24 de outubro de 2021

Especialista elenca parâmetros de dimensionamento dos módulos bifaciais

Gerente de projetos fotovoltaicos na Amara-e destaca as diferenças entre painéis bifaciais e convencionais

Autor: 1 de abril de 2021abril 21st, 2021Tecnologia e P&D
Especialista elenca parâmetros de dimensionamento dos módulos bifaciais

“A principal característica dos módulos bifaciais é a capacidade absorver a luz solar pela sua face traseira”. É o que afirmou Vítor Pedreira, gerente de projetos fotovoltaicos da Amara-e. 

Durante participação no webinário “Conhecendo os módulos bifaciais: aplicações práticas, realizado pelo Canal Solar, o especialista comentou sobre as particularidades dessa tecnologia de dupla face e destacou suas vantagens em comparação aos painéis convencionais, que captam eletricidade exclusivamente pela parte frontal.

“A grande diferença para uma placa solar tradicional é que a sua camada posterior não é constituída de um backsheet branco. No seu lugar, usa-se um backsheet transparente ou ainda outra camada de vidro (double glass), possibilitando que a luz difusa refletida no solo ou em outros objetos próximos seja absorvida pela célula fotovoltaica”, explicou Pedreira. 

Ademais, segundo o especialista, no dimensionamento de uma usina bifacial existem ainda algumas variáveis que precisam ser observadas com bastante atenção, que no caso de uma planta convencional não é necessário o mesmo nível de detalhe. 

“São parâmetros que vão influenciar, principalmente, na captação de luz da face traseira. Por isso, são mais importantes no dimensionamento do módulo com tecnologia de dupla face – e eles podem influenciar positiva ou negativamente, a depender das variáveis que a gente adote”, apontou.

Parâmetros de dimensionamento

O primeiro parâmetro, talvez o mais importante, para o executivo, seja o Albedo – que trata-se de um índice que demonstra o quão reflexivo um terreno é. “Solos mais claros tendem a refletir uma quantidade maior da luz que incide sobre eles, aumentando assim a parcela de luz que atinge a parte de trás a de um painel bifacial”, explicou.

“Quanto maior o Albedo, maior a geração. Então, é essencial entender qual o tipo de terreno que será instalado na usina, e se valeria a pena, a título de ganho de energia, colocar brita ou uma superfície mais clara para aumentar a geração de eletricidade”, acrescentou. 

Em instalações com módulos bifaciais, a altura também é fundamental no que diz respeito à irradiância na parte traseira da placa fotovoltaica. De acordo com o gerente de projetos da Amara-e, a escolha correta da altura pode ocasionar uma grande diferença na geração de dupla face, isso porque uma célula ou um conjunto de células sombreadas afetam grande parte do painel.

“Não recomendamos instalações bifaciais em telhados, pois, logicamente, o módulo ficará muito próximo da superfície que vai refletir a luz. E aí, não teremos essa altura maior para poder aumentar a radiação solar que incide na sua face de trás”, relatou. 

“O ideal é manter pelo menos uma altura de 60 cm. Se for menor, seria interessante fazer a simulação do PVSyst para ver também qual o resultado que conseguimos ter com uma altura inferior, além de tentar buscar alturas próximas de 1 m, que aí teremos cenários ideais para maior geração”, ressaltou o especialista. 

Leia mais: Módulos bifaciais dominam setor fotovoltaico em 2020 no Brasil

O último parâmetro para dimensionamento de bifacial é o distanciamento entre as fileiras, o chamado Pitch. No entanto, como o mesmo pode influenciar na geração do lado de trás dos módulos?

Para Vítor Pedreira, essa variável é bastante considerada em usinas de solo com placas convencionais, mas, deve possuir importância ainda maior na análise de painéis com tecnologia de dupla face, pois além da sombra direta ocasionada, deve-se considerar a luz difusa que será refletida na parte traseira.

“Este valor é utilizado para determinação do GCR (Ground Coverage Ratio), o qual representa a divisão da área de módulos pela área total da planta. Ou seja, aumentando a distância entre as mesmas, aumentamos consequentemente a área total necessária para instalação do sistema. Com isso, temos um maior espaço onde os raios solares incidem no solo e refletem nos módulos bifaciais, produzindo mais energia”, relatou.

Mesmo assim, de acordo com ele, tal variável gera várias dúvidas para os clientes, pois muitos estão acostumados com o distanciamento de 7 metros de pilar a pilar. “Quando vão para uma usina com tecnologia bifacial, indicamos que, para que se tenha um ganho de mais ou menos 1 ou 2% de geração, aumente esse distanciamento para até 12 metros, por exemplo”.

Então, segundo Pedreira, este é um parâmetro que é sempre pedido para não ser descartado logo de início, pois podem sim ser viáveis e compensar o gasto a mais de terreno e, possivelmente, de outros itens.

Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de um ano, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

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