A UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) formalizou nesta semana o recebimento de um sistema BESS (Battery Energy Storage System) doado pela empresa norte-americana Navvion Energy Storage Systems. A entrega ocorreu durante a visita de representantes da companhia ao estado.
O equipamento doado é um sistema residencial com capacidade de armazenamento de 16,1 kWh e inversor híbrido integrado de 10 kW. A tecnologia será utilizada pelo Departamento de Engenharia Elétrica da UFMT em pesquisas, ensaios laboratoriais, testes de conformidade, estudos de desempenho e projetos de integração de microrredes.
Segundo a universidade, os pesquisadores poderão avaliar o comportamento das baterias nas condições climáticas de Mato Grosso e contribuir para a adaptação da tecnologia ao mercado brasileiro.
O memorando de doação estabelece que o equipamento será utilizado exclusivamente em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Entre as linhas de estudo previstas estão:
- Ensaios para atendimento às normas da ANEEL e do Inmetro;
- Monitoramento dos sistemas de gerenciamento das baterias (BMS e EMS);
- Estudos sobre a integração de sistemas de armazenamento à rede elétrica;
- Avaliação da eficiência energética em condições típicas da região Centro-Oeste;
Segundo o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMT e ex-reitor da instituição, Evandro Aparecido Soares da Silva, a chegada do equipamento representa um avanço para o desenvolvimento científico do estado.
“A doação desses equipamentos permitirá realizar testes em condições climáticas próprias de Mato Grosso, avaliando aspectos como temperatura e desempenho para adaptar essa tecnologia à realidade da nossa região. Esse processo de tropicalização só pode ser feito aqui”, disse ele.
Fábrica bilionária em negociação
A parceria entre a universidade e a Navvion também fortalece a candidatura de Mato Grosso para receber uma futura fábrica de baterias da companhia no Brasil. O projeto está dividido em duas fases.
A primeira prevê a implantação de uma unidade para montagem de sistemas de armazenamento de energia, com investimento estimado em R$ 110 milhões, capacidade de produção de 1,5 GWh por ano e geração de 150 empregos diretos.
Em uma segunda etapa, a empresa pretende instalar uma fábrica para produção de células de baterias de lítio, elevando o investimento total para mais de R$ 1,1 bilhão e podendo gerar cerca de 500 empregos diretos ao longo dos cinco primeiros anos de operação.
A definição sobre o estado que receberá o empreendimento ainda não foi anunciada. Segundo a empresa, além da infraestrutura disponível, fatores como segurança jurídica, incentivos e disponibilidade de mão de obra qualificada pesam na decisão.
Para o presidente da Navvion América do Sul, Merivaldo Britto, a cooperação com a UFMT tem justamente o objetivo de preparar profissionais para atender a esse mercado.
“Precisamos de pessoas preparadas para trabalhar com eletrônica e armazenamento de energia. Os estados que estão sendo avaliados possuem polos industriais consolidados e oferecem incentivos e segurança jurídica. Esses fatores são importantes para qualquer empresa que pretende realizar investimentos de longo prazo”, disse ele.
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