas e comprovadas. O metano capturado representaria mais do que o total de importações anuais de gás da União Europeia da Rússia antes da invasão da Ucrânia”, ressaltou.

Os satélites estão fornecendo uma imagem cada vez mais clara das emissões de metano e aumentando consideravelmente o conhecimento mundial sobre as fontes de emissão.

O relatório incorpora leituras mais recentes junto com dados de outras campanhas de medição baseadas na ciência. Somente em 2022, mais de 500 eventos superemissores foram detectados por satélites de operações de petróleo e gás e outros 100 foram vistos em minas de carvão.

“A liberação indomável de metano na produção de combustível fóssil é um problema que às vezes passa despercebido no debate público. Infelizmente, não é um problema novo e as emissões continuam teimosamente altas”, relatou Birol.

“Muitas empresas obtiveram grandes lucros no ano passado, após um período turbulento para os mercados internacionais de petróleo e gás em meio à crise global de energia. Os produtores de combustíveis fósseis precisam intensificar e os formuladores de políticas precisam intervir – e ambos devem fazê-lo rapidamente”, enfatizou.

O estudo destaca as formas mais eficazes de limitar as emissões de metano das minas de carvão, além de reduzir o consumo de carvão. Segundo a IEA, a implantação de medidas de mitigação deve ser uma prioridade, especialmente devido ao risco de que a demanda por carvão continue alta nos próximos anos.

A Agência Internacional de Energia desenvolveu um novo roteiro regulatório e um kit de ferramentas para orientar as ações dos formuladores de políticas e empresas que buscam reduzir as emissões de metano das minas de carvão.

Isso ocorre ao lado de publicações semelhantes sobre petróleo e gás lançadas em anos anteriores que se tornaram a fonte de referência para formuladores de políticas e reguladores que buscam desenvolver novos e impactantes regulamentos de metano.

Compromisso Global do Metano

O Compromisso Global do Metano, lançado em novembro de 2021 na Conferência de Mudanças Climáticas COP-26 em Glasgow, marcou um importante passo adiante ao reunir os governos sobre esta questão.

O compromisso agora tem cerca de 150 participantes que se comprometeram coletivamente a reduzir as emissões de metano das atividades humanas em 30% até 2030. Isso inclui emissões da agricultura, setor de energia e outras fontes.

Os países que aderiram ao compromisso representam atualmente 55% do total de emissões de metano de atividades humanas e cerca de 45% do metano de operações de combustíveis fósseis.

“Será fundamental que os participantes formulem estratégias e medidas pragmáticas para reduzir suas próprias emissões e se envolvam com países que ainda não aderiram ao compromisso”, concluiu.

Mateus Badra

Mateus Badra

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020. Atualmente, é Analista de Comunicação Sênior do Canal Solar e possui experiência na cobertura de eventos internacionais.

Comentar

*Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Canal Solar.
É proibida a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes e direitos de terceiros.
O Canal Solar reserva-se o direito de vetar comentários preconceituosos, ofensivos, inadequados ou incompatíveis com os assuntos abordados nesta matéria.