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Início / Notícias / Saiba como funciona o terramento de sistemas solares flutuantes

Saiba como funciona o terramento de sistemas solares flutuantes

As usinas fotovoltaicas flutuantes trazem maior rendimento na geração de energia
Acompanhe pelo Whatsapp
  • Foto de Mateus Badra Mateus Badra
  • 26 de setembro de 2020, às 14:40
3 min 16 seg de leitura

O sistema de aterramento é um item de suma importância para promover a segurança contra choques elétricos por contatos indireto e também é útil para proteção de equipamentos. Por definição, é uma ligação intencional com à terra, feita por um condutor ou conjunto de condutores.

No caso das FVFs (usinas fotovoltaicas flutuantes), esse sistema também é essencial, mas funciona de uma forma diferente. Segundo Paulo Freire, especialista em aterramento e SPDA (Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas) de grandes usinas, o aterramento na água é formado basicamente pela ancoragem das plantas.

“Geralmente usam-se cabos de aço inox fixados em poitas no leito do reservatório, interligado com a malha de aterramento em terra, da subestação do consumidor ou da concessionária”, explicou Freire.

No entanto, segundo o especialista, quando a usina está ligada à subestações de uma hidroelétrica, como já existe em alguns projetos no Brasil, a ligação do aterramento no lago, de aço inox, com o aterramento da subestação em terra, de cobre, forma uma pilha galvânica.

“As diferenças de potenciais naturais dos metais interligados somam-se as diferenças de potências resultantes da interligação de aterramentos em meios de diferentes resistividades (solo/água). Essa formação vai propiciar a corrosão do aço”, esclarece.

Ele comentou ainda que o aço submerso, mesmo inox, sofre um processo natural de corrosão, principalmente se estiver contato com lodo no fundo do reservatório, onde tem muitas bactérias que agravam tal processo.

“O uso do aço inox reduz o nível de corrosão, mas não elimina. Para evitar a formação da pilha galvânica, o ideal seria a separação das estruturas de aço e de cobre por meio de DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos). Porém, exigências de equipotencialidade podem inviabilizar a solução. Entao, isso ter que ser estudado ao nível de projeto. Temos que estudar a viabilidade de separar esses aterramentos para não violar critérios de normas pra podermos evitar o problema da corrosão galvânica”, ressaltou Freire.

Usinas flutuantes no Brasil

A primeira usina solar flutuante do país está localizada no reservatório da UHE de Porto Primavera, em Rosana (SP). Possui potência de 2 x 25 kWp e tensão de saída 440 Vca.

Já a maior em operação encontra-se no reservatório da UHE (usina hidrelétrica) de Sobradinho (BA). A primeira etapa conta com 1 MWp, inaugurada em julho de 2019, e terá capacidade de 2,5 MWp até 2020.

‘Usinas flutuantes vão dominar o mercado’

“Calculo que o mercado de FVF, nos próximos 10, 15 anos, deve superar as instalações em solo”. Essa é a previsão do engenheiro eletricista José Teixeira, especialista em FVF.

Segundo Teixeira, esse domínio irá acontecer pois esses sistemas solares apresentam algumas características que os colocam em vantagem em relação às usinas em terra. “A principal vantagem é que as FVFs tornam a operação do painel fotovoltaico mais fria, aumentando a eficiência na geração energética. Quando você eleva o sistema para cima d’água já tem o benefício enorme da refrigeração natural que isso proporciona”, explicou.

O projeto que está se beneficiando com tal vantagem é o do empreendedor Derek Wang. Ele é gerente de vendas da fabricante chinesa de módulos fotovoltaicos Znshine Solar, que instalou uma planta fotovoltaica flutuante de 5.28 kW em um reservatório localizado na cidade de Mococa (SP). No total, foram usados 16 painéis solares.

“A ideia surgiu quando enxergamos o grande potencial desse sistema. Então, fizemos um projeto-piloto justamente para que os clientes possam conhecer melhor e divulgar os seus benefícios”, disse Wang.

“As usinas fotovoltaicas flutuantes trazem maior rendimento na geração de energia. Como no Brasil existem muitos lagos, rios e represas, elas podem ser muito bem aproveitadas para isso”, acrescentou o executivo.

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Mateus Badra
Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020.
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