A expansão da geração renovável, a eletrificação da economia e a demanda crescente por infraestrutura para data centers estão ampliando as oportunidades de investimento no setor de transmissão de energia.
É nesse cenário que a ISA Energia Brasil planeja executar R$ 7,2 bilhões em reforços e melhorias na rede paulista, além de avançar na construção de dois grandes projetos que, juntos, deverão acrescentar R$ 600 milhões à receita da companhia quando entrarem em operação.
Em entrevista ao videocast Ágora Convida, transmitido em 20 de outubro, o presidente da empresa, Rui Chammas, afirmou que o crescimento continuará sendo uma prioridade, mas condicionado à rentabilidade dos investimentos, ao controle do endividamento e à manutenção da política de proventos. “Eu não quero acelerar mais do que eu consigo fazer com disciplina financeira”, resumiu.
Reforços e novas concessões
Uma das principais frentes de crescimento está na concessão renovada da companhia em São Paulo, responsável, segundo Chammas, por 95% da energia transmitida no estado. Os R$ 7,2 bilhões previstos para reforços e melhorias já foram autorizados pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e deverão ser aplicados nos próximos anos, ampliando a remuneração dos ativos.
Outra frente envolve as concessões dos projetos Serra Dourada e Itatiaia, ainda em implantação, explicou o executivo. O primeiro está em estágio avançado de construção, enquanto o segundo aguarda o licenciamento para iniciar as obras na sequência.
Os dois empreendimentos ainda demandam pouco mais de R$ 4 bilhões em investimentos. A companhia também utiliza operações de fusões e aquisições para reorganizar seu portfólio. Neste ano, vendeu à Alupar sua participação de 51% na concessão Garanhuns e adquiriu os 49% da Interligação Elétrica Madeira que pertenciam à parceira.
A operação exigiu o pagamento de R$ 1,2 bilhão pela diferença entre os ativos e, de acordo com Chammas, criou valor para as duas empresas e simplificou a estrutura operacional da ISA. A dimensão dos projetos em andamento acompanha o histórico recente de investimentos, destacou o presidente da ISA Energia Brasil.
Em 2025, a companhia aplicou R$ 5,1 bilhões em novas concessões, reforços e melhorias. Para 2026, a expectativa é alcançar montante semelhante, considerando também a aquisição da participação na Interligação Elétrica Madeira.
Data centers e transição energética
Chammas avalia que a transformação do sistema elétrico ampliou a complexidade e a importância da transmissão. A expansão de fontes intermitentes, como solar e eólica, exige transportar energia de regiões com grande oferta de geração, especialmente o Nordeste e o norte de Minas Gerais, para os centros de consumo do Centro-Sul.
Ao mesmo tempo, consumidores que instalam painéis solares passaram a injetar energia na rede, tornando mais desafiador o controle de tensão e frequência. A eletrificação da mobilidade e o crescimento dos data centers acrescentam novas necessidades, aponta.
Essas instalações demandam grande quantidade de energia e tendem a se concentrar perto dos centros consumidores, como a região de São Paulo, para reduzir o tempo de resposta dos serviços digitais. “Isso reforça a necessidade de ampliar e modernizar a infraestrutura de transmissão”, assinala.
A ISA tem atualmente cerca de 23 mil quilômetros de linhas em seu portfólio. Dois projetos em construção somam aproximadamente 1.500 quilômetros. “A combinação entre novas linhas e reforços nas redes existentes abre uma oportunidade de crescimento enorme num negócio estável, conhecido, com uma rentabilidade interessante”, avalia.
Eficiência operacional
Além de investir em ativos, a empresa, segundo o executivo, procura antecipar a entrada em operação dos projetos e reduzir custos de implantação. Entre 2019 e 2026, a companhia entregou 17 projetos com antecipação média de 11 meses em relação aos prazos previstos pela ANEEL e economia superior a 20% frente às referências da agência.
Segundo Chammas, a rentabilidade média para os acionistas, medida pela taxa interna de retorno, superou 10% nos projetos licitados entregues nos últimos anos. Na operação cotidiana, a estratégia inclui inteligência artificial, drones e monitoramento contínuo de linhas e subestações.
A tecnologia já permite identificar mais de dez tipos de falhas a partir de imagens capturadas por drones. Os dados dos ativos também são utilizados para priorizar intervenções conforme critérios de confiabilidade e criticidade, com o objetivo de evitar indisponibilidades e controlar despesas.
Dividendos e endividamento limitam
O presidente afirmou que a expansão da companhia segue três princípios básicos que são investir em projetos rentáveis, preservar a disciplina financeira e manter a distribuição de proventos. A empresa tem como prática destinar 75% do lucro regulatório aos acionistas e pretende continuar com essa política, recorrendo também aos juros sobre capital próprio, que podem trazer eficiência fiscal.
Chammas ressaltou que o financiamento dos investimentos exige atenção ao nível de endividamento e à percepção de risco no mercado de crédito. A ISA Energia Brasil, afirma, busca preservar sua avaliação de crédito “triplo A” e evitar uma alavancagem que eleve o custo de capital e reduza a rentabilidade dos projetos.
“Nosso objetivo é ter o que nós chamamos de longevidade corporativa”, ressaltou. A intenção, segundo ele, é combinar crescimento sustentável, remuneração dos acionistas e renovação do portfólio de concessões sem comprometer a saúde financeira da empresa.
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