A expectativa pelo primeiro leilão de baterias do Brasil, previsto para dezembro deste ano, já começa a influenciar as estratégias de grandes fabricantes globais de armazenamento, que vêm buscando parceiros locais para estruturar sua participação no certame.
Somente na última semana, CATL e Jinko ESS anunciaram, durante a The smarter E South America, acordos com Moura e UCB Power, respectivamente, visando avançar na produção nacional de equipamentos.
A aproximação ocorre após o desenho do certame prever a contratação de dois produtos: um destinado a sistemas com conteúdo local e outro aberto a equipamentos de origem estrangeira.
A divisão criou uma disputa para soluções nacionalizadas e ajuda a explicar o movimento de fabricantes internacionais em busca de parceiros e capacidade produtiva no Brasil.
Nesse cenário, a Jinko ESS assinou um MoU (Memorando de Entendimento) com a UCB Power para explorar oportunidades de cooperação no país.
Entre os principais pontos do acordo está a possibilidade de industrialização das soluções da fabricante no país, de forma a atender aos requisitos de conteúdo local previstos para o leilão.
A estratégia combina o portfólio internacional da Jinko ESS com a capacidade industrial da UCB Power, que possui plantas em Manaus (AM) e Extrema (MG) e atua há mais de 50 anos no segmento de armazenamento de energia.
Outro fator considerado pelas empresas é o acesso a financiamento, já que a nacionalização poderá facilitar o acesso a alternativas disponíveis no país, incluindo linhas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
“A combinação de tecnologia, produção local e acesso a mecanismos de financiamento pode representar um passo importante para reduzir as barreiras à adoção de sistemas BESS e acelerar sua implementação em projetos de diferentes escalas no país”, explica Vinicius Berná, diretor executivo comercial e de novos negócios da UCB Power.
CATL e Moura miram produção nacionalizada
Já o acordo entre a CATL e a Moura para atuação conjunta no LRCAP-BESS (Leilão de Reserva de Capacidade para Armazenamento) combina as soluções de armazenamento da fabricante chinesa com a atuação local da companhia brasileira.
O acordo também busca viabilizar a produção nacionalizada de equipamentos para atender aos requisitos de conteúdo local do certame.
Em nota, a CATL afirma deter atualmente cerca de 45% de participação no mercado brasileiro de armazenamento de energia, com projetos em segmentos como transmissão, agronegócio, logística de cadeia fria e indústria.
Entre eles está o sistema instalado em Registro (SP), em operação desde dezembro de 2022. Segundo a companhia, o projeto utiliza armazenamento por baterias para apoiar uma subestação responsável pelo atendimento de 15 municípios e aproximadamente 2 milhões de habitantes.
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