A contratação de 2,5 GW de novas usinas termelétricas a gás natural, prevista pelo projeto aprovado pela CI (Comissão de Infraestrutura) do Senado, na semana passada, poderá gerar R$ 480 milhões por ano em perdas adicionais e aumentar em cerca de 12% os cortes de geração renovável no Brasil em 2032, revelam projeções divulgadas pela Aurora Energy Research.
O estudo considera os efeitos do substitutivo ao PL 5.017/2019, que prevê a contratação de cinco blocos regionais de novas usinas termelétricas a gás natural. Pela proposta, cada bloco terá 500 MW de capacidade, totalizando 2,5 GW, com empreendimentos previstos para Goiás, Distrito Federal, Rondônia, Minas Gerais e Maranhão.
Caso o projeto seja aprovado nas demais etapas de tramitação e sancionado, as usinas deverão entrar em operação até julho de 2032 e operar com inflexibilidade mínima de 70%. Juntas, as novas termelétricas deverão gerar 15,3 TWh de eletricidade por ano.
“O Nordeste registra o efeito mais significativo, pois continua sendo um exportador líquido de energia para o Sudeste em 2032, com o curtailment total aumentando 3,3 pontos percentuais. No Sudeste, o impacto concentra-se nos ativos de energia solar fotovoltaica, onde o curtailment aumenta 1,6 ponto percentual”, explica Júlia Stehmann, analista de pesquisa da Aurora.
Por que essas térmicas podem aumentar o curtailment?
O impacto está relacionado principalmente à inflexibilidade prevista para as novas usinas. Como elas deverão manter um nível mínimo de geração, haverá momentos em que essa eletricidade estará entrando no sistema simultaneamente a grandes volumes produzidos pelas fontes solar e eólica.
Quando há mais energia disponível do que o sistema consegue absorver ou transportar, parte da geração precisa ser reduzida. Com uma parcela da geração térmica obrigada a permanecer em operação, a modelagem da Aurora indica que esse cenário poderá ampliar os cortes impostos às fontes solar e eólica.
Instituto internacional reage a projeto que amplia contratação de termelétricas no Brasil
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