Julho de 2019. Há pouco mais de seis anos, atingir 1 GW em GD (geração distribuída) era motivo de comemoração para o setor solar. Os módulos mais vendidos não chegavam a 400 W, as soluções híbridas ainda engatinhavam, o armazenamento era visto como uma tecnologia de nicho e poucos imaginavam o tamanho que o mercado alcançaria.
Hoje, o cenário é outro. O Brasil acaba de ultrapassar a marca de 50 GW de potência instalada no segmento, informou a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). O resultado que é fruto uma combinação de avanços tecnológicos, redução dos custos dos equipamentos e rápida adoção da energia solar por consumidores de todo o país.
Mais do que um número, o marco representa milhões de projetos desenvolvidos, vendidos, instalados e conectados ao longo dos últimos anos. Por trás dessa expansão está uma cadeia formada por fabricantes, distribuidores, projetistas, eletricistas, engenheiros e, principalmente, milhares de integradores que ajudaram a levar a energia solar a todas as regiões do Brasil.
De instalador a consultor de energia
O papel do integrador também mudou nos últimos anos. Se antes o trabalho estava concentrado principalmente no dimensionamento e na instalação de sistemas on-grid, hoje o profissional precisa compreender tarifas, regras de compensação, demanda, perfil de consumo, qualidade dos equipamentos e retorno financeiro.
Com a chegada de inversores híbridos, baterias, carregadores para veículos elétricos e sistemas de gerenciamento de energia, o integrador passou a atuar cada vez mais como um consultor energético.
O cliente também mudou. Em muitos casos, ele já chega à negociação sabendo o que é geração distribuída, comparando tecnologias e cobrando informações sobre garantias, monitoramento, segurança e desempenho. Isso aumentou a responsabilidade técnica e comercial das empresas que atuam no segmento.
Tecnologia avançou em poucos anos
A evolução dos equipamentos ajuda a dimensionar a transformação do mercado. Em 2019, módulos abaixo de 400 W eram predominantes. Atualmente, painéis entre 550 W e 650 W são comuns em projetos de GD.
Os inversores também evoluíram. Os equipamentos passaram a oferecer mais recursos de monitoramento, integração com plataformas digitais, controle de exportação de energia e compatibilidade com sistemas de armazenamento.
Ao mesmo tempo, soluções que antes pareciam distantes começaram a ganhar espaço. Baterias, carregadores de veículos elétricos e sistemas de gestão de consumo passaram a fazer parte das conversas com clientes residenciais e empresariais.
Mais de 4,6 milhões de sistemas
Atualmente, o país já conta com mais de 4,6 milhões de sistemas instalados em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos. Juntos, eles atendem mais de 8,1 milhões de unidades consumidoras.
A classe residencial continua sendo a principal responsável pela expansão do segmento no Brasil, concentrando aproximadamente 26 GW da capacidade instalada. Em seguida aparecem os segmentos comercial, com 13,8 GW; rural, com 6,4 GW; e industrial, com 3,5 GW.
Os números mostram que a geração distribuída deixou de ser uma solução restrita a consumidores de maior renda ou empresas pioneiras. A tecnologia se espalhou por diferentes perfis de consumo e passou a fazer parte das decisões de famílias, produtores rurais e pequenos negócios.
Solar chegou a todas as regiões
No ranking estadual, São Paulo lidera com 7 GW em operação. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 6,2 GW; Paraná, com 4,3 GW; Rio Grande do Sul, com 3,8 GW; e Mato Grosso, com 3,5 GW.
Entre os municípios, Brasília ocupa a primeira posição, com 580 MW de potência instalada, seguida por Cuiabá, com 563 MW. As duas cidades são, até o momento, as únicas do país a superar a marca de 500 MW em GD solar.
Apesar da liderança dos grandes mercados, a expansão da geração distribuída também pode ser vista em municípios de médio e pequeno porte, onde a energia solar passou a movimentar empresas locais, gerar empregos e criar oportunidades para profissionais técnicos.
Um marco construído projeto por projeto
Para quem acompanhou o crescimento da GD solar desde os primeiros anos, os 50 GW são mais do que uma estatística. São o resultado de milhares de profissionais que apostaram na energia solar quando ela ainda era novidade para grande parte dos consumidores.
O setor mudou, a tecnologia avançou e o mercado se tornou mais competitivo. Mas a essência dessa trajetória continua a mesma: cada novo megawatt começa com um projeto, um cliente e um integrador disposto a transformar um telhado em fonte de energia.
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