O mundo construiu mais usinas a carvão em 2025, mas reduziu a geração de eletricidade a partir do combustível fóssil no mesmo período, mostra um estudo publicado nesta quinta-feira (21) pelo GEM (Global Energy Monitor) – organização internacional que monitora projetos energéticos ao redor do mundo.
De acordo com o relatório, a capacidade global instalada de geração a carvão cresceu 3,5% em 2025, enquanto a geração efetiva de eletricidade a partir da fonte recuou 0,6%. Na prática, isso significa que novas usinas foram construídas, mas passaram a operar menos horas ao longo do ano.
Apesar de aparentemente contraditórios, o estudo aponta que os dados refletem uma mudança estrutural no funcionamento do setor elétrico global, impulsionada principalmente pelo avanço acelerado das fontes renováveis e dos sistemas de armazenamento de energia.
O movimento foi observado sobretudo na China e na Índia, países que concentram hoje a maior parte dos novos projetos de carvão do planeta. Segundo o GEM, a expansão da geração solar e eólica passou a atender grande parte da nova demanda por eletricidade nesses mercados, reduzindo a necessidade de despacho das termelétricas fósseis.
Na China, por exemplo, a geração a carvão caiu 1,2% em 2025, mesmo com aumento de 6% da capacidade instalada das termelétricas. Segundo o estudo, no país “as adições recordes de solar e eólica atenderam 94% do crescimento líquido da demanda elétrica em 2025 sem exigir geração adicional a carvão”.
Já na Índia, a geração a carvão recuou 2,9%, enquanto a capacidade instalada avançou 3,8%. O relatório aponta que o crescimento da geração solar reduziu principalmente o despacho térmico durante o período diurno, refletindo uma mudança estrutural na dinâmica operacional do sistema elétrico indiano.
Carvão passa a atuar como “seguro” do sistema
O relatório afirma que as usinas de geração térmica vem deixando de ocupar o papel central na geração contínua de eletricidade e passa a funcionar cada vez mais como uma espécie de “reserva operacional” para momentos de maior estresse do sistema elétrico.
Segundo o GEM, muitas usinas a carvão continuam sendo mantidas disponíveis por razões ligadas à segurança energética e confiabilidade operativa, mesmo operando menos horas e enfrentando perda gradual de competitividade econômica frente às renováveis.
“O carvão está sendo mantido não mais como principal fonte de geração, mas como uma forma de seguro do sistema”, destaca o relatório.
Armazenamento ganha protagonismo
O estudo também mostra que o avanço das baterias começa a alterar a lógica tradicional de expansão da infraestrutura elétrica mundial.
Na China, por exemplo, foram adicionados 74 GW de capacidade de armazenamento em 2025 – volume superior ao próprio crescimento do pico de demanda elétrica do país no período, estimado em 55 GW.
Segundo o relatório, tecnologias de armazenamento e mecanismos de resposta da demanda tendem a oferecer soluções mais eficientes para flexibilidade operacional do que a expansão contínua de térmicas a carvão.
O documento afirma ainda que usinas a carvão possuem limitações técnicas relevantes para operar de forma flexível em sistemas cada vez mais dominados por fontes renováveis variáveis.
“Mesmo com adaptações operacionais, usinas a carvão continuam limitadas pela física e pelo desenho dos ciclos térmicos”, aponta o estudo.
Renováveis avançam mesmo com permanência do carvão
Apesar do crescimento da capacidade instalada de térmicas em alguns mercados, o relatório conclui que o avanço acelerado das renováveis já começa a alterar estruturalmente o espaço operacional dos combustíveis fósseis no setor elétrico global.
Segundo o GEM, a principal discussão para os próximos anos não será mais a viabilidade tecnológica para substituir o carvão, mas sim a permanência de políticas públicas e mecanismos regulatórios que continuam sustentando economicamente parte dessas usinas.
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