Em pouco mais de um mês, milhares de paranaenses enfrentaram quedas de energia provocadas por uma sequência de tempestades que atingiram o estado entre setembro e novembro de 2026. Os temporais, acompanhados de fortes ventos e chuvas intensas, causaram danos à rede elétrica e deixaram cidades inteiras com o fornecimento comprometido.
Um levantamento do Canal Solar, com base em balanços da Copel (Companhia Paranaense de Energia) e informações da Defesa Civil, aponta que a soma dos picos de desligamentos em três grandes episódios ultrapassou 750 mil unidades consumidoras nas últimas seis semanas.
O número considera os picos de interrupções de cada evento, e não a quantidade de imóveis distintos afetados, já que um mesmo consumidor pode ter ficado sem energia mais de uma vez.
Em 22 de setembro, as tempestades provocaram um pico de 257,9 mil unidades consumidoras sem eletricidade. Segundo a Copel, os ventos e as chuvas danificaram postes, cabos e torres de alta tensão em diferentes regiões do estado.
Poucos dias depois, entre 3 e 4 de outubro, uma nova onda de temporais levou o número de imóveis sem energia a 325 mil, o maior pico registrado entre os episódios analisados.
Já na última segunda-feira (2), o mês de novembro mal começou e tempestades acompanhadas de granizo e rajadas de vento de até 90 km/h voltaram a atingir a rede de distribuição, principalmente no Noroeste paranaense.
O novo episódio afetou mais de 200 mil consumidores ao longo do dia. Segundo balanço divulgado pela Copel no início da noite, quase 110 mil unidades ainda permaneciam sem fornecimento de energia, apesar da mobilização de mais de 1.500 profissionais para restabelecer o serviço.
Chuvas recordes e danos à rede elétrica
Os eventos estão associados à maior frequência e intensidade das tempestades no Paraná, cenário influenciado pelo fenômeno El Niño. Segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), setembro foi o mês mais chuvoso já registrado em 14 estações meteorológicas do estado.
Em Curitiba, por exemplo, o volume de precipitação chegou a 339,4 milímetros, quase três vezes a média histórica de 129,5 milímetros para o período. Os impactos também foram observados diretamente na infraestrutura elétrica.
Apenas em setembro, a Copel informou ter substituído 2.061 postes, seis torres de alta tensão e 113 quilômetros de cabos danificados pelas tempestades. Para reforçar a infraestrutura, a companhia prevê investimentos de R$ 17,8 bilhões entre 2026 e 2030, dos quais R$ 13,4 bilhões serão destinados à distribuição de energia.
A ampliação da resiliência da rede ganha relevância em um momento em que os consumidores também enfrentam custos mais elevados. Em junho deste ano, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou uma revisão tarifária da Copel com efeito médio de 20,51%.
Apagões ampliam interesse por baterias
A recorrência das interrupções também reforça a discussão sobre alternativas capazes de manter equipamentos essenciais funcionando quando há falhas na rede elétrica. Entre as soluções estão os sistemas fotovoltaicos combinados com baterias, que permitem armazenar energia para utilização posterior e, quando configurados para backup, atender cargas selecionadas durante apagões.
A aplicação pode ser especialmente relevante para propriedades rurais, estabelecimentos comerciais e outras atividades que dependem do fornecimento contínuo de eletricidade. Um levantamento da Descarbonize Soluções identificou crescimento de 48% nas buscas pela expressão relacionada ao armazenamento de energia no Brasil em 12 meses.
Já as pesquisas pelo termo BESS avançaram 120% no período analisado, entre setembro de 2025 e agosto de 2026. No ranking estadual de interesse por BESS, o Paraná aparece na terceira posição, atrás de Santa Catarina e do Distrito Federal.
Diferentemente dos sistemas solares convencionais conectados à rede, que normalmente interrompem a geração em caso de apagão por questões de segurança, soluções híbridas com baterias podem manter parte do consumo atendida durante a falta de energia.
A autonomia, porém, depende da capacidade de armazenamento, da potência dos equipamentos e do perfil de consumo da unidade. Diante da previsão de chuvas acima da média para novembro, segundo o Simepar, a necessidade de reforçar a infraestrutura elétrica e reduzir os impactos das interrupções deve continuar em discussão no Paraná.
78% dos consumidores desejam ter energia solar com baterias para enfrentar apagões
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