Os investimentos anuais para reforçar a infraestrutura e ampliar a flexibilidade das redes elétricas precisam passar de US$ 500 bilhões, em 2025, para cerca de US$ 1 trilhão até 2035. Após esse período, a necessidade chega a US$ 1,2 trilhão por ano, segundo a IRENA (Agência Internacional de Energias Renováveis).
A ampliação dos recursos é necessária para acompanhar o avanço da eletrificação e integrar mais geração renovável. De acordo com a agência, cerca de 2.500 GW de capacidade solar e eólica aguardam conexão às redes em todo o mundo.
“Em muitas regiões, a infraestrutura de rede e a flexibilidade se tornaram um gargalo crítico”, afirma a IRENA, em tradução livre.
Para a instituição, os países precisam investir simultaneamente em redes, armazenamento e flexibilidade do sistema para garantir um fornecimento confiável, seguro e economicamente acessível diante do crescimento da demanda.
Essa necessidade acompanha uma transformação no consumo de energia. Segundo a agência, a eletricidade responde atualmente por 23% do consumo final mundial. No cenário revisado da IRENA, alinhado à limitação do aquecimento global a 1,5 °C, essa participação alcança 35% em 2035 e supera 50% em 2050.
O movimento envolve a substituição de combustíveis por eletricidade em atividades como transporte, processos industriais e climatização de edifícios.
Para atender à demanda prevista nesse cenário, as fontes renováveis precisam elevar sua participação na geração mundial de eletricidade de 31,7%, em 2024, para cerca de 78% em 2035.
O percentual corresponde a aproximadamente 2,5 vezes a participação registrada em 2024, quando essas fontes produziram 9.836 TWh, de acordo com os dados apresentados pela IRENA.
A agência ressalta que as metas globais de triplicar a capacidade de geração renovável e dobrar o ritmo de melhoria da eficiência energética até 2030 continuam essenciais. Entretanto, avalia que essas medidas, isoladamente, são insuficientes para viabilizar a transição energética.
“A eletrificação é uma solução confiável de longo prazo em uma ampla variedade de cenários”, afirma a instituição, em tradução livre.
Segundo a IRENA, a eletrificação, combinada à eficiência energética, pode responder por aproximadamente um terço das reduções acumuladas de emissões de CO₂ entre 2026 e 2050.
Cada setor avança em um ritmo
As projeções de eletrificação variam conforme o setor. Nos edifícios, que apresentam o maior nível de participação da eletricidade no consumo de energia, o percentual deve alcançar 55% em 2035 e superar 75% em 2050.
De acordo com a IRENA, esse crescimento será impulsionado por bombas de calor, equipamentos elétricos para cozinhar e pela demanda por refrigeração.
Na indústria, a participação prevista é de aproximadamente 35% em 2035 e superior a 40% em 2050. A trajetória inclui a eletrificação de processos que utilizam calor de baixa e média temperatura. O hidrogênio verde, por sua vez, contribui para descarbonizar segmentos de difícil abatimento de emissões.
O transporte parte de uma participação de apenas 1%, mas apresenta o crescimento mais rápido entre os setores analisados. No cenário da agência, a eletricidade alcança 15% do consumo energético do setor em 2035 e supera 45% em 2050, com a expansão dos veículos leves e ônibus elétricos.
As projeções indicam que a participação da eletricidade no consumo final de energia dos países do G20 pode passar de 25%, em 2023, para 37% em 2035. Nas demais economias, o avanço previsto é de 18% para 28% no mesmo período.
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