A Copa do Mundo entra na sua reta final nesta semana sem a presença da seleção brasileira, eliminada pela Noruega nas oitavas de final. Além da frustração esportiva, os cinco jogos do Brasil também deixaram impactos relevantes na operação do sistema elétrico nacional.
Durante as cerca de dez horas em que a seleção esteve em campo, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) restringiu 50,4 GWh de geração de energia renovável para manter o equilíbrio entre oferta e consumo de energia no país.
O volume seria suficiente para abastecer simultaneamente mais de 40 milhões de residências brasileiras durante uma hora ou suprir aproximadamente 300 mil casas por um mês, considerando o consumo habitual de uma residência média.
Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Canal Solar com base nos boletins operacionais divulgados pelo ONS durante a campanha brasileira no Mundial.
Jogo decisivos tiveram os maiores cortes
Segundo o Operador, os maiores volumes de restrição de geração renovável ocorreram justamente nos jogos mais decisivos da seleção. Somadas, as partidas eliminatórias contra Japão e Noruega responderam por 37,9 GWh de cortes, o mesmo que 75% de toda a energia restringida.
Na fase de grupos, os impactos foram significativamente menores. Na estreia, contra o Marrocos, não houve necessidade de restringir a geração renovável. Já na partida contra o Haiti, disputada às 21h30 de uma sexta-feira, o ONS cortou aproximadamente 5 GWh. No confronto com a Escócia, realizado às 19h de uma quarta-feira, o volume aumentou para 7,4 GWh.
Nas oitavas de final, a necessidade de cortes ganhou intensidade. Contra o Japão, em uma partida iniciada às 14h de uma segunda-feira (período de elevada geração solar no país) o operador restringiu 15,1 GWh de energia renovável.
O maior volume, porém, foi registrado na derrota para a Noruega. Disputado a partir das 17h de um domingo, o confronto levou ao corte de 22,8 GWh, respondendo sozinho por mais de 45% de toda a geração renovável restringida ao longo dos cinco jogos da seleção brasileira.
Confira abaixo como o sistema elétrico reagiu em cada jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo:
Por que os cortes foram necessários?
Segundo o ONS, os jogos da seleção costumam provocar mudanças bruscas na rotina dos brasileiros. Durante as partidas, grande parte das atividades comerciais e produtivas é interrompida, os deslocamentos diminuem e o consumo de energia cai rapidamente.
No intervalo e após o apito final, a carga volta a crescer em poucos minutos, formando rampas acentuadas de redução e recomposição da demanda no SIN (Sistema Interligado Nacional).
Quando essas oscilações coincidem com períodos de elevada geração solar e eólica, especialmente durante o dia, o sistema pode registrar excesso momentâneo de oferta. Nesses casos, o ONS determina a redução da produção de determinadas usinas para preservar o equilíbrio entre geração e consumo.
De acordo com o Operador, a estratégia busca “garantir que as intensas rampas de carga sejam acompanhadas adequadamente por correspondentes variações de geração e uso dos recursos de controle de tensão. O objetivo é garantir o menor impacto possível na qualidade e na segurança do suprimento de energia elétrica no SIN”, pontua.
Embora os cortes sejam considerados necessários para garantir a segurança do sistema, o volume de restrições registrado durante os jogos apenas reforça os desafios enfrentados pelo setor elétrico brasileiro para absorver a expansão das fontes renováveis, sobretudo em horários de baixa demanda e alta produção solar e eólica.
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