Os gargalos na rede de transmissão e os cortes de geração, conhecidos como curtailment, representam os principais desafios para a expansão da energia eólica no Brasil.
Juntos, os dois fatores concentraram 79,1% das respostas de uma sondagem realizada pela Vestas, que ouviu 293 profissionais do setor energético no país.
“A preocupação com o escoamento não é nova. Na edição de 2025 da sondagem, os gargalos de transmissão já apareciam como o principal desafio, com 33,6% das respostas. Em 2026, o peso combinado de transmissão e curtailment mostra que o risco de restrições operacionais se reconfirmam como pontos centrais das decisões de investimento”, destaca o estudo.
O levantamento retrata um setor que começa a apresentar sinais de retomada, mas ainda enfrenta obstáculos para ampliar os investimentos.
Entre dezembro de 2025 e março de 2026, foram confirmados pela Vestas contratos para dois projetos eólicos que somam 1,1 GW: o Complexo Eólico Dom Inocêncio, da Casa dos Ventos, no Piauí, e o projeto Esquina do Vento, da Equinor/Rio Energy, no Rio Grande do Norte.
Os empreendimentos foram os primeiros anúncios do segmento após mais de dois anos de retração do mercado. A sondagem buscou identificar quais condições são necessárias para consolidar essa retomada.
Entre as principais demandas estão maior previsibilidade sobre a capacidade futura da rede de transmissão e os riscos de restrições à geração, além de mais transparência sobre as causas, os critérios e a distribuição dos cortes de energia.
Setor destaca vantagens competitivas da energia eólica
Apesar dos desafios relacionados à infraestrutura e às restrições de geração, a sondagem também identificou como os profissionais do setor avaliam os diferenciais da fonte eólica.
O menor impacto ambiental e territorial foi apontado por 49,5% dos participantes como o principal atributo da tecnologia. Outros 21,5% destacaram a complementaridade da geração eólica com o período seco das hidrelétricas.
Já o cumprimento de metas ESG e a descarbonização industrial foram mencionados por 16,7% dos entrevistados. Os custos competitivos e previsíveis no longo prazo e a curva de produção mais alinhada ao perfil da demanda, com menor volatilidade intradiária, somaram 12,2% das respostas.
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