“Uma porta se fecha, mas quatro mercados se abrem.” Foi com essa frase que Gustavo Tegon, diretor de Vendas do Canal Solar, abordou o amadurecimento do setor de energia e as novas oportunidades de negócios do mercado brasileiro.
Durante o Canal Conecta VI, realizado em São Paulo (SP), o executivo apontou quatro frentes de atuação que já movimentam o setor e exigem atenção dos integradores: a abertura do mercado livre de energia, o armazenamento em baterias, a mobilidade elétrica e a inteligência artificial.
Segundo Tegon, as transformações do mercado exigem que as empresas ampliem sua atuação para além da venda de sistemas fotovoltaicos, oferecendo novas soluções a clientes residenciais, comerciais e industriais. “O mercado não acaba, ele só muda de interesse”, afirmou.
Mercado livre e baterias ampliam possibilidades
Uma das oportunidades destacadas foi a abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão, que permitirá a novos grupos de clientes escolher seus fornecedores.
Na avaliação de Tegon, a mudança poderá beneficiar o setor, ao ampliar as possibilidades comerciais e criar novas oportunidades de relacionamento com os consumidores. O executivo ressaltou que as empresas precisam se preparar desde já para a abertura, prevista para 25 de novembro de 2027.
“Temos cerca de 400 dias até a abertura desse mercado”, afirmou, destacando que os integradores já conhecem o prazo e têm a oportunidade de se antecipar às mudanças e preparar seus negócios para esse novo cenário.
Outra frente destacada foi o avanço do armazenamento de energia, impulsionado pela redução dos custos das baterias de lítio. Segundo dados da BloombergNEF apresentados durante a palestra, o preço médio global dos packs de baterias caiu 93% desde 2010, atingindo US$ 108,00 por kWh em 2025.
Para Tegon, a tendência de redução dos preços deve continuar favorecendo a adoção da tecnologia em diferentes aplicações. “O preço da bateria não para de cair. E sabe qual é a tendência? Que caia ainda mais”, destacou.
A redução dos custos, segundo ele, amplia as possibilidades de utilização das baterias, incluindo o armazenamento da geração solar, o fornecimento de energia em horários de maior demanda e soluções de backup.
Nesse cenário, o executivo avalia que os integradores poderão ampliar o relacionamento com clientes que já possuem sistemas fotovoltaicos, oferecendo equipamentos e serviços conforme suas novas necessidades de consumo.
Mobilidade elétrica cria demanda por novos serviços
A expansão dos veículos eletrificados no Brasil foi outra oportunidade destacada por Tegon, principalmente pelo aumento da demanda por infraestrutura de recarga e pelas mudanças no perfil de consumo de energia.
Dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) apresentados durante a palestra mostram que o país ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados vendidos desde 2012. Em setembro de 2026, esses modelos representaram 19,8% das vendas de veículos leves no mercado brasileiro.
Para o executivo, os números devem levar os integradores a olhar para além do crescimento da frota e identificar as oportunidades relacionadas ao fornecimento de energia. “Enquanto as pessoas falam sobre emplacamento de veículo, nós, no setor de energia, devemos pensar sobre consumo de energia”, destacou.
Tegon citou como exemplo clientes que já instalaram sistemas solares há alguns anos e que, desde então, podem ter adquirido veículos elétricos, aumentando a necessidade de energia e abrindo espaço para novas soluções.
Nesse cenário, a instalação de carregadores, a ampliação de sistemas fotovoltaicos e o armazenamento em baterias podem representar novas fontes de receita para as empresas.
Inteligência artificial também deve transformar as vendas
Por fim, a inteligência artificial foi apontada como a quarta oportunidade, tanto pelo aumento do consumo de energia associado aos data centers quanto pelo potencial de melhorar os processos comerciais das empresas.
Durante a apresentação, Tegon citou projeções da IEA (Agência Internacional de Energia) que indicam crescimento do consumo elétrico dos data centers no mundo, de 415 TWh em 2024 para 945 TWh em 2030.
Além da demanda energética, o executivo chamou a atenção para o uso da inteligência artificial na elaboração de propostas, no atendimento e na prospecção de clientes.
Segundo ele, a adoção dessas ferramentas reduzirá o tempo necessário para preparar ofertas comerciais, aumentando a competitividade das empresas.
“Ou vocês acham que, daqui a seis meses, uma proposta sua que demorou dois dias, caiu na mão do cliente em cinco minutos do seu concorrente? Qual a chance de você fechar esse negócio?”, questionou.
Para Tegon, a velocidade de atendimento e a capacidade de utilizar novas tecnologias serão diferenciais importantes para as empresas que desejam acompanhar as mudanças do mercado.
Oportunidades também estão na carteira de clientes
Apesar das perspectivas de expansão, Tegon ressaltou que aproveitar os novos mercados exigirá mudanças na atuação comercial dos integradores.
Uma das principais recomendações apresentadas foi mapear a carteira de clientes já atendidos, identificando novas necessidades e oportunidades que não existiam antes para esses mesmos clientes.
O executivo também destacou a importância de capacitar as equipes comerciais para apresentar soluções como baterias, carregadores e serviços de gestão energética, evitando que potenciais negócios sejam descartados por falta de conhecimento.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.
Comentários
Os comentários são moderados antes da publicaçãoOs comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.