A capacidade instalada de geração renovável no mundo precisaria crescer dos atuais 5,2 TW para cerca de 38,2 TW até 2050 para alinhar a transição energética a uma trajetória compatível com a limitação do aquecimento global a 1,5°C.
Nesse cenário, as fontes solar e eólica forneceriam mais de 80% da eletricidade mundial em meados do século. As projeções constam do World Energy Transitions Outlook 2026, divulgado nesta terça-feira (13) pela IRENA (Agência Internacional de Energias Renováveis).
O relatório aponta que a expansão da geração precisa ser acompanhada por reformas no sistema energético, com avanço da eletrificação, modernização das redes e ampliação do armazenamento e da flexibilidade operacional.
Segundo a agência, a participação da eletricidade no consumo final de energia precisaria alcançar 35% até 2035 e superar 50% até 2050. A eletrificação abastecida por renováveis, combinada com tecnologias mais eficientes e combustíveis sustentáveis, permitiria substituir progressivamente os sistemas baseados em combustíveis fósseis e atender ao crescimento da demanda.
Apesar dos recordes de expansão das renováveis registrados em 2025, a IRENA alerta que os investimentos nas redes não acompanham esse ritmo. Ao mesmo tempo, os ganhos de eficiência energética permanecem abaixo do necessário e não compensam o aumento da demanda por eletricidade.
“O crescimento recorde das renováveis não é suficiente por si só: a eficiência energética está aquém do necessário, as redes têm dificuldade para acompanhar o ritmo e a demanda global de energia continua crescendo”, afirmou o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, em tradução livre.
Para ele, acrescentar capacidade renovável sem transformar a estrutura do sistema energético é insuficiente para viabilizar a transição. “Precisamos de reformas para construir a infraestrutura de um novo sistema energético, que seja eletrificado, eficiente, flexível e abastecido por renováveis”, declarou.
A agência destaca que redes, armazenamento, eficiência energética e flexibilidade são componentes centrais dessa transformação. Sem sua expansão, essas soluções podem se tornar gargalos para a integração das fontes renováveis e para o atendimento da demanda.
O cenário também exigiria investimentos anuais de aproximadamente US$ 10,3 trilhões entre 2026 e 2050. A maior parte dos recursos adicionais seria direcionada à geração renovável, às redes elétricas, à flexibilidade e à eletrificação dos usos finais da energia.
Segundo as projeções da IRENA, a trajetória compatível com 1,5°C poderia proporcionar ganhos econômicos acumulados de cerca de US$ 46 trilhões até 2050, em comparação com a continuidade das tendências atuais.
Os empregos em energia renovável poderiam crescer mais de cinco vezes no período, partindo de pouco mais de 16 milhões atualmente. A agência também estima que o aumento da competitividade dos mercados de eletricidade poderia resultar em preços 15% menores para os consumidores finais até 2050.
La Camera ressaltou que os benefícios econômicos precisam ser acompanhados por medidas de proteção social e acesso às oportunidades geradas pela transição. “A qualidade da transição será tão importante quanto sua velocidade”, afirmou.
Para orientar os governos na próxima década, o relatório apresenta sete prioridades de ação. A agenda abrange planejamento integrado de energia e mercados, roteiros adaptados à realidade de cada país, modernização das redes, estratégias industriais e de investimento, políticas sociais e ambientais e cooperação internacional.
De acordo com a IRENA, o desafio é conduzir a substituição dos combustíveis fósseis de forma coordenada, preservando a confiabilidade do abastecimento, a segurança energética e preços acessíveis enquanto as alternativas de baixo carbono ganham escala.
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