O setor brasileiro de energia solar chega a 2026 em um momento de transição, marcado por desafios estruturais e por uma desaceleração no ritmo de crescimento após anos de forte expansão.
Nesse contexto, eventos como a Intersolar Nordeste 2026 ganham relevância ao reunir especialistas, empresas e entidades para discutir os caminhos do segmento no país, especialmente diante de temas como geração distribuída, limitações da rede e o avanço do armazenamento de energia.
Em entrevista, a advogada e especialista em regulação do setor elétrico, Bárbara Rubim, CEO da Bright Strategies, antecipa os principais pontos que serão abordados em sua participação no congresso e analisa as perspectivas do mercado para este ano.
Quais serão os tópicos do painel em que você participará na Intersolar Nordeste?
No meu painel, na Intersolar Nordeste 2026, vamos falar sobre as perspectivas e os desafios para a expansão da energia solar, sobretudo na forma da micro e minigeração distribuída no país. Vamos abordar temas como curtailment, inversão de fluxo e a expansão à revelia de projetos de micro e minigeração, especialmente após a abertura de consulta pública pela ANEEL sobre esse assunto.

Também vamos discutir o armazenamento como uma possível solução para esses desafios. A ideia é reconhecer as dificuldades enfrentadas pelo crescimento volumoso da energia solar na última década, mas também apontar caminhos, com destaque para o papel das baterias, tanto em sistemas distribuídos quanto em soluções centralizadas conectadas à rede de transmissão.
Nos últimos anos, eventos do setor têm ganhado relevância. Qual sua expectativa para o congresso como um todo?
Eu não tenho dúvida de que esse congresso será um ponto de encontro muito importante para o setor, reunindo os principais players, associações e especialistas para discutir o futuro da energia solar, não só no Nordeste, mas no Brasil como um todo.
2026 é um ano desafiador para o setor, principalmente por conta das limitações à expansão da fonte. Ter um espaço que permita um debate técnico, lúcido e equilibrado é essencial para que o segmento continue avançando no país.
Em termos de repercussão no mercado de energias renováveis, como você vê a projeção até o fim de 2026?
2026 deve ser um ano de desafios e de maior estabilidade no crescimento do setor solar. A projeção indica um avanço semelhante ao de 2025, mas inferior ao registrado em 2024.
Isso reflete um movimento natural de maturidade do mercado. O setor viveu uma fase de crescimento exponencial entre 2014 e 2024 e agora tende a operar em um patamar mais estável.
Os principais desafios hoje estão relacionados à infraestrutura e ao acesso à rede de distribuição. Para os próximos anos, será fundamental integrar novas tecnologias, especialmente sistemas híbridos com armazenamento. A discussão sobre um marco regulatório para baterias também será essencial para destravar o potencial de crescimento da energia solar no Brasil.
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