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Energia nuclear tem mais apoio que rejeição em 23 países, aponta estudo

Levantamento com mais de 26,5 mil pessoas mostra que 41,4% apoiam a tecnologia, mas preocupações com segurança e prazo de construção das usinas permanecem

Energia nuclear tem mais apoio que rejeição em 23 países, aponta estudo

Foto: Flávia Villela - Agência Brasil/Divulgação

O apoio à geração nuclear de eletricidade supera a oposição em 23 dos 34 países analisados pelo relatório The Nuclear Confidence Project – Global Public Opinion Report 2026. Realizado pela Radiant Energy Group, o levantamento ouviu mais de 26,5 mil pessoas e identificou que 41,4% dos entrevistados apoiam a tecnologia, enquanto 28,5% são contrários.

Os países pesquisados reúnem cerca de 65% da população mundial. Apesar do saldo favorável, o estudo aponta vácuo de conhecimento sobre o papel da fonte na redução das emissões de carbono e preocupações com a segurança e o tempo necessário para construir novas usinas.

Para a ABDAN (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares), os resultados indicam maior reconhecimento da energia nuclear como alternativa para conciliar segurança energética, competitividade industrial e descarbonização.

“Os dados mostram que a percepção pública sobre a energia nuclear está evoluindo em diversos países. O que chama atenção é que, muitas vezes, o apoio da população avança mais rapidamente do que as próprias políticas energéticas”, afirma Celso Cunha, presidente da entidade.

Embora o combate às mudanças climáticas apareça como a principal razão para a construção de novas fontes de energia, apenas 44,9% dos entrevistados reconhecem a geração nuclear como uma tecnologia de baixa ou nenhuma emissão de carbono.

Segundo o relatório, esse percentual é inferior ao registrado para as fontes solar e eólica. Os pesquisadores classificam a diferença entre a prioridade atribuída ao clima e o conhecimento sobre a tecnologia nuclear como um “descompasso climático”.

Na avaliação da ABDAN, o resultado demonstra a necessidade de ampliar o acesso a informações sobre as características da fonte e sua participação na transição energética.

“A energia nuclear já é reconhecida por organismos internacionais como uma das principais tecnologias para a descarbonização. O relatório mostra que ainda existe uma lacuna entre a realidade técnica e a percepção pública”, diz Cunha.

Segurança e prazo das obras

A confiabilidade do abastecimento também aparece entre as prioridades da população pesquisada. Para 40% dos participantes, garantir estabilidade e segurança no fornecimento de energia é uma das principais necessidades para os próximos anos.

A ABDAN avalia que essa preocupação reforça a importância da diversificação da matriz elétrica, em um contexto de crescimento da demanda e de tensões geopolíticas.

“A discussão energética deixou de ser apenas ambiental. Hoje envolve soberania, segurança nacional, competitividade econômica e atração de investimentos”, afirma o presidente da associação.

O apoio à tecnologia, porém, convive com receios. Cerca de 81% dos entrevistados manifestaram algum nível de preocupação com acidentes ou vazamentos, enquanto 62,5% demonstraram apreensão com o prazo de construção de novas usinas.

Mais de um terço dos participantes considera a energia nuclear necessária, mas admite conhecer pouco sobre seu funcionamento. De acordo com o levantamento, o apoio à fonte ainda é frágil em diversos mercados.

Para a associação, os resultados contribuem para as discussões sobre a conclusão de Angra 3 e o potencial desenvolvimento de SMRs (pequenos reatores modulares) no Brasil.

Cunha defende que o país transforme suas reservas minerais, capacidade tecnológica e estrutura institucional em uma estratégia de longo prazo para o setor.

“O mundo está rediscutindo o papel da energia nuclear em sua estratégia de desenvolvimento. O Brasil possui reservas minerais, domínio tecnológico, instituições consolidadas e uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta. A questão agora é como transformar essas vantagens em uma política energética de longo prazo”, afirma.

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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