Dados do ONS (Operador Nacional do Sistema) apontam que o curtailment de usinas eólicas e solares cresceu cerca de 21% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo análise realizada pelo Canal Solar.
A geração de energia não realizada das duas fontes, chamada de GNRa, passou de 3.429 MW médios em 2025 para 4.122 MW médios neste ano.
Na prática, são 693 MW médios adicionais neste ano que poderiam ter sido produzidos, mas foram cortados por alguma restrição do sistema. Os dados mostram que o aumento ocorreu mesmo sem avanço da geração efetivamente entregue.
A soma da geração verificada com a energia cortada subiu de 19.055 MW médios para 19.735 MW médios. Já a geração realizada recuou ligeiramente, de 15.626 MW médios para 15.612 MW médios.
Com isso, a parcela da energia não aproveitada passou de 18% em 2025 para 20,9% da geração potencial das usinas analisadas em 2026.
Restrições energéticas puxam o aumento
O crescimento do curtailment foi provocado pelas restrições classificadas como razão energética. Esse tipo de corte ocorre, em geral, quando há excesso de oferta em relação à demanda ou falta de capacidade para escoar toda a produção disponível.
Os cortes por razão energética saltaram de 1.706 MW médios para 2.837 MW médios. O aumento foi de 66,3%, ou 1.131 MW médios em apenas um ano. Essa modalidade passou a representar 14,4% da geração potencial em 2026, ante 9% no mesmo período de 2025.
Em sentido contrário, as restrições relacionadas à confiabilidade caíram 17,8%, de 982 MW médios para 807 MW médios. A participação desse tipo de corte recuou de 5,2% para 4,1%.
Também houve redução das perdas por indisponibilidade externa, que passaram de 741 MW médios para 478 MW médios. A queda foi de 35,5%.
A indisponibilidade externa ocorre quando equipamentos elétricos necessários ao escoamento estão fora de operação, enquanto os cortes por confiabilidade são feitos para evitar sobrecargas e preservar a segurança do sistema.
Mesmo com a redução dessas duas modalidades, o avanço das restrições energéticas foi suficiente para levar o curtailment ao maior nível.
Nordeste concentra mais de 80% dos cortes
O Nordeste continuou sendo a região mais afetada. A energia não gerada no subsistema passou de 2.830 MW médios para 3.403 MW médios, crescimento de 20,2%.
Isso significa que o Nordeste concentrou cerca de 83% de todo o curtailment registrado no país até agosto de 2026. No Sudeste, a GNRa cresceu 11,2%, de 563 MW médios para 626 MW médios.
O Sul apresentou o maior aumento percentual, mas sobre uma base pequena. Os cortes avançaram de 15 MW médios para 70 MW médios. No Norte, passaram de 20 MW médios para 23 MW médios.
Cortes aumentam entre eólicas e solares
As usinas eólicas continuaram respondendo pelo maior volume de energia não gerada. O curtailment da fonte subiu de 2.299 MW médios para 2.753 MW médios, alta de 19,7%.
Os cortes por razão energética nas eólicas cresceram 56,9%, de 1.071 MW médios para 1.680 MW médios. Já as restrições de confiabilidade ficaram praticamente estáveis, passando de 690 MW médios para 710 MW médios.
As perdas por indisponibilidade externa recuaram de 538 MW médios para 363 MW médios, queda de 32,5%.Entre as usinas solares fotovoltaicas, a energia não gerada aumentou 21,3%, de 1.129 MW médios para 1.370 MW médios.
Novamente, a razão energética explica o resultado. Os cortes dessa categoria passaram de 634 MW médios para 1.157 MW médios, alta de 82,5%.
Ao mesmo tempo, as restrições de confiabilidade das solares caíram de 292 MW médios para cerca de 97 MW médios. Os cortes por indisponibilidade externa recuaram de 203 MW médios para aproximadamente 115 MW médios.
Os números reforçam o perfil do curtailment no Brasil. Os cortes ligados à confiabilidade e às indisponibilidades externas perderam espaço, enquanto as restrições energéticas continuam crescendo.
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