O mercado brasileiro de armazenamento de energia por baterias deverá alcançar 2,8 GWh em capacidade contratada acumulada até o fim de 2026. Desse total, 1.227 MWh correspondem ao volume previsto apenas para este ano.
O número representa um crescimento de quase 50% em relação aos 819 MWh registrados em 2025, segundo dados do Estudo Estratégico de Armazenamento de Energia 2027, da Greener, divulgado nesta semana.
A trajetória de crescimento também chama a atenção na comparação com anos anteriores. Em 2024, o volume contratado foi de 312 MWh. Com a projeção de 1.227 MWh para 2026, o mercado deverá praticamente quadruplicar sua capacidade anual em apenas dois anos.
A Greener esclarece que o número de 2026 reúne volumes já apurados e uma estimativa para o quarto trimestre. Já os dados de 2024 e 2025 incorporam revisões realizadas após a publicação dos levantamentos originais.
C&I lidera, mas microrredes e residências ampliam participação
A distribuição dos projetos evidencia uma mudança no perfil do mercado brasileiro de armazenamento. Os sistemas destinados a consumidores C&I (comerciais e industriais) conectados em média tensão continuam na liderança, com 511 MWh contratados em 2026.
Apesar disso, a participação do segmento no volume total caiu de 51%, em 2025, para 42% em 2026. O movimento reflete o avanço de outras aplicações, especialmente dos sistemas residenciais e das microrredes.
No segmento residencial, o volume contratado saltou de 78 MWh para 219 MWh, crescimento superior a 180%. Com isso, sua participação no mercado dobrou, passando de 9% para 18%.
As microrredes também apresentaram expansão expressiva. O volume avançou de 45 MWh para 174 MWh, quase quadruplicando. A participação dessa aplicação no mercado passou de 5% para 14%.
Outros segmentos também ampliaram sua presença. Os projetos de atendimento remoto e off-grid passaram de 136 MWh para 250 MWh, elevando sua participação de 17% para 20%. Já os sistemas atrás do medidor avançaram de 20 MWh para 72 MWh, fazendo com que sua fatia no mercado aumentasse de 2% para 6%.
Segundo o estudo, os resultados mostram que, embora os projetos comerciais e industriais ainda concentrem a maior parcela do armazenamento contratado, o mercado começa a diversificar suas aplicações, com crescimento expressivo em sistemas residenciais, microrredes e soluções voltadas a localidades remotas.

Load shifting e backup lideram aplicações no C&I
Entre os consumidores comerciais e industriais conectados em média tensão, o principal uso das baterias é o load shifting, que consiste em armazenar energia em determinados horários para utilizá-la posteriormente, quando o custo ou a demanda são maiores.
Segundo a Greener, a ampliação representou cerca de 70% dos projetos de C&I com finalidade identificada, somando 289 MWh. O backup, utilizado para manter equipamentos e operações funcionando durante interrupções no fornecimento, respondeu por outros 23%, com 97 MWh.
As demais aplicações foram o peak shaving, que busca reduzir os picos de demanda elétrica, com 20 MWh (5%), e a melhoria da qualidade de energia, com 7 MWh (2%).
Mercado nacional já reúne 103 agentes
O levantamento também identificou 103 agentes com atuação na cadeia de armazenamento de energia no Brasil, distribuídos entre diferentes etapas do mercado.
Desse total, 58 são fabricantes e fornecedores de tecnologia, incluindo empresas de células, módulos de bateria, sistemas de conversão de potência (PCS) e sistemas de gerenciamento de energia (EMS).
A cadeia também reúne 20 distribuidores, responsáveis por logística, crédito e portfólio de produtos; 14 empresas EPC, que atuam no dimensionamento, projeto e instalação; e 11 provedores de serviços e comercializadoras, envolvidos na operação, manutenção e comercialização de benefícios dos sistemas.
Ao todo, foram identificadas 21 marcas com volume no mercado brasileiro em 2026, incluindo a estimativa para o quarto trimestre. Para elaborar o levantamento, foram consultadas diretamente 32 empresas.
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