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ONS registra economia de R$ 26,9 bi com medidas adotadas na crise hídrica

Operador Nacional do Sistema Elétrico calculou a flexibilização de restrições hidráulicas e dos limites de transmissão

Autor: 9 de novembro de 2022Setor Elétrico
3 minutos de leitura
ONS registra economia de R$ 26,9 bi com medidas adotadas na crise hídrica

Em 2021, o Brasil passou pela maior crise hídrica dos últimos 91 anos. Foto: Reprodução

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) calculou que a flexibilização de restrições hidráulicas e dos limites de transmissão, durante a crise hídrica vivida no Brasil durante os anos de 2020 e 2021, gerou uma economia de R$ 26,9 bilhões no custo da operação.

“A proposta de flexibilização das restrições hidráulicas foi necessária devido às afluências dos reservatórios estarem entre as piores do histórico”, disse o Operador.

Estudos prospectivos realizados pelo ONS indicavam que, mesmo com a geração minimizada nas principais usinas do SIN (Sistema Interligado Nacional), seus níveis de armazenamento apresentariam redução acentuada.

Tal fator fez com que o Operador propusesse a flexibilização das vazões mínimas de algumas destas hidrelétricas, de forma a estocar uma maior quantidade de água em toda a cascata à montante.

Parte desses requisitos, no entanto, estavam atrelados a questões ambientais ou do uso múltiplo das águas, exigindo avaliações aprofundadas, visando reduzir os impactos na implementação destas iniciativas e ampliar a sinergia entre as entidades diretamente envolvidas na gestão do setor elétrico.

“Desta forma, foi possível implementar, dentre outras ações de grande importância, a flexibilização das vazões mínimas das usinas de Jupiá e Porto Primavera, Ilha Solteira e Três Irmãos, no Sudeste, além da redução das vazões nas usinas da cascata do rio São Francisco, no Nordeste”, exemplificaram.

Com essas medidas, foi possível preservar em torno de 4,1% da energia armazenada do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que concentra cerca de 70% da água usada pelos reservatórios.

Energia renovável é vital para minimizar crise hídrica e alta tarifária

“Cabe ainda ressaltar que a redução da vazão em determinada usina é apenas o ponto da partida da estratégia, uma vez que, ao reduzir a defluência nos empreendimentos do final da cascata, todas as usinas atrás também podem reduzir a sua defluência e consequentemente levar a ganhos ainda maiores”, apontou o Operador.

“Mas você pode se perguntar: se a vazão e a geração foram reduzidas em diversas hidrelétricas nas cascatas onde ocorreram as flexibilizações e a carga se manteve inalterada, como o ONS garantiu o abastecimento? Este é outro lado dos ganhos do conjunto de ações excepcionais implementadas”, comentaram.

De acordo com o Operador, foi possível elevar a geração térmica e a importação de energia, que não teria como ser utilizada sem essas medidas, mantendo o equilíbrio carga-geração e a maior preservação dos reservatórios que se buscava.

“Considerando que essas medidas preservaram os reservatórios para garantir o abastecimento em um momento de escassez ainda mais severo, quando estava se despachando usinas térmicas com CVU de até R$ 2.500 R$/MWh, é possível estimar que esta medida trouxe um benefício da ordem de R$ 15,8 bilhões para os consumidores brasileiros”, relataram.

Ações de enfrentamento à crise

Ao todo, o ONS, instituições do setor e agentes mobilizaram 35 linhas de ação de enfrentamento à crise que, juntas, foram imprescindíveis para garantir o abastecimento energético do país.

“A comparação do armazenamento verificado com o cenário hipotético sem a implantação das 35 linhas de ação é apresentada na figura abaixo e evidencia o quanto essas medidas foram importantes para garantir o abastecimento energético do País”, concluíram.

Gráfico: ONS

Gráfico: ONS

Mateus Badra

Mateus Badra

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020. Atualmente, é Analista de Comunicação Sênior do Canal Solar e possui experiência na cobertura de eventos internacionais.