GC Solar 22.71 GW GD Solar 50.47 GW
Mercado Internacional

Mesmo construindo mais usinas, mundo vê geração térmica despencar

Capacidade instalada de usinas a carvão cresceu 3,5% em 2025, mas geração efetiva da fonte recuou no mesmo período

Canal Solar - Mesmo construindo mais usinas, mundo viu geração térmica despencar em 2025

Foto: Canva

O mundo construiu mais usinas a carvão em 2025, mas reduziu a geração de eletricidade a partir do combustível fóssil no mesmo período, mostra um estudo publicado nesta quinta-feira (21) pelo GEM (Global Energy Monitor) – organização internacional que monitora projetos energéticos ao redor do mundo.

De acordo com o relatório, a capacidade global instalada de geração a carvão cresceu 3,5% em 2025, enquanto a geração efetiva de eletricidade a partir da fonte recuou 0,6%. Na prática, isso significa que novas usinas foram construídas, mas passaram a operar menos horas ao longo do ano.

Apesar de aparentemente contraditórios, o estudo aponta que os dados refletem uma mudança estrutural no funcionamento do setor elétrico global, impulsionada principalmente pelo avanço acelerado das fontes renováveis e dos sistemas de armazenamento de energia.

O movimento foi observado sobretudo na China e na Índia, países que concentram hoje a maior parte dos novos projetos de carvão do planeta. Segundo o GEM, a expansão da geração solar e eólica passou a atender grande parte da nova demanda por eletricidade nesses mercados, reduzindo a necessidade de despacho das termelétricas fósseis.

Na China, por exemplo, a geração a carvão caiu 1,2% em 2025, mesmo com aumento de 6% da capacidade instalada das termelétricas. Segundo o estudo, no país “as adições recordes de solar e eólica atenderam 94% do crescimento líquido da demanda elétrica em 2025 sem exigir geração adicional a carvão”.

Já na Índia, a geração a carvão recuou 2,9%, enquanto a capacidade instalada avançou 3,8%. O relatório aponta que o crescimento da geração solar reduziu principalmente o despacho térmico durante o período diurno, refletindo uma mudança estrutural na dinâmica operacional do sistema elétrico indiano.

Carvão passa a atuar como “seguro” do sistema

O relatório afirma que as usinas de geração térmica vem deixando de ocupar o papel central na geração contínua de eletricidade e passa a funcionar cada vez mais como uma espécie de “reserva operacional” para momentos de maior estresse do sistema elétrico.

Segundo o GEM, muitas usinas a carvão continuam sendo mantidas disponíveis por razões ligadas à segurança energética e confiabilidade operativa, mesmo operando menos horas e enfrentando perda gradual de competitividade econômica frente às renováveis.

“O carvão está sendo mantido não mais como principal fonte de geração, mas como uma forma de seguro do sistema”, destaca o relatório.

Armazenamento ganha protagonismo

O estudo também mostra que o avanço das baterias começa a alterar a lógica tradicional de expansão da infraestrutura elétrica mundial.

Na China, por exemplo, foram adicionados 74 GW de capacidade de armazenamento em 2025 – volume superior ao próprio crescimento do pico de demanda elétrica do país no período, estimado em 55 GW.

Segundo o relatório, tecnologias de armazenamento e mecanismos de resposta da demanda tendem a oferecer soluções mais eficientes para flexibilidade operacional do que a expansão contínua de térmicas a carvão.

O documento afirma ainda que usinas a carvão possuem limitações técnicas relevantes para operar de forma flexível em sistemas cada vez mais dominados por fontes renováveis variáveis.

“Mesmo com adaptações operacionais, usinas a carvão continuam limitadas pela física e pelo desenho dos ciclos térmicos”, aponta o estudo.

Renováveis avançam mesmo com permanência do carvão

Apesar do crescimento da capacidade instalada de térmicas em alguns mercados, o relatório conclui que o avanço acelerado das renováveis já começa a alterar estruturalmente o espaço operacional dos combustíveis fósseis no setor elétrico global.

Segundo o GEM, a principal discussão para os próximos anos não será mais a viabilidade tecnológica para substituir o carvão, mas sim a permanência de políticas públicas e mecanismos regulatórios que continuam sustentando economicamente parte dessas usinas.

Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.

Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

Comentários

Os comentários são moderados antes da publicação

Os comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.

Deixe seu comentário

Canal Solar
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.