O fim de semana terminou sem a necessidade de cortes de geração em usinas conectadas às redes de distribuição, apesar da possibilidade de acionamento do Plano de Gestão de Excedentes de Energia.
O cenário havia sido sinalizado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) na sexta-feira (28), quando a entidade classificou como “média” a probabilidade de acionamento do plano no domingo (30).
A avaliação estava relacionada à expectativa de baixa carga no SIN (Sistema Interligado Nacional), situação que pode provocar um excesso de geração em relação ao consumo de energia. Nesses períodos, o ONS atua inicialmente sobre a GC (Geração Centralizada), reduzindo a produção de usinas sob seu controle.
Caso essas medidas não sejam suficientes para equilibrar geração e carga, o Plano de Gestão de Excedentes prevê a possibilidade de restrições também em usinas conectadas às redes de distribuição.
No entanto, o desequilíbrio que poderia levar à necessidade de novos cortes não se concretizou durante o fim de semana.
Durante a programação da operação realizada no sábado (29), as equipes técnicas do ONS verificaram que as condições esperadas para o SIN permitiriam manter a operação dentro dos parâmetros de segurança, sem necessidade de avançar para cortes nas redes de distribuição.
Assim, não houve necessidade de acionar o Plano de Gestão de Excedentes no domingo (30).
Entenda como funciona o Plano de Gestão de Excedentes
O Plano de Gestão de Excedentes do ONS estabelece uma sequência de medidas para lidar com períodos em que a geração de energia disponível supera a carga do sistema elétrico.
Antes de qualquer intervenção nas redes de distribuição, o ONS utiliza os recursos disponíveis na GC, incluindo a redução da produção de grandes usinas solares e eólicas conectadas ao sistema de transmissão.
Somente quando essas medidas não são suficientes para restabelecer o equilíbrio entre geração e consumo é que o plano prevê ações envolvendo as distribuidoras.
Nesse estágio, o ONS comunica as concessionárias para que estejam preparadas para reduzir, caso necessário, a geração conectada às redes locais.
Entre os empreendimentos que podem ser atingidos estão as chamadas Usinas Tipo 3, instalações que não são despachadas diretamente pelo ONS e cuja redução de geração depende da atuação das distribuidoras.
Dessa forma, os cortes na rede de distribuição são utilizados somente após o esgotamento das medidas disponíveis sobre os recursos diretamente coordenados pelo Operador.
Usinas Tipo III x MMGD: entenda as diferenças e os cortes do ONS
Plano já foi acionado duas vezes em 2026
Em 2026, o ONS precisou recorrer a cortes de geração em usinas conectadas às redes de distribuição em duas oportunidades. A primeira ocorreu em 7 de junho, durante um período de baixa carga no SIN que exigiu medidas adicionais para manter o equilíbrio entre geração e consumo.
O segundo acionamento aconteceu em 23 de agosto, quando o Plano de Gestão de Excedentes permaneceu em vigor das 11h às 13h30. Na ocasião, as reduções realizadas nos recursos de geração sob controle direto do ONS não foram suficientes para restabelecer o equilíbrio do sistema, levando o Operador a solicitar reduções adicionais.
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