A última audiência pública da ANEEL trouxe novamente à tona o termo “subsídio cruzado”, usado para caracterizar os benefícios da geração distribuída. Esse conceito, longe de ser apenas técnico, revela uma narrativa que fragiliza o modelo descentralizado e democratizado de energia, justamente no momento em que ele começa a alcançar as camadas menos favorecidas da sociedade.
Entre 2019 e 2022, o Brasil viveu intensas manifestações em defesa da energia solar. Foi um período de mobilização social e política que resultou na aprovação de leis e regulamentações que garantiram o direito de acesso à rede elétrica para todos os brasileiros.
Esse esforço coletivo abriu espaço para milhares de empreendedores que criaram empresas e ajudaram a popularizar a energia solar, consolidando a geração distribuída como uma alternativa viável e transformadora.
Mas o período seguinte, de 2023 a 2025, foi marcado por um cenário bem diferente. As concessionárias criaram barreiras para novos consumidores acessarem a rede, impondo dificuldades burocráticas e técnicas que travaram a expansão da geração distribuída. Novas manifestações se espalharam pelo Brasil, denunciando a tentativa de frear o avanço da energia solar.
A regulação da ANEEL precisou ser revista, mas o impacto foi severo: muitas empresas fecharam as portas, incapazes de sobreviver às restrições impostas. O mercado, no entanto, mostrou resiliência. Hoje, com o avanço do armazenamento em baterias e outras soluções inovadoras, a geração distribuída encontrou alternativas para superar essas barreiras e segue em expansão.
Assim como acontece com qualquer tecnologia — seja um celular, um eletrodoméstico ou outro bem de consumo — os painéis solares inicialmente foram adotados pelas classes com maior poder aquisitivo. Mas, com o tempo, os custos caíram e o acesso começou a se expandir. É justamente nesse momento de democratização que surgem discursos tentando barrar o avanço.
O uso do termo “subsídio cruzado” pela agência reguladora não é neutro: ele sugere que os consumidores de energia solar estariam sendo indevidamente beneficiados às custas dos demais. No entanto, essa visão ignora o papel estratégico da geração distribuída para o futuro do setor elétrico e desconsidera o esforço coletivo que garantiu sua regulamentação.
A crítica central é que esse tipo de discurso reforça a preservação de um modelo oligopolizado, baseado em grandes usinas e redes centralizadas, onde as tecnologias já estão saturadas. A geração distribuída, ao contrário, é a grande revolução capaz de trazer resiliência ao sistema elétrico em tempos de apagões e eventos climáticos extremos. Ela descentraliza o poder, fortalece comunidades locais e cria um ambiente de inovação que não pode ser reduzido a uma suposta distorção tarifária.
É preciso lembrar que os benefícios da geração distribuída não são apenas individuais. Ao aliviar a demanda sobre grandes usinas, reduzir perdas na transmissão e estimular investimentos privados, ela contribui para a eficiência do sistema como um todo.
Chamar isso de “subsídio cruzado” é desconsiderar o valor social e estratégico da energia solar. Mais do que uma questão técnica, trata-se de uma disputa de narrativas: de um lado, a defesa de um modelo centralizado e oligopolizado; de outro, a afirmação de um futuro descentralizado, democrático e sustentável.
A ANEEL tem o papel de regular com equilíbrio, garantindo segurança e transparência. Mas não pode se deixar capturar por discursos que enfraquecem a transição energética. O Brasil precisa de uma regulação que reconheça a geração distribuída como parte essencial da matriz elétrica, não como um problema a ser contido.
A verdadeira revolução energética não virá das grandes usinas já estabelecidas, mas da capacidade de milhões de brasileiros de gerar sua própria energia, participar de redes inteligentes e construir resiliência diante das crises climáticas. É essa democratização que deve ser protegida. Porque, no fim, o maior risco não é o “subsídio cruzado”. O maior risco é frear a revolução solar justamente quando ela começa a iluminar os lares das classes menos favorecidas.
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Respostas de 7
Os mesmos de sempre que não querem largar o osso. Com a privataria deu-se, ao arrepio do interesse público, poder ilimitado a essa quadrilha que suga o país desde o ano da invasão de 1500.
É o mesmo com os carros elétricos que representam uma revolução inédita já que o oligopólio de mais de século jamais quis investir em algo inovador ganhando rios de dinheiro com suas tranqueiras.
Os cães ladram e a caravana passa.
Os problemas que tentam atribuir a Energia Solar Residencial e Comercial de cidades, Bairros Rurais, sempre vai incomodar empresários que querem vender Energia Solar e desse mesmo público e lucrar muito nas custas desses trabalhadores, vendendo ilusões a quem imagina economizar seu valoroso rendimento econômico. Os Governos Federais nao tem projetos para esses consumidores residênciais. Financiamento através do BNDES, milhões para milionários e não financiam nem um centavo a pessoas Físicas, barrando qualquer tentativa de crescimento dessa Energia entre pessoas de baixa renda. Até a Circular 43 , de 2018, foi suprimida, sem sequer ser conhecida pelas Pessoas Físicas. Nem o Canal Solar a conhece e a divulgou. Agora em abril de 2024, foi retirada do texto a possibilidade que ajudaria a milhares de pessoas a economizar dinheiro, reduzindo suas contas a menos de 100,00 por mês e gerando Energia Sustentável . Pesquisei esse assunto todo, tentei financiamento de 19.000,00 mas nada consegui porque o Banco do Brasil se negou a encaminhar meus documentos. Enquanto na Europa, há um Projeto Nacional de Energia Solar em pleno andamento e muito bem sucedido, aqui somos impedidos de nos beneficiários , acabamos dando lucros exorbitantes para ladrões como os Banqueiros e seus acionistas, fazendo esse valor chegar a 49.900,00, em 60 prestações. Os Bancos ,ao invés de oferecerem o valor pela BNDES , criaram, seu próprio Projeto de Energia Solar e financiamento a juros de mais de 2% ao mês, fazendo de idiotas quem não sabe calcular os custos dos juros e não conhece a possibilidade do BNDES para Pessoas Físicas. Agora todos os Bancos criaram Sua carteira para Energia Solar e quem nada entende de finanças faz esse negócio de perda total de dinheiro. Com esse valor final ,daria para adquirir mais do que o dobro de placas solares e produzir o dobro de quilowatts e um único mês. Mas os Governos que ocupam o Brasil , simplesmente privatizaram toda Energia Elétrica no Brasil inteiro, ou seja, ganharam.muito dinheiro com as Outorgas e agora não possuem meios de ampliar a Geração Distribuída aos mais necessitados, não tem nem Projeto Nacional que inclua essa população, que todos possam pagar pelo seu projeto de Energia Solar júris justos e não esperar gratuidade, porque, aqui, no Brasil, ela é dada a quem não trabalha, não estuda e não se dedica a ajudar ao Brasil. Por isso o Brasil é uma vergonha Nacional. Tudo o que o trabalhador constrói , a Política destrói. Para quem trabalha é reservado o pior do Brasil, sustentar privilégios, psicopatias , enganação de Corrupção. E a população a votar em Políticos que são verdadeiros Devastadores, verdadeiros Cânceres Sociais, inclusive vindo das Igrejas Evangélicas, que resolveram transformar o Brasil numa Teocracia ou até numa Ditadura Militar, em curso. Cegos e emburrecidos, vamos todos destruindo nosso país, cada um a seu modo, ou por omissão, por participação ou por manipulação. Agora, nosso próximo passo é armazenar Energia Solar e não esperar nada dos Governos. Quanto mais esperarmos atitudes sensatas, mais dinheiro vamos jogar na lata de lixo. Quando a imprensa corrupta incentiva a Privatização Geral e Irrestrita de tudo que compõe o Patrimônio Público, construído com. nossos impostos, ela jamais está ajudando a construirmos a Sustentabilidade do Brasil em termos de Energia. Agora, tudo sendo Privatizado, os Políticos pegam mensalmente seu dinheirinho limpi , combi ado, por terem dado o que é do povo a esses empresários, multinacionais e assinam embaixo dos serviços péssimos prestados aos povo trabalhador, é só vermos o que ocorre em SP com a Enel. Ali está a prova de tudo.! Mais é preciso querer denunciar essa tramóia toda. E isso a imprensa não quer! Mas o brasileiro sequer busca conhecer quem o prejudica, quem lhe maltrata, aceita e pronto. Então estamos nesse vendaval de mentiras e culpando a nós, que compramos nosso Sistema de Energia Solar a e pagamos por ele. Ninguem nos doou, facilitou, pagamos juros, capital, tudo. O meu em paguei em 60 meses de 430,00 e por motivo de doença grave em idoso, nesta casa, preciso de mais 500 quilowatts por mês, mas não mereço ter o privilégio de pagar juros menores e justos, sem dar Dinheiro a banqueiros. Até esse Canal Solar se negou a me orientar, enquanto eu estudava as possibilidades para o caso do BNDES e Pessoas Físicas. Não me deram nem atenção! Não podemos contar , como residências, com este órgão . A resposta dada a mim, na época, era de que o Canal Solar só atende empresas e não tem informações para residências! Muito bem, adoroooo ser pisoteada!!!! MS você, autor dessa reportagem fez corretamente sua explicação e muito contribui para nos ajudar a termos mais lucidez e clareza sobre nosso papel na Matriz Energética, como residências e pequenos comércios, produtores rurais.
Excelente posicionamento. A única energia livre e grátis virá da Energia Solar após ela pagar o investimento: 3 anos pra se pagar e outros 30 sem custo (o custo de manutenção é muito pequeno).
É mas hoje tem muitos pagando por estes subsídios malucos. esta na hora de todos pagarem tarifas equilibradas. O rico nao paga mais energia e utiliza sim a rede quando nao tem sol. e ai ? quem paga esta diferença?
“A fala sem o devido conhecimento, implica no serviço da popularização da ignorância.”
Vou tentar explicar de maneira simples para facilitar o entendimento: O sistema instalado na casa do cidadão (seja rico, seja pobre), capta a luz solar e a transforma em energia que é IMEDIATAMENTE consumida pelos pontos de consumo elétrico de corrente continua instalados na residência, o EXCEDENTE – a energia que não é consumida é injetada na rede da concessionária como uma forma de POUPANÇA para ser consumida de volta a noite (QUANDO NÃO TEM SOL), e esse serviço é cobrado pela taxa do fio “B”. Ou seja, além de ser tributada a energia que foi depositada, os equipamentos também foram tributados. Não tem nada de graça, ao contrário, o setor de energia tem sido gravemente prejudicado.
Mas por ignorância, as pessoas que acreditam no discurso desse governo, cooperam para esse estado de atraso e manipulação das populações, não sei se você entende isso, provavelmente, não.
pagando subsídios?? o rico é dono de usina termelétrica querendo vender energia no tempo seco. painel solar é tudo classe média. ele tá pagando imposto. produzindo. não recebe nada além de desconto. e vem chamar de subsídio?! s rede todo usam chova ou faça sol dia e noite e todos pagam pelo consumo da rede mas quem produz paga pelo consumo e pelo fornecimento?? mas quando ele está fornecendo alguém está consumindo e a rede cobra duas vezes??? isso é subsídio ou é cobrança em duplicidade??
excelente posicionamento. Repito cada placa solar inserida pelos ricos ajudam também os pobres porque a energia hidráulica e térmica evitada beneficia todos.
esse discurso não interessa aos grandes interesseiros que mamam no setor