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Gestão dos custos de energia exige combinar contratação e eficiência operacional

Condições contratuais, encargos setoriais e perfil de consumo devem orientar a estratégia das empresas no mercado livre de energia em 2027

Canal Solar - Gestão dos custos de energia exige combinar contratação e eficiência operacional

Foto: Canva

A contratação de energia no mercado livre exige uma análise que vai além do preço negociado por MWh. Para planejar os gastos com energia, as empresas precisam considerar as condições comerciais dos contratos, os encargos aplicáveis e as oportunidades de otimização do consumo.

Em um cenário de mudanças no setor elétrico, a combinação entre estratégia de contratação e soluções de gestão energética pode contribuir para maior controle sobre as despesas. A avaliação é da Armor Energia, gestora e comercializadora de energia.

“Uma contratação adequada precisa considerar não apenas o preço da energia, mas também os componentes que podem variar ao longo do contrato e a forma como esses custos são distribuídos entre as partes. Essa análise é fundamental para que a empresa compreenda os riscos assumidos e planeje suas despesas com mais consistência”, afirma Fred Menezes, diretor de Comercialização da companhia.

Segundo ele, a necessidade de avaliar essas condições ganha relevância com a expansão do mercado livre de energia. De janeiro a setembro de 2026, cerca de 18,3 mil novas unidades consumidoras migraram para esse ambiente, segundo dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

A expectativa é de que o movimento se amplie com a abertura gradual do mercado para consumidores atendidos em baixa tensão, prevista para começar em novembro de 2027.

Segundo a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), o Grupo B – entre pequenos negócios, propriedades rurais e residências – reúne cerca de 89,6 milhões de unidades consumidoras no país.

Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia. Foto: Divulgação

Entre os modelos disponíveis, os contratos de preço fixo permitem estabelecer antecipadamente o valor da energia negociada durante determinado período, conforme as condições acordadas entre comprador e vendedor.

Essa modalidade pode facilitar o planejamento da parcela contratada, mas não garante, por si só, estabilidade de todos os custos relacionados ao fornecimento.

O tratamento dos encargos setoriais, das tarifas e de eventuais alterações regulatórias depende das cláusulas contratuais e das regras aplicáveis a cada componente.

Essa distinção é importante diante das projeções para os encargos do setor elétrico. Em junho, a área técnica da ANEEL estimou que as despesas com o Encargo de Potência para Reserva de Capacidade (ERCAP) poderiam aumentar cerca de R$ 2,3 bilhões entre abril de 2026 e abril de 2027.

A estimativa considera a entrada em operação das usinas contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), realizado em março de 2026.

Os encargos setoriais financiam políticas públicas e mecanismos necessários ao funcionamento e à segurança do sistema elétrico. Para os consumidores, o impacto desses valores depende da forma de cobrança e das condições de contratação.

Por isso, a análise de uma proposta comercial deve identificar quais custos estão contemplados no preço negociado, quais podem ser repassados e como eventuais mudanças serão tratadas durante a vigência do acordo.

Além da contratação, as empresas podem atuar sobre fatores operacionais que influenciam a despesa energética. As soluções behind the meter, instaladas após o medidor da distribuidora, permitem desenvolver iniciativas voltadas à eficiência, ao gerenciamento da demanda e ao uso mais estratégico da energia.

Projetos de eficiência energética podem reduzir o consumo das instalações, enquanto sistemas de gestão ajudam a identificar padrões de utilização e oportunidades de ajuste operacional.

Já os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) podem contribuir para reduzir picos de demanda e deslocar parte do consumo para horários mais vantajosos, conforme o perfil da operação, a estrutura tarifária e a viabilidade econômica de cada projeto.

“Também é importante entender como a energia é consumida dentro de uma instalação e quais oportunidades existem para otimizar a operação”, explica Menezes.

A definição da estratégia deve considerar o perfil de consumo, as condições comerciais, a estrutura tarifária, os encargos aplicáveis e os riscos assumidos por cada parte.

Com uma análise integrada desses fatores, as empresas podem identificar oportunidades de otimização e tomar decisões mais alinhadas ao planejamento financeiro e às necessidades de suas operações.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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