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Geração distribuída beneficia somente grandes consumidores?

Afirmação vem sendo defendida por entidades do setor elétrico após crescimento das energias renováveis

Autor: 16 de abril de 2021Brasil
3 minutos de leitura
Geração distribuída beneficia somente grandes consumidores?

Com o crescimento da GD (geração distribuída) de energia elétrica no Brasil, modalidade na qual a fonte solar fotovoltaica é, sem dúvidas, a mais expressiva, vem ocorrendo um movimento cada vez mais intenso por parte de entidades ligadas ao setor elétrico de questionar os benefícios que o setor pode trazer para os consumidores. 

Uma das afirmações divulgadas pelas entidades é a de que a geração distribuída, principalmente a solar fotovoltaica, beneficia apenas grandes consumidores, em sua maior parte empresas.

Para esclarecer melhor essa questão, a reportagem do Canal Solar conversou com o economista Ricardo Buratini, coordenador do Núcleo de Estudos em Economia e Energia da FACAMP (Faculdades de Campinas).  

De acordo com o especialista, a afirmação de que a geração distribuída solar só beneficia grandes corporações não procede. “Ela beneficia também o pequeno produtor, os comerciantes e todos aqueles consumidores e empreendedores que têm a consciência de que a energia renovável é boa para o país e uma ótima opção para a redução de custos ao longo do tempo”, explicou.  

Segundo Buratini, tanto a fonte solar como a eólica beneficiam as entidades do setor elétrico brasileiro. “Por causa de questões climáticas e de um mau planejamento recente, não temos mais muita água nos reservatórios, seja porque está chovendo menos ou porque não pudemos construir mais usinas hidráulicas. As energias renováveis alternativas [solar e eólica], nesse sentido, ajudam bastante nesse momento em que o nosso tradicional modelo hidrotérmico [formado por usinas hidrelétricas e termelétricas] está em crise pela incapacidade de guardar água”, disse.

Questionado sobre a importância dos investimentos pulverizados (consumidores de baixa tensão) e sobre o quanto isso contribui para a economia nacional, Buratini citou um levantamento divulgado em janeiro deste ano pela ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

O documento aponta que a soma dos novos investimentos privados em GD e GC (geração centralizada) poderão ultrapassar a marca de R$ 22,6 bilhões em 2021. Segundo Buratini, tratam-se de números “bastante significativos, ainda mais num momento em que a economia brasileira sofre uma tendência de recessão em função da pandemia”, comentou.  

Leia também: ABSOLAR projeta investimento de R$ 22,6 bilhões no setor solar em 2021

Por causa disso, o economista defende que ocorram mais investimentos pulverizados para o crescimento da GD solar no Brasil. Segundo ele, além dos benefícios proporcionados, a fonte fotovoltaica se tornou uma importante ferramenta para a geração de empregos e para o desenvolvimento de tecnologias e novos modelos de negócios.

“Ela poderia ser melhor aproveitada se houvesse um projeto de desenvolvimento setorial bem articulado. Seria necessário um envolvimento coletivo de empreendedores e de políticas públicas adequadas, além de crédito para a compra de equipamentos e desenvolvimento de novas competências (…) Enfim, é preciso pensar a longo prazo, pois melhorariam bastante as perspectivas para a economia brasileira”, ressaltou. 

Henrique Hein

Henrique Hein

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter do Jornal Correio Popular e da Rádio Trianon. Acompanha o setor elétrico brasileiro pelo Canal Solar desde fevereiro de 2021, possuindo experiência na mediação de lives e na produção de reportagens e conteúdos audiovisuais.

Um comentário

  • ALTAIR PRUDENCIATI disse:

    Sou um consumidor comum e tenho tido o beneficio maravilhoso da energia solar em minha casa. Vejo com preocupação as falsas informações que energia solar, só beneficia os grandes. Causa uma estranheza por ser um argumentação mentirosa. Minha fatura de energia era em media de R$300,00 hoje eu tenho uma fatura de R$50,00 e só investi R$ 14.000,00. Tenho uma rentabilidade mensal de liquida de 1,7% ao mês. Qual aplicação hoje tem esta rentabilidade sem riscos?

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