ONS planeja intensificar uso de termelétricas

Objetivo é poupar recursos hidrelétricos até a chegada do próximo período úmido, que pode atrasar neste ano
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ONS planeja intensificar uso de termelétricas
Inverno deverá ser seco e com temperaturas acima da média. Imagem: Pixabay

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) informou que está em seu planos fazer uso adicional de termelétricas até o final do ano, com a expectativa de intensificar o despacho a partir de outubro, sobretudo devido à tendência de elevação de carga durante o inverno. O objetivo é poupar recursos hidrelétricos até a chegada do próximo período úmido, que se normalmente se inicia em novembro, mas pode sofrer atraso neste ano.

A previsão é que os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por 70% da capacidade de armazenamento de energia do Brasil, chegue ao último dia do ano 67,9% de capacidade na hipótese mais otimista e 52,2%, no cenário pessimista. “O resultado do subsistema SE/CO é classificado como o 14º menor do histórico”, disse o ONS em boletim destinado à imprensa. 

As informações foram oficializadas na última reunião do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), realizada na semana passada.

O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que os órgãos estão fazendo o possível para encontrar soluções para aumentar a disponibilização de recursos energéticos, como reduzir a vazão das hidrelétricas Jupiá e Porto Primavera, no Rio Paraná, com a intenção de preservar reservatórios durante o período seco e minimizar o despacho termelétrico. Essa ação garantiu cerca de 7% adicionais nos reservatórios do Sudeste. 

“Também estamos avançando nos investimentos em várias obras no país e na modernização do parque elétrico, buscando sempre o equilíbrio entre modicidade tarifária e segurança energética”, afirmou o ministro em nota. 

Para o final de julho, a expectativa de Energia Armazenada (EARmáx) para o SIN (Sistema Interligado Nacional) – indicador que mede o nível dos reservatórios no país – aponta para 65,1% no cenário inferior e 64,2% no cenário superior.

Em coletiva de imprensa no final de junho, a Nottus, consultoria meteorológica para negócios, disse que o inverno será marcado por dias secos e com temperaturas acima da média no Brasil. 

Há uma probabilidade de começo de formação do fenômeno La Ninã de forma moderada a partir do final de setembro. Os modelos, porém, indicam 75% de probabilidade do La Ninã se concretizar na virada do ano, trazendo chuvas mais consistentes para o país.

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) acionou a bandeira tarifária amarela depois de 26 meses de bandeira verde, justamente devido ao contexto de intensificação do despacho termelétrico. 

O maior uso de térmicas vai resultar em aumento dos custos de operação do sistema elétrico, afetar o PLD (Preço de Liquidação de Diferenças) e, consequentemente, o preço de energia no Mercado Livre.

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Wagner Freire
Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

4 respostas

  1. Para ter Intermitentes precisamos de Constantes, e não adianta marketeiro da ESG vir falar em baterias, não engulam lavagem cerebral, baterias hoje duram menos que 8 anos, a logistica reversa é cara, nem vamos falar em quanto se gasta de água, diesel e energia elétrica desde a mineração até as baterias, a conta não fecha, ja existe uma tecnologia que dura o dobro, armazena 4 vezes mais, pesando 4 vezes menos, mas os donos do negócio não vão deixar vir enquanto não der payback e lucro enorme de suas atuais plantas,
    Termogeração à Gas Natural e a Biogás são excelentes, o que não pode é termogeração a carvão, igual aquela super suja la de Criciuma, Santa Catarina, com carvão de baixíssimo poder calorífico, uma geração que emite 70 vezes mais que uma a Gas Natural, O lugar de fala de energia não é de marketeiro, nem sociólogo, é de ENGENHEIRO.

    1. O investimento nas eólicas minimizaria muito a necessidade das térmicas a gás (nem vou perder tempo comentando sobre carvão, isso é coisa do século passado, como vc mesmo disse, já deveriam ter sido descomissionadas a muito tempo), pois a temporada dos ventos no interior do Nordeste é inversa à temporada de chuvas, e não tem o problema de não funcionar de noite, como as solares. Mas necessita de linha de transmissão para a ampliação, que chegarão até 2027. Não sei se as térmicas atuais seguram a expansão do consumo até lá, sou apenas um engenheiro curioso na área. Mas uma coisa é certa: opinião de marketeiro estamos dispensando, não é?

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