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Argentina virou no campo, mas sistema elétrico dos hermanos também sentiu o jogo

Dados da Cammesa apontam queda de 19% na carga durante Argentina x Egito, repetindo efeito dos jogos do Brasil no ONS

Canal Solar - Argentina virou no campo, mas carga elétrica dos hermanos também sentiu

Torcida argentina se reune para assistir ao confronto contra o Egito. Foto: Ilustração

O efeito da Copa do Mundo sobre o setor elétrico não ficou restrito aos jogos do Brasil. Depois de o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) registrar fortes oscilações na carga durante as partidas da seleção brasileira, dados da Cammesa (Compañía Administradora del Mercado Mayorista Eléctrico) mostram que a Argentina também viveu um comportamento semelhante na vitória por 3 a 2 sobre o Egito, nesta terça-feira (7).

Durante a partida, a demanda por energia no sistema elétrico argentino caiu cerca de 4,4 GW – o equivalente a uma redução de aproximadamente 19% em relação à carga de referência. Segundo a Cammesa, a carga passou de 23,4 GW às 11h, para cerca de 19 GW às 15h, atingindo um piso de 18,8 GW pouco depois.

Em termos proporcionais, o comportamento foi semelhante ao observado no Brasil durante a vitória por 2 a 1 sobre o Japão. Na ocasião, o ONS registrou uma redução de cerca de 21% na carga do SIN (Sistema Interligado Nacional) – uma das maiores oscilações verificadas até agora durante os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo.

Embora os dois sistemas elétricos tenham dimensões bastante diferentes, a comparação percentual evidencia um fenômeno comum: a capacidade que grandes eventos esportivos têm de alterar a rotina de milhões de pessoas ao mesmo tempo, reduzindo o consumo de energia em residências, comércios e outros setores durante as partidas.

Para os operadores dos sistemas elétricos, essas variações representam um desafio operacional. Além da queda durante o jogo, a demanda costuma se recompor rapidamente no intervalo e após o apito final. No caso brasileiro, esse movimento é ainda mais complexo devido à dimensão do SIN e às limitações da rede de transmissão para absorver e escoar a crescente geração de energia das usinas renováveis.

A análise comparativa entre os dados da CAMMESA e do ONS, incluindo a seleção da janela de análise, a normalização das curvas de carga e o cálculo da variação percentual, teve como referência estudo publicado por Felipe Figueiró, consultor de Inteligência de mercado e estratégia para energia. Os dados utilizados são públicos e disponibilizados pelos operadores dos sistemas elétricos da Argentina e do Brasil.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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