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Início / Notícias / MME lança Consulta Pública para reparação de perdas por cortes em solar e eólica

MME lança Consulta Pública para reparação de perdas por cortes em solar e eólica

Publicada no DOU, iniciativa aguardada por geradores renováveis avança no tratamento dos prejuízos causados pelo curtailment
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  • Foto de Antonio Carlos Sil Antonio Carlos Sil
  • 31 de dezembro de 2025, às 10:21
3 min 41 seg de leitura
MME lança Consulta Pública para reparação de perdas por cortes em solar e eólica
Foto: Ricardo Botelho/MME

O MME (Ministério de Minas e Energia) publicou na edição desta quarta-feira (31) do DOU (Diário Oficial da União) a Portaria nº 890, de 30 de dezembro de 2025, que abre a Consulta Pública nº 210, contendo diretrizes para o tratamento dos prejuízos decorrentes dos cortes de produção de energia – o chamado curtailment -, em usinas eólicas e solares.

O prazo para contribuições para aprimoramento das regras foi estabelecido pelo MME em 15 dias, a contar da data de publicação da Portaria nº 890. A medida vinha sendo amplamente aguardada por agentes do setor elétrico, em meio a intensos debates sobre os impactos do curtailment, prática que tem imposto restrições significativas à geração renovável no país.

Ao estabelecer princípios gerais para o enfrentamento do problema, o texto sinaliza um avanço do governo no reconhecimento do curtailment como um risco sistêmico associado à operação do sistema elétrico.

A proposta do MME cria um arcabouço para o desenvolvimento de soluções negociadas e regulatórias, abrindo espaço para a atuação coordenada entre a Pasta, demais órgãos do setor e os agentes impactados.

Nota técnica

Juntamente com a publicação da portaria, o MME disponibilizou aos agentes uma Nota Técnica que fundamenta a abertura da Consulta Pública sobre o tema.

O documento apresenta um diagnóstico detalhado sobre a evolução do curtailment no sistema elétrico brasileiro e suas causas estruturais, destacando que o fenômeno tem se intensificado com a rápida expansão das fontes renováveis variáveis, em especial a solar e a eólica.

A Nota aponta que os cortes de geração decorrem, principalmente, de restrições na infraestrutura de transmissão, congestionamentos regionais, limitações operativas e situações de excesso momentâneo de oferta em determinados horários.

O texto ressalta que, em muitos casos, os empreendimentos estavam plenamente aptos a gerar energia, mas foram impedidos por condições sistêmicas alheias ao seu controle.

O documento também reconhece que a ausência de um tratamento claro para os efeitos econômicos do curtailment elevou a percepção de risco regulatório, afetando contratos, financiamentos e a atratividade de novos projetos.

Além disso, sustenta que a iniciativa do MME busca criar um ambiente mais previsível, compatível com a continuidade da transição energética.

Termo de compromisso

Outro elemento disponibilizado pelo MME é o Termo de Compromisso, concebido como instrumento para viabilizar uma solução negociada entre os agentes afetados e o poder público. O texto estabelece condições gerais para a adesão voluntária dos geradores, prevendo compromissos recíprocos como alternativa a disputas administrativas ou judiciais.

O documento indica que o termo de compromisso poderá ser utilizado como base para tratar situações específicas de prejuízos decorrentes do curtailment, respeitando critérios técnicos e operacionais previamente definidos. A proposta busca dar celeridade ao tratamento do tema, evitando a fragmentação de soluções e a multiplicação de contenciosos.

Ao mesmo tempo, o Termo reforça que a adesão não implica reconhecimento automático de valores ou direitos, mas estabelece um canal institucional para análise e encaminhamento das demandas, dentro dos limites regulatórios e legais aplicáveis.

Histórico e impactos do curtailment

O curtailment ganhou relevância nos últimos anos à medida que a capacidade instalada de fontes renováveis cresceu em ritmo superior à expansão da rede de transmissão.

Em períodos de alta geração solar ou de ventos intensos, o sistema passou a enfrentar dificuldades para absorver toda a energia disponível, levando o operador a determinar cortes preventivos.

De acordo com associações setoriais como a ABEEólica e a ABSOLAR, após o apagão de agosto de 2023, as perdas atingiram patamares bilionários devido ao aumento dos cortes por razões de segurança sistêmica e restrições de rede.

Esses cortes impactaram diretamente a receita dos empreendimentos, comprometeram projeções financeiras e passaram a ser apontados como um dos principais desafios para a sustentabilidade econômica dos projetos renováveis.

Bancos tradicionalmente apoiadores da expansão de geração renovável no Brasil reforçam a gravidade da situação. Alguns relatam risco de inadimplência por parte de empreendedores seriamente impactados em suas perspectivas de retorno financeiro.

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Foto de Antonio Carlos Sil
Antonio Carlos Sil
Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.
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