O Plano de Gestão de Excedentes de Energia voltou ao radar do setor elétrico no último fim de semana, após a possibilidade de um novo acionamento para equilibrar geração e consumo no SIN (Sistema Interligado Nacional).
A medida poderia levar, pela terceira vez neste ano, à redução da geração de usinas conectadas às redes de distribuição, caso os recursos disponíveis sob coordenação direta do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) não fossem suficientes para controlar o excesso de energia.
Mas o que significa, na prática, acionar esse plano?
O Plano de Gestão de Excedentes é uma medida preventiva utilizada em situações nas quais, mesmo após a redução da geração sob responsabilidade do ONS, ainda é necessário diminuir a produção de energia conectada às distribuidoras para equilibrar geração e consumo.
Esse cenário apresenta maior probabilidade de ocorrer em períodos de baixa carga, como fins de semana e feriados, quando o consumo de eletricidade tende a ser menor.
Acionamento não significa falta de energia
Apesar de envolver cortes de geração, o acionamento do plano não significa que regiões ou consumidores ficarão sem fornecimento de energia. Na prática, o problema enfrentado nesses momentos é o oposto: há mais energia sendo produzida do que consumida no sistema.
Por isso, parte da geração precisa ser reduzida para preservar o equilíbrio entre oferta e demanda e garantir a estabilidade do SIN. Ou seja, o corte ocorre na produção de determinadas usinas, e não no fornecimento de eletricidade aos consumidores.
A medida busca justamente evitar que um excesso de geração provoque desequilíbrios capazes de comprometer a segurança da operação do sistema elétrico.
Entenda como funciona o Plano de Gestão de Excedentes
O Plano de Gestão de Excedentes estabelece uma sequência de medidas para lidar com períodos em que a geração de energia disponível supera a carga do sistema elétrico.
Antes de qualquer intervenção nas redes de distribuição, o ONS utiliza os recursos disponíveis na GC (geração centralizada), incluindo a redução da produção de grandes usinas solares e eólicas conectadas ao sistema de transmissão.
Somente quando essas medidas não são suficientes para restabelecer o equilíbrio entre geração e consumo é que o plano prevê ações envolvendo as distribuidoras.
Nesse estágio, as concessionárias são comunicadas previamente para que estejam preparadas para reduzir, caso necessário, a geração de empreendimentos conectados às suas redes.
Entre os empreendimentos que podem ser atingidos estão as chamadas Usinas Tipo 3, instalações que não são despachadas diretamente pelo ONS e cuja redução de geração depende da atuação das distribuidoras.
O acionamento, portanto, não ocorre de surpresa. O ONS monitora o SIN 24 horas por dia e acompanha as condições de geração e consumo, enquanto a necessidade de avançar nas medidas depende do cenário verificado durante a operação.
Foi o que ocorreu no último fim de semana. Na sexta-feira (28), o ONS classificou como “média” a probabilidade de acionamento do plano no domingo (30), deixando as distribuidoras sob aviso para uma eventual necessidade de redução da geração.
Assim, o Plano de Gestão de Excedentes não precisou ser acionado no domingo, diferentemente do que ocorreu em outras duas oportunidades neste ano, em 7 de junho e 23 de agosto, quando houve redução da geração de empreendimentos conectados às redes de distribuição.
Após deixar distribuidoras sob aviso, ONS não realizou cortes de geração no fim de semana
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