A dificuldade de conexão à rede elétrica e as limitações para exportar excedentes de energia estão levando empresas e propriedades rurais a considerar novas configurações para seus projetos de geração solar.
Entre as alternativas que ganham espaço está o modelo Zero Grid, que permite produzir eletricidade para consumo próprio sem injetar o excedente na rede de distribuição. A solução utiliza sistemas de controle que acompanham a demanda do empreendimento e ajustam a geração fotovoltaica em tempo real.
O movimento ocorre em um mercado que continua recebendo investimentos expressivos, embora em ritmo menor do que no ano passado.
Segundo levantamento da TTS Energia, elaborado com base em dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), a geração própria solar nos segmentos empresarial e rural movimentou cerca de R$ 6,5 bilhões entre janeiro e outubro de 2026.
No período, foram instalados 66,1 mil novos sistemas, que acrescentaram 1,4 GW de potência. A procura por projetos sem exportação está associada, segundo a empresa, à necessidade de adequar os investimentos às condições de conexão e ao perfil de consumo de cada unidade.
Indústrias, estabelecimentos comerciais, redes varejistas, centros de distribuição e produtores rurais estão entre os consumidores que buscam reduzir despesas com eletricidade e ampliar a autonomia energética, mas precisam avaliar as limitações da infraestrutura disponível.
Controle da geração
Diferentemente dos projetos convencionais que podem enviar energia excedente à rede, o Zero Grid opera com mecanismos capazes de monitorar o consumo e regular a produção dos painéis solares.
Quando a geração supera a demanda instantânea, o sistema reduz a potência produzida, evitando a exportação de eletricidade para a distribuidora.
Essa configuração pode viabilizar instalações em locais onde há restrições para conexão ou dificuldades para injetar energia na rede.
Também exige que o dimensionamento do empreendimento leve em conta o comportamento da carga ao longo do dia, os horários de maior consumo e a capacidade de geração fotovoltaica.
A empresa também identifica interesse por soluções que combinem geração solar, controle inteligente e, em determinadas aplicações, armazenamento em baterias. O objetivo é aproveitar melhor a eletricidade produzida e adequar seu uso às necessidades da operação.
Planejamento ganha importância
Para Jacques Hulshof, CEO da TTS Energia, as restrições para exportar excedentes têm influenciado as decisões dos consumidores, que passaram a observar com mais atenção a viabilidade técnica e econômica antes de investir.
Segundo o executivo, a engenharia precisa considerar não apenas a potência dos painéis, mas também a demanda do empreendimento e as condições de acesso à rede. A integração com baterias é apontada pela companhia como outra possibilidade para determinados projetos.
Expansão desacelera
Embora o interesse por configurações de autoconsumo esteja em evidência, os números do levantamento com base em dados da ANEEL mostram uma redução no ritmo de expansão da geração própria solar empresarial e rural.
Entre janeiro e outubro de 2025, foram registradas 113 mil novas conexões, com acréscimo de 2,6 GW de potência e investimentos estimados em R$ 12 bilhões.
Na comparação com o mesmo intervalo deste ano, houve queda de 41,5% no número de conexões e de 46,2% na potência adicionada. O volume financeiro recuou 45,8%, de R$ 12 bilhões para R$ 6,5 bilhões já mencionados.
No acumulado da última década, entretanto, os segmentos comercial, industrial e rural chegaram a aproximadamente 816 mil conexões de geração própria, com 21,1 GW instalados, 3,3 milhões de unidades consumidoras beneficiadas e cerca de R$ 98 bilhões em investimentos.
Os dados indicam que, além do ritmo de crescimento, as condições de implantação vêm influenciando o perfil dos projetos. Nesse cenário, soluções como o Zero Grid e a integração com armazenamento aparecem como alternativas para consumidores que pretendem ampliar o autoconsumo diante das limitações de conexão e de exportação de energia.
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