Santa Catarina firmou o primeiro contrato para a injeção comercial de biometano na rede estadual de gás canalizado. O acordo, celebrado entre H2A Bioenergia, SCGÁS e VOSSKO, marca o início do fornecimento do combustível renovável em escala comercial por meio da infraestrutura de distribuição existente no Estado.
O avanço ocorre em um mercado ainda pouco explorado no país. Segundo a ABREN (Associação Brasileira de Energia de Resíduos), o Brasil aproveita menos de 2% de seu potencial de produção de biometano.
O combustível pode ser obtido por meio da biodigestão anaeróbia de resíduos da suinocultura, bovinocultura, avicultura e de atividades agroindustriais. Depois de passar por processos de purificação e controle de qualidade, o biometano alcança características técnicas equivalentes às do gás natural de origem fóssil.
Essa compatibilidade permite que o combustível renovável seja transportado pela rede existente e substitua diretamente o gás natural, sem a necessidade de adaptações significativas em equipamentos ou processos industriais. Dessa forma, resíduos que representam um passivo ambiental no campo podem ser convertidos em fonte de energia.
“A primeira injeção de biometano na rede de distribuição demonstra que o uso desse combustível em escala comercial se tornou realidade em Santa Catarina”, afirma Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia.
Resíduos ganham valor energético
A produção de biometano possui relevância especial em Santa Catarina devido à presença das cadeias de proteína animal e ao volume de resíduos gerados pela atividade agropecuária. A biodigestão contribui para o tratamento adequado desses materiais e possibilita a produção descentralizada de um combustível renovável.
Para Yuri Schmitke, presidente da ABREN, o contrato pode abrir caminho para novos projetos no Estado. “Temos a convicção de que esse será o primeiro contrato de venda de muitos outros oriundos de usinas de biometano que utilizam dejetos de suínos.”
Além do uso industrial, o biometano desponta como alternativa para a descarbonização do transporte pesado de cargas. O combustível pode substituir gradualmente o diesel em frotas de caminhões, especialmente em operações com rotas regulares e acesso a uma infraestrutura de abastecimento.
O processo produtivo também gera biofertilizantes com valor agronômico, que podem retornar às propriedades rurais. O modelo cria, assim, um ciclo de aproveitamento dos resíduos: o material orgânico dá origem ao combustível renovável e a produtos que podem ser utilizados novamente na produção agropecuária.
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