Depois de passar cerca de um ano reorganizando sua operação, a Solarprime informou que inicia uma nova fase de crescimento. A empresa retomou a expansão da rede de franquias com uma estratégia diferente da adotada nos anos de maior aquecimento da geração distribuída: menos foco em volume e mais atenção à qualidade dos parceiros.
Para conduzir esse processo, a companhia trouxe Luis Zemlenoi para assumir a diretoria de Expansão. Com 17 anos de experiência no mercado de franquias, Zemlenoi chega ao setor de energia com a missão de acelerar o crescimento da rede, agora direcionada para soluções de maior valor agregado, como sistemas híbridos e armazenamento de energia por baterias (BESS).
Atualmente, a Solarprime conta com 86 franquias, mais de 30 mil projetos entregues em todo o país e 270 MWp de capacidade instalada acumulada. Os sistemas instalados pela empresa geram cerca de 33,75 GWh de energia limpa por mês, o equivalente a 405 GWh anuais, proporcionando uma economia estimada em R$ 27 milhões por mês e R$ 324 milhões por ano aos clientes.
A meta da Solarprime é atingir 100 franquias nos próximos três meses e encerrar 2026 com aproximadamente 120 unidades. O crescimento, porém, será diferente daquele observado durante o boom da energia solar.
Segundo Zemlenoi, a empresa interrompeu voluntariamente a expansão em maio do ano passado para revisar processos internos e reavaliar o perfil da rede. “Nós paramos a expansão para entender como estava a configuração da empresa. Fizemos todo um processo de qualificação, reorganizamos a operação e agora iniciamos novamente o processo seletivo para novos franqueados”, afirma.
Durante esse período, a companhia também reduziu o número de unidades. A decisão fez parte de uma estratégia para manter apenas os parceiros alinhados ao novo posicionamento da empresa. “Tinha franqueados que já não estavam performando e outros que não estavam aderindo ao novo modelo de negócio. Então resolvemos finalizar alguns contratos. Nosso objetivo nunca foi simplesmente ter o maior número de franquias.”
Para o executivo, o mercado de franquias amadureceu e já não faz sentido perseguir apenas indicadores de crescimento da rede.n”Existe uma vaidade muito grande no franchising de dizer que tem a maior rede. Mas o maior número de franquias não significa o maior faturamento. Hoje preferimos crescer com parceiros alinhados à cultura da empresa”, destaca.
A principal mudança da Solarprime está na estratégia comercial. Embora continue atuando com geração fotovoltaica, a empresa passa a concentrar seus esforços na oferta de sistemas híbridos e soluções de armazenamento de energia para consumidores comerciais e industriais.
“Hoje nosso foco são os sistemas híbridos e o BESS. O mercado residencial continua existindo e ainda tem espaço, mas nosso direcionamento está muito mais voltado para o segmento comercial e industrial.”
Segundo Zemlenoi, a Solarprime já vinha se preparando para essa transição antes mesmo de retomar a expansão da rede. A empresa afirma atuar com armazenamento há aproximadamente dois anos e acumula mais de 20 projetos executados, somando mais de 6 MW em capacidade instalada de BESS.
Engenharia ficará com a Solarprime
Ao contrário do que muitos imaginam, o novo modelo de expansão não exige que o franqueado domine toda a engenharia envolvida nos projetos de armazenamento.
Segundo o diretor, a estrutura técnica permanecerá centralizada na empresa. “O franqueado não vai fazer sozinho todo o dimensionamento de um projeto de BESS. Nós temos uma divisão de projetos especiais para isso. A engenharia, o treinamento e toda a parte técnica ficam conosco.”
Por isso, o perfil buscado pela empresa é diferente daquele adotado nos primeiros anos da geração distribuída. “Hoje buscamos pessoas com perfil comercial. Toda a capacitação técnica será entregue pela nossa equipe.”
A Solarprime afirma possuir atualmente 14 departamentos dedicados ao suporte da rede de franquias e informa que sua equipe de engenharia recebeu treinamento diretamente na fabricante chinesa SOFAR para atuar com sistemas de armazenamento.
2027 pode ser um novo 2019
Na avaliação de Zemlenoi, o mercado brasileiro de armazenamento de energia está prestes a entrar em um ciclo semelhante ao vivido pela geração solar distribuída a partir de 2019. “Nós entendemos que 2026 e principalmente 2027 podem representar um novo 2019 para o setor de energia.”
Segundo ele, essa expectativa está relacionada ao aumento da eletrificação da economia, à expansão dos veículos elétricos e à crescente necessidade de segurança energética.
“As distribuidoras já não conseguem atender toda a demanda da forma que o mercado precisa. As empresas perceberam que uma interrupção de energia significa perda financeira e perda de produção”, analisa.
Na avaliação do executivo, essa mudança tende a impulsionar a adoção de sistemas de armazenamento nos próximos anos. “Esse mercado não vai parar de crescer. A energia faz parte da vida das pessoas cada vez mais. Hoje praticamente tudo está migrando para o elétrico. É um movimento que só tende a aumentar.”
Embora a empresa pretenda acelerar a expansão, Zemlenoi afirma que o crescimento será conduzido de forma gradual. “Nós não temos um plano de vender 50 franquias por mês. Queremos selecionar bem quem entra na rede, porque buscamos parceiros alinhados com a nossa cultura e preparados para acompanhar a evolução do mercado.”
Segundo o executivo, a nova fase da Solarprime não será marcada pelo tamanho da rede, mas pela capacidade de oferecer soluções mais completas para um setor que passa por rápidas transformações. “Não queremos apenas vender um sistema. Queremos continuar atendendo esse cliente ao longo dos anos. Esse é o compromisso da Solarprime e é isso que sustenta a nossa estratégia para o futuro”, finaliza.
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