Três regiões da costa brasileira se destacam pelas maiores velocidades médias de vento com potencial para geração eólica offshore, sendo uma faixa entre Piauí e Rio Grande do Norte, o litoral do Rio de Janeiro e o trecho entre o sul de Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.
Nesses hotspots, áreas oceânicas estratégicas com condições excepcionais para a instalação de parques eólicos, as velocidades médias ficam entre 7,0 m/s e 10,0 m/s, segundo levantamento divulgado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
O estudo aponta as áreas de maior velocidade, mas também procura detalhar como o vento se comporta ao longo da costa.
A análise identificou 20 regiões características, ou clusters, definidas pela localização e pela semelhança dos padrões diário e sazonal do recurso eólico.
Com isso, a EPE busca oferecer uma visão regionalizada que possa ser utilizada em estudos de planejamento e avaliação energética.
Diferenças
Os hotspots não apresentam exatamente as mesmas condições. No Nordeste, os clusters são marcados por ventos mais constantes e direções predominantes bem definidas.
No Rio Grande do Sul, destaca-se a menor variação sazonal da velocidade, enquanto no Rio de Janeiro aparecem velocidades elevadas especialmente nos meses de janeiro e fevereiro.
De maneira geral, o levantamento indica uma tendência de ventos mais fortes no Brasil durante o segundo semestre.
No ciclo diário, as menores velocidades ocorrem com frequência durante o período diurno, principalmente no início da tarde. As diferenças entre os clusters, porém, mostram que tanto a intensidade quanto a variação temporal do recurso mudam de forma significativa conforme a localização.
Informações públicas
Para chegar a esse retrato, a EPE comparou três bases públicas utilizadas em estudos eólicos: ERA5, MERRA-2 e GWA (Global Wind Atlas).
Foram encontradas diferenças entre os modelos, especialmente conforme a região analisada. O ERA5 e o MERRA-2 apresentam resultados próximos em geral, mas o primeiro oferece resolução espacial mais refinada.
A EPE selecionou o ERA5 para a etapa de clusterização e aplicou o método de Ward, agrupando pontos que apresentam comportamentos semelhantes ao longo das horas e dos meses.
O procedimento permitiu identificar as 20 regiões com perfis próprios de sazonalidade e reforçou a possibilidade de complementaridade entre diferentes localidades e entre a geração offshore e outras fontes de energia.
Potencial a ser refinado
O levantamento parte de um potencial técnico estimado anteriormente pela EPE em cerca de 700 GW em áreas com profundidade de até 50 metros e mais de 900 GW até 100 metros.
Ao mesmo tempo, a empresa ressalta que ainda existem incertezas relevantes, principalmente pela escassez de medições públicas realizadas diretamente no ambiente offshore.
Por isso, a Nota Técnica é apresentada como uma etapa de consolidação das informações disponíveis e de redução das lacunas de conhecimento.
A EPE destaca a importância de novas medições in situ para validar os dados de reanálise e complementar a caracterização do recurso antes do aprofundamento de estudos voltados à contribuição da fonte para o sistema elétrico e ao desenvolvimento de projetos.
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