Com a colaboração de Ericka Araújo
A tecnologia de células de contato traseiro, conhecida como BC (Back Contact), será uma das apostas da GCL SI para a próxima geração de módulos fotovoltaicos de alta eficiência.
A fabricante apresentará ao mercado latino-americano o módulo GPC 3.0 durante a Intersolar South America 2026, que acontece entre os dias 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).
Diferentemente das arquiteturas convencionais, a tecnologia BC concentra os contatos elétricos na parte traseira da célula fotovoltaica, eliminando barramentos aparentes na face frontal.
A configuração amplia a superfície disponível para captação da luz solar e, segundo a GCL SI, pode proporcionar ganho de aproximadamente um ponto percentual de eficiência em relação às tecnologias atualmente predominantes no mercado.
Para a companhia, essa arquitetura também abre um novo caminho para o avanço da eficiência das células de silício cristalino.
“A BC é a arquitetura definitiva para células de silício cristalino. Já exploramos amplamente as tecnologias TOPCon e HJT, mas ambas estão se aproximando de seus limites físicos. A BC está abrindo uma janela maior para futuras melhorias de eficiência”, avaliou Huang Gengwen, diretor executivo da Divisão de Pesquisa de Células da GCL SI.
Apresentado inicialmente durante a Intersolar Europe 2026, realizada em junho, na Alemanha, o GPC 3.0 reúne uma série de aprimoramentos voltados ao aumento da eficiência, da confiabilidade e do desempenho dos módulos em condições reais de operação.
Embora tenha sido originalmente desenvolvida para aplicações residenciais, a tecnologia BC possui compatibilidade com projetos de maior porte e passa a integrar a estratégia da GCL SI para o segmento utility-scale na América Latina.
Entre as soluções incorporadas estão um design otimizado para ampliar a captação da irradiância, técnicas avançadas de passivação para reduzir perdas elétricas, filmes dielétricos multicamadas, novas soluções de metalização para diminuir o consumo de prata e a utilização de silício granular produzido pelo processo FBR (Fluidized Bed Reactor).
Um dos destaques é o chamado design MAX, que busca reduzir interferências na superfície frontal e ampliar a área efetiva de captação da luz.
Associada a filmes dielétricos multicamadas com gradiente, a solução também busca melhorar o comportamento antirreflexivo do módulo sob diferentes condições de irradiância.
Outro avanço está relacionado à passivação das células. Segundo a GCL SI, a estratégia adotada reduz perdas causadas pela recombinação de cargas na superfície e contribui para melhorar o desempenho elétrico.
Nas linhas de produção da fabricante, as células GPC já alcançaram eficiência média de conversão de 28,38%. O índice, no entanto, refere-se às células fotovoltaicas e não à eficiência final dos módulos comerciais.
Eficiência entra no centro da disputa tecnológica
Para a GCL SI, a eficiência deverá assumir um peso cada vez maior na escolha dos módulos fotovoltaicos nos próximos anos, inclusive em projetos de geração centralizada.
Segundo a fabricante, a retirada dos contatos elétricos da superfície frontal das células permite ampliar a área exposta diretamente à irradiância e, consequentemente, elevar a relação entre potência e área do equipamento.
A companhia destaca que esse avanço é diferente do aumento de potência obtido simplesmente pela ampliação das dimensões físicas dos módulos.
Ao longo dos últimos anos, parte da indústria adotou equipamentos maiores como estratégia para elevar a potência nominal. Essa mudança, porém, não necessariamente representava ganhos proporcionais de eficiência.
Além disso, módulos maiores podem gerar impactos sobre outros componentes do empreendimento, exigindo estruturas e trackers dimensionados para novas condições mecânicas e influenciando o layout das usinas e o espaçamento entre fileiras.
Nos últimos anos, a indústria avançou para uma maior harmonização das dimensões dos equipamentos. Nesse cenário, a GCL SI avalia que a capacidade de produzir mais energia utilizando uma mesma área deverá se tornar um dos principais fatores de diferenciação tecnológica.
A fabricante lembra que, na última década, a eficiência dos módulos comerciais avançou de patamares próximos de 15% para níveis que hoje podem chegar a aproximadamente 25%.
Além do Back Contact, tecnologias como células tandem de perovskita são apontadas pela companhia entre as alternativas que poderão ganhar espaço à medida que alcancem escala e viabilidade comercial.
Menor uso de prata e degradação
Outro diferencial apontado pela GCL SI está relacionado à quantidade de prata utilizada na fabricação das células.
De acordo com a companhia, a tecnologia BC pode consumir cerca de 20% menos prata em comparação com células TOPCon, reduzindo a exposição dos custos de produção às oscilações de preço da commodity.
A empresa também aponta diferenças na degradação ao longo da vida útil. Segundo a GCL SI, módulos baseados em BC podem apresentar degradação anual de aproximadamente 0,35%, ante cerca de 0,40% na tecnologia TOPCon.
Uma das soluções incorporadas ao GPC 3.0 é justamente uma nova estratégia de metalização, combinada a tecnologias como 0BB (zero busbar), com o objetivo de reduzir a quantidade de prata necessária por watt produzido.
Outro componente da estratégia é o uso de silício granular FBR produzido pela própria GCL. Segundo a fabricante, o processo contribui para maior uniformidade do material e para uma fabricação com menor pegada de carbono, além de favorecer a consistência do desempenho das células.
Impactos para projetos utility-scale
Em projetos de grande porte, os ganhos proporcionados pela eficiência não ficam restritos ao desempenho individual do módulo.
Segundo a GCL SI, uma relação maior entre potência e área permite atingir determinada potência instalada utilizando uma quantidade menor de módulos.
Na prática, isso pode reduzir componentes associados ao BOS (Balance of System) e despesas operacionais relacionadas, por exemplo, à limpeza, manutenção e reposição dos equipamentos.
A companhia afirma ainda que a tecnologia pode ser incorporada sem alterações relevantes nas dimensões atualmente utilizadas pela indústria, evitando impactos adicionais sobre componentes como trackers e cabeamento.
A menor degradação também tende a ampliar a quantidade de energia produzida ao longo da vida útil do empreendimento.
Na avaliação da fabricante, a combinação entre maior eficiência, menor número de módulos e redução da degradação pode resultar em um LCOE (Custo Nivelado de Energia) comparativamente menor para projetos baseados na tecnologia BC.
América Latina entra no radar
A cadeia global de módulos fotovoltaicos passa atualmente por mais um processo de transição tecnológica.
Segundo a GCL SI, grandes fabricantes estão ampliando gradualmente sua capacidade de produção de células BC, ao mesmo tempo em que começam a reduzir a participação das linhas baseadas em TOPCon.
A companhia compara o movimento a outras transições ocorridas na indústria fotovoltaica, como a passagem do silício policristalino para o monocristalino e, posteriormente, das células PERC para TOPCon.
Na Europa, segundo a GCL SI, a tecnologia BC já vem sendo adotada há pelo menos dois anos em aplicações residenciais e comerciais e industriais.
Na América Latina, a fabricante afirma que já está trabalhando na formalização de ofertas de módulos BC em diferentes países para projetos utility-scale programados para 2027.
A expectativa da companhia é que a adoção de tecnologias de maior eficiência avance à medida que a capacidade produtiva aumente e novos projetos de geração sejam desenvolvidos na região.
No Brasil, entretanto, o mercado utility-scale para a tecnologia BC ainda é incipiente. A GCL SI avalia que esse cenário poderá mudar nos próximos anos, acompanhando a expansão da infraestrutura de transmissão e a retomada de novos projetos de geração centralizada. Os visitantes da Intersolar South America 2026 poderão conhecer o GPC 3.0 no estande W5.30 da GCL SI.
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