A falta de capacitação técnica ainda limita a venda e a instalação de sistemas de armazenamento por baterias no Brasil, segundo Eduardo Neubern, COO da Solfácil.
Em entrevista ao Canal Solar, o executivo afirmou que pelo menos um em cada quatro integradores consultados pela empresa neste ano aponta a necessidade de treinamento como uma barreira para atuar nesse mercado.
“O conhecimento, a preparação, a confiança técnica da comunidade de integradores para a venda dessas soluções ainda é baixa”, disse ele.
Segundo o executivo, a atuação com baterias exige uma abordagem diferente daquela utilizada na venda de sistemas fotovoltaicos convencionais.
Além de conhecer os equipamentos, o profissional precisa identificar quais cargas o consumidor pretende manter em funcionamento durante uma interrupção no fornecimento e dimensionar a solução para essa necessidade.
“Essa é uma venda mais consultiva, de maior valor agregado. Então, ele precisa desenvolver, por exemplo, a competência de ter uma conversa com o cliente dele sobre dimensionamento, sobre cargas essenciais”, explicou.
Esse levantamento influencia o custo do projeto e a expectativa do consumidor sobre o funcionamento do sistema. Segundo Neubern, tratar todos os equipamentos do imóvel como essenciais pode levar a uma necessidade maior de baterias e tornar a proposta mais cara. “Se tudo é carga essencial, ele vai precisar de muita bateria”, afirmou.
O executivo também destacou a compatibilidade entre baterias e inversores como um dos pontos que exigem atenção na escolha dos componentes. Na instalação, a definição das cargas pode envolver a divisão dos circuitos em dois quadros: um destinado aos equipamentos que serão atendidos pela bateria e outro para as demais cargas do imóvel.
A procura por armazenamento também apresenta motivações distintas conforme o perfil do cliente. No mercado residencial, o executivo aponta o backup como o principal fator de crescimento neste momento, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
Segundo Neuberg, a demanda está associada à possibilidade de manter equipamentos funcionando durante interrupções no fornecimento, inclusive aquelas provocadas por eventos climáticos. “Então é você ter uma solução que te permite, nos eventos climáticos principalmente, continuar com sua geladeira ligada com a comida lá dentro”, exemplificou.
Outra motivação citada é o aproveitamento da geração solar no próprio imóvel. Segundo Neubern, o avanço da cobrança do Fio B aumenta o interesse em armazenar a energia produzida durante o dia para utilizá-la em outros horários.
No segmento comercial e industrial, o executivo afirma que a proposta tem um componente econômico mais forte. Entre os perfis atendidos ou com potencial para essas soluções, citou eletropostos, granjas, frigoríficos, hospitais e hotéis. A empresa também identificou demanda em casas de repouso que utilizam equipamentos médicos.
Além da formação, Neubern considera o acesso ao crédito uma das condições para ampliar o mercado de baterias. Na avaliação do executivo, a combinação entre proposta de valor e financiamento competitivo, que contribuiu para a expansão da energia solar residencial, também poderá impulsionar a adoção das baterias.
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