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Indústria solar fotovoltaica: desafios para 2021 no Brasil

Escassez de vidro solar e aumento do frete internacional são fatores que seguem impactando o setor

Autor: 15 de janeiro de 2021Mundo
Indústria solar fotovoltaica: desafios para 2021 no Brasil

Dois mil e vinte e um começou e a escassez de vidro na China, que persiste desde o ano passado, conforme noticiado pelo Canal Solar, continua afetando a indústria fotovoltaica e, consequentemente, provocando a elevação dos preços do painel solar.

Ademais, o descompasso entre demanda e disponibilidade de insumos, agravado por questões logísticas internacionais, segue ocasionando atrasos nas programações de vendas e entregas futuras, além de contribuir para o aumento do custo do frete.

Estes são alguns dos desafios que o segmento de energia solar vêm enfrentando neste início de ano, diante de um mercado cada vez mais aquecido, que gerou, em 2020, 86 mil novos empregos em todo território brasileiro e cresceu 64% em comparação com 2019.

Com relação à falta de vidro, a BYD, por exemplo, argumenta que “pode ser arriscado ficar dependendo 100% de insumos do exterior se podemos desenvolver aqui no país, como o vidro e as células solares”, disse Adalberto Maluf, diretor de marketing e sustentabilidade da BYD.

De acordo com o executivo, a escassez da produção de vidros e de módulos solares na China mostra como a atual estratégia brasileira de abandonar a política industrial para depender de produtos importados – inclusive subsidiando os painéis com zero de impostos e permissão do uso de recursos públicos dos bancos de investimento – é muito perigosa.

“O Brasil, pelo tamanho e importância estratégica, deveria reduzir o custo e acabar com as distorções tributárias que sobretaxam os insumos e isenta de impostos os importados. Sem isonomia, nossas indústrias não poderão competir no futuro”, concluiu.

Fernando Castro, Country Manager da JA Solar no Brasil, também comentou sobre esse atual momento do setor e acrescentou que o “gap dos preços dos módulos monofaciais versus bifaciais aumentou muito devido o aumento do custo do vidro”.

Restrições afrouxadas

Em novembro de 2020, após reunião com representantes de empresas do mercado solar da China, o governo chinês anunciou que irá afrouxar as restrições sobre novos investimentos em capacidade adicional de produção de vidro fotovoltaico.

Tal medida pretende eliminar os gargalos no fornecimento do insumo, porém, para Maluf, mesmo aprovada as novas produções de vidro para este ano, as mesmas vão demorar para crescer e estabilizar.

Mercado brasileiro e asiático

Atualmente, apenas 5% dos painéis utilizados no Brasil são de fabricação nacional. A maior parte é importada da China.

O país asiático, por exemplo, é responsável por cerca de 80% da produção mundial do produto, que tem o vidro como um dos seus principais componentes.

Segundo projeções da BloombergNEF, a indústria fotovoltaica pode ficar com até 30% menos vidro do que necessita para 2021.

Aumento no preço do frete internacional

Já referente ao aumento do preço do frete internacional, as distribuidoras, como a Bluesun, ainda estão enfrentando alguns problemas para conseguir entregar os produtos.

Roberto Caurim, CEO da empresa, disse que essa situação tende a melhorar somente a partir de meados de fevereiro. “Para se ter uma ideia, pagávamos com relação ao transporte do contêiner em torno de US$ 1,2 mil antes da pandemia da Covid-19. Durante a mesma, por conta da parada do mercado interacional, chegou a US$ 5 mil. Hoje, já estamos pagando mais do que US$ 5 mil. Então, é uma loucura”, apontou.

Para Livia Verjovsky, diretora comercial na WM Trading, e Eudes Silveira, diretor da Port Trade, entre os motivos que explicam essa alta estão o overbooking por conta das omissões de navios e os feriados chineses.

Maersk sofre com aumento do frete

Para se ter uma ideia, a Maersk, maior transportadora de contêineres do mundo, está sofrendo com aumentos nas taxas de frete, desencadeado por uma combinação de baixa capacidade dos navios e um forte crescimento na demanda por mercadorias em meio a bloqueios.

Ao mesmo tempo, segundo a Bloomberg, a escassez de contêineres e o congestionamento em alguns portos sustentaram preços que as transportadoras podem cobrar pela movimentação de cargas.

Dados do World Container Index e da BI (Bloomberg Intelligence), indicam que as taxas spot para o transporte de contêineres de 40 pés subiram 50% em média em 2020, ou 30% a mais do que a média de oito anos.

Segundo Lee Klaskow, analista sênior da BI, as taxas de frete podem permanecer em níveis elevados até o primeiro trimestre de 2021.

Mateus Badra

Mateus Badra

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Experiência como produtor, repórter e apresentador em diferentes veículos de comunicação: mídia impressa, online e televisiva.

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