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MME e EPE publicam nota técnica para atualização do PDE 2031

Documento incrementa novos estudos ao escopo do relatório original por causa do crescimento das renováveis

Autor: 25 de julho de 2022julho 26th, 2022Notícias
MME e EPE publicam nota técnica para atualização do PDE 2031

Sede do MME (Ministério de Minas e Energia) em Brasília. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O MME (Ministério de Minas e Energia) e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) divulgaram uma nota técnica com o incremento de três novos estudos complementares ao PDE 2031 (Plano Decenal de Expansão de Energia 2031). 

O propósito é endereçar outras questões que não fizeram parte do escopo inicial do relatório principal que, conforme já noticiado pelo Canal Solar, tem como objetivo indicar as perspectivas da expansão do setor de energia do Brasil no horizonte dos próximos dez anos (2022 a 2031).

Tanto o MME quanto a EPE entendem que para o suprimento energético futuro do Brasil se tornar seguro e eficiente é necessário que estudos sobre o crescimento das energias renováveis e seus devidos impactos avancem cada vez mais. 

“A necessidade de adaptação do SIN (Sistema Interligado Nacional) à mudança de configuração do parque gerador tem sido a tônica dos planos decenais brasileiros há alguns ciclos”, destacam as entidades. 

Na avaliação delas, por mais que o Brasil conte com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o contexto global de transição energética tem impulsionado a evolução tecnológica e a redução de custos das fontes renováveis, alterando assim as características operativas do SIN. 

Neste sentido, a nota técnica “Estudos Complementares: Sensibilidades What If” teve como um dos principais desafios a incorporação de lições aprendidas durante o período de crise hídrica, quando o país ficou à beira de um colapso energético, por causa da dependência das hidrelétricas. 

“A atenção aos requisitos do sistema, a modernização do marco regulatório, com a criação de novos produtos que garantam a adequabilidade do suprimento, melhorias de métodos e modelos computacionais além da necessidade de aquisição de dados mais detalhados e aderentes à realidade operativa, vêm sendo constantemente destacados em cenários, boxes e avaliações”. 

Os estudos

Os what if do PDE 2031 trouxeram três novas avaliações que visam contribuir para tornar os estudos de médio e longo prazo mais aderentes ao atual contexto de crescimento das fontes renováveis no país.

O primeiro estudo fez uso de ferramenta computacional alternativa para a avaliação do caso base do PDE 2031 (ou seja, sem expansão indicativa), no qual foram analisados o atendimento aos critérios de suprimento e requisitos do SIN com o modelo SDDP (despacho hidrotérmico com representação da rede de transmissão e utilizado para estudos operativos de curto, médio e longo prazo).

A principal constatação foi de aderência entre os resultados obtidos com os modelos oficiais e esta nova ferramenta, apesar de diferenças numéricas terem sido encontradas. 

“Esse importante resultado indica que diferentes modelos computacionais apontam para as mesmas características principais do sistema, tanto em aspectos temporais (quando o sistema precisa de expansão?) quanto na intensidade e evolução dos requisitos (como essa necessidade se comporta ao longo do tempo?)”. 

A nota técnica destaca, contudo, que por apresentarem diferentes formas de solução do mesmo problema matemático, cada modelo fornece diferentes detalhes, o que enriquece as análises de planejamento e permite que decisões sejam tomadas balizadas em mais informações. 

“Por exemplo, a simulação a usinas individualizadas permite maior refinamento sobre a estratégia de uso das UHE para o suprimento de potência, o que poderá ser útil para o aprofundamento das discussões sobre as restrições operativas (…) Outras funcionalidades como simulação horária e integração com o sistema de transmissão seguem no escopo de trabalhos realizados pela EPE e deverão fazer parte de publicações futuras”. 

O segundo estudo apresentado fez uso da projeção de carga e geração das fontes renováveis variáveis, incluindo a GD (geração distribuída), em escala horária. A partir destes dados, considerando a expansão do cenário de referência do PDE 2031, foram estimadas as projeções de carga líquida horária, as quais foram transformadas em patamares de carga e fornecidas ao modelo Newave. 

“O primeiro ponto de destaque a ser citado é que o uso de projeção de carga bruta horária, ao invés da consideração dos mesmos perfis do passado, incorpora a tendência de mudança nos padrões de consumo para os próximos dez anos. Este refinamento é importante para que a potencial alteração de bens e usos do consumidor no mercado de eletricidade seja cada vez mais explorada”. 

Outro destaque relevante citado neste segundo estudo é que ao considerar a sinergia hora a hora entre carga e geração variável, seja ela distribuída ou centralizada, os “benefícios do efeito portfólio entre as diferentes fontes de energia e o consumo são mensurados de modo eficiente, trazendo ganhos e possível economia para o setor”.  

“Mesmo que em termos médios mensais os resultados das principais variáveis operativas não tenham apresentado grandes variações, quando analisadas as distribuições de probabilidade e as variações entre patamares, ficou evidente que a medida em que o sistema conte com um montante cada vez maior de recursos renováveis o uso de dados projetados horários torna-se mais relevante”. 

Por fim, o terceiro e último estudo elaborado teve por objetivo apresentar uma primeira avaliação quantitativa sobre os impactos de possíveis mudanças na disponibilidade hídrica para o horizonte decenal. 

Foi considerada a mesma configuração da expansão do cenário de referência e avaliou-se como ficariam as condições operativas futuras caso a disponibilidade hídrica mantivesse os padrões dos últimos 30 anos ou dos últimos 10 anos. 

A abordagem adotada consistiu de duas diferentes formas: assumindo que a política operativa dos reservatórios seria definida com base no histórico completo de afluências e assumindo que a política operativa dos reservatórios já consideraria o padrão alterado de afluências. 

A principal mensagem identificada foi a necessidade de uma maior atenção sobre a disponibilidade de recursos para o atendimento simultâneo aos diferentes usos da água (não apenas para o setor elétrico), em especial nos cenários mais críticos.

“Reforça-se, assim, a importância de ações coordenadas entre os diferentes setores da economia, além da necessidade de aprofundamento sobre as restrições operativas das UHE”.

Henrique Hein

Henrique Hein

Coordenador da Revista Canal Solar. Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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