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Solar, baterias, H2V e mobilidade elétrica: modelos de negócios e sustentabilidade

Os protagonistas de uma transformação significativa no setor energético e nos meios de transporte

Autor: 17 de agosto de 2023dezembro 21st, 2023Opinião
12 minutos de leitura
Solar, baterias, H2V e mobilidade elétrica: modelos de negócios e sustentabilidade

Tecnologias têm o potencial de impulsionar a sustentabilidade mundialmente. Foto: Freepik

Nos últimos anos, temos observado uma crescente conscientização sobre a importância da sustentabilidade e a necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Neste contexto, a energia solar, as baterias, o H2V (hidrogênio verde) e a mobilidade elétrica surgem como protagonistas de uma transformação significativa no setor energético e nos meios de transporte.

Estas tecnologias não apenas têm o potencial de impulsionar a sustentabilidade mundialmente, mas também de criar novos mercados, modelos de negócios e oportunidades de geração de renda.

Este artigo tem como objetivo explorar como a energia solar, as baterias, o hidrogênio verde e a mobilidade elétrica estão transformando o cenário global, apresentando dados de investimentos em energias renováveis e mobilidade elétrica, no Brasil e no mundo.

Energia solar: uma revolução energética em curso

A energia solar fotovoltaica é uma das formas mais limpas e abundantes de energia disponíveis. À medida que a tecnologia avança, os custos de instalação e produção de energia solar continuam a diminuir, tornando-a cada vez mais acessível.

De acordo com a IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável), o investimento global em energia solar em 2022 atingiu US$ 500 bilhões, um aumento de 19% em relação ao ano anterior.

As perspectivas para o setor são ainda mais promissoras, com previsões de que o investimento global em energia solar atingirá US$ 2,5 trilhões até 2030, impulsionado pela demanda crescente e pela redução contínua dos custos.

No Brasil, o setor solar vem apresentando um crescimento exponencial. O país possui um dos melhores recursos solares do mundo e, de acordo com a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o investimento acumulado em energia solar ultrapassou R$ 113,3 bilhões em novos investimentos e gerando mais de 670 mil novos empregos.

A capacidade instalada de energia solar atingiu 30 GW de potência em junho deste ano no país, sendo 21 GW em GD (geração distribuída) e 9 GW em GC (geração centralizada) de grandes usinas, um número significativo em relação aos anos anteriores.

As projeções indicam que até 2030, 80% da matriz energética do Brasil venha de energias renováveis, segundo o MME (Ministério de Minas e Energia).

Baterias: armazenando energia e criando novos mercados

Um dos desafios da energia renovável é sua intermitência, ou seja, a geração depende das condições climáticas. No entanto, as baterias de armazenamento de energia têm o potencial de superar esse obstáculo, permitindo o armazenamento de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis para uso posterior.

Essa tecnologia tem avançado rapidamente, impulsionando a confiabilidade e a capacidade de integração de fontes renováveis na matriz energética.

O mercado global de baterias de armazenamento de energia cresceu significativamente nos últimos anos. De acordo com a BloombergNEF, em 2020, o investimento global em projetos de baterias de armazenamento de energia ultrapassou US$ 13 bilhões, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

A perspectiva para o crescimento desse mercado é ainda mais promissora. Estima-se que até 2030, o investimento global em baterias de armazenamento de energia alcance a marca de US$ 1,3 trilhões, impulsionado pela demanda crescente por soluções de armazenamento de energia renovável e pela necessidade de estabilizar a rede elétrica em face da geração intermitente.

No Brasil, o mercado de baterias de armazenamento de energia também está em ascensão. A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) estabeleceu diretrizes para a regulamentação da geração distribuída com armazenamento no país, o que impulsionará o uso de baterias em conjunto com sistemas fotovoltaicos.

Até 2030, espera-se que o mercado brasileiro de baterias de armazenamento de energia cresça significativamente, impulsionado por incentivos governamentais e pela necessidade de estabilização da rede elétrica.

Hidrogênio verde: uma fonte promissora de energia limpa

O hidrogênio verde, produzido a partir de fontes renováveis, está emergindo como uma solução promissora para a descarbonização de setores que são difíceis de eletrificar, como o transporte pesado e a indústria.

Ao utilizar energia solar e eólica para produzir hidrogênio, é possível obter uma fonte de energia limpa e livre de emissões de carbono.

Globalmente, o investimento no setor de hidrogênio verde tem aumentado rapidamente. De acordo com a IAE (Agência Internacional de Energia) e o BCG (Boston Consulting Group), o investimento global em projetos relacionados ao hidrogênio verde ficará entre 6 e 12 trilhões de dólares entre 2025 e 2050.

A perspectiva é que o mercado de hidrogênio verde alcance US$ 500 bilhões até 2050, impulsionado pela necessidade de descarbonização e pela crescente demanda por soluções de energia limpa.

Em 2021 houve uma demanda global de hidrogênio de cerca de 94 milhões de toneladas. Porém, no cenário de 2050, a demanda pelo combustível de baixo carbono chegará entre 350 e 530 milhões de toneladas por ano.

No Brasil, o potencial para o desenvolvimento do hidrogênio verde é significativo. O país possui uma matriz energética diversificada, com alta disponibilidade de fontes renováveis, o que permite a produção de hidrogênio verde de forma sustentável.

Além disso, o Brasil é um dos maiores produtores de hidrogênio a partir de gás natural, o que pode ser uma base sólida para a transição para o hidrogênio verde.

O país já vem desenvolvendo projetos-piloto e iniciativas para impulsionar o uso do hidrogênio verde em diferentes setores, incluindo o transporte e a indústria. O Brasil tem um custo competitivo de produção, transporte atrativo para mercado de exportação e potencial para operar em larga escala.

Projetos em diversos estados já têm recebido investimentos internacionais para iniciativas de H2 verde, com foco no atendimento ao mercado externo e interno.

Mobilidade elétrica: o futuro sobre rodas

A mobilidade elétrica tem sido uma das principais impulsionadoras da transição para um transporte mais sustentável. Com a crescente disponibilidade de veículos elétricos e a expansão da infraestrutura de recarga, espera-se uma adoção em massa dos veículos elétricos nos próximos anos.

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Quanto maior a autonomia dos carros elétricos, maior é o desafio

Globalmente, o investimento em mobilidade elétrica tem sido significativo. De acordo com a IEA, em 2020, o investimento em veículos elétricos e infraestrutura de carregamento ultrapassou US$ 120 bilhões, representando um aumento de 50% em relação ao ano anterior.

Espera-se que ultrapasse os US$ 65 bilhões em todo o mundo até 2040. As perspectivas para a mobilidade elétrica são bastante otimistas, com projeções indicando que até 2030, a frota global de veículos elétricos pode chegar a mais de 230 milhões de unidades. De receita de US$ 1 bilhão na indústria de veículos elétricos.

No Brasil, estima-se que haverá 11 milhões de carros elétricos até 2040, representando um aumento de 20% em relação à frota atual. A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) relatou que somente em 2022 foram emplacados cerca de 49,3 mil carros elétricos e híbridos de passeio e comerciais leves.

Esses números representam um aumento de aproximadamente 41% em comparação a 2022 e correspondem a 37% da frota atual de carros elétricos no Brasil.

No Brasil, a mobilidade elétrica está começando a ganhar tração. O país tem demonstrado um crescente interesse em veículos elétricos, impulsionado por políticas governamentais, incentivos fiscais e a conscientização sobre a importância da redução das emissões de carbono.

Em 2020, o investimento em mobilidade elétrica no Brasil ultrapassou R$ 2 bilhões, com um aumento de mais de 20% nas vendas de veículos elétricos em relação ao ano anterior.

A expectativa é que até 2030, os veículos elétricos representem uma parcela significativa da frota brasileira, impulsionando a demanda por infraestrutura de carregamento e serviços relacionados.

Para acompanhar o crescimento esperado da frota de veículos elétricos, investimentos significativos serão necessários na infraestrutura de recarga.

Segundo estudo realizado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) em parceria com o Boston Consulting Group, no cenário de convergência global, haverá a necessidade de instalação de ao menos 150 mil carregadores para atender os veículos eletrificados. Atualmente existem aproximadamente 3.000 eletropostos espalhados pelo Brasil.

Sinergia entre solar, armazenamento e H2V

A sinergia entre a energia solar, baterias, hidrogênio verde e mobilidade elétrica cria uma oportunidade única para o desenvolvimento de novos mercados e modelos de negócios sustentáveis.

A combinação dessas tecnologias permite a criação de sistemas integrados de energia, em que a energia solar é captada e armazenada em baterias ou utilizada para a produção de hidrogênio verde, que, por sua vez, pode ser utilizado para alimentar veículos elétricos.

Essa interconexão de setores cria oportunidades de negócios ao longo de toda a cadeia de valor. Empresas podem se especializar na instalação e manutenção de sistemas fotovoltaicos, na produção e comercialização de baterias de armazenamento de energia, no desenvolvimento de infraestrutura de hidrogênio verde e na fabricação e distribuição de veículos elétricos.

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Além disso, serviços de recarga, soluções de gestão de energia e aplicativos de mobilidade elétrica também podem ser desenvolvidos para atender às necessidades crescentes desse mercado.

Essa transição energética e de mobilidade não apenas traz benefícios ambientais, como a redução das emissões de gases de efeito estufa e a melhoria da qualidade do ar, mas também impulsiona a geração de empregos e a economia como um todo.

Segundo estimativas da IRENA, até 2030, a transição para as energias renováveis pode criar mais de 30 milhões de empregos em todo o mundo.

Em resumo, a energia solar, baterias, hidrogênio verde e mobilidade elétrica estão impulsionando uma transformação significativa nos setores de energia e transporte. Os investimentos em energia renovável e mobilidade elétrica têm crescido rapidamente em todo o mundo, incluindo o Brasil, e as perspectivas para os próximos anos são promissoras.

Essas tecnologias não apenas proporcionam uma transição para um modelo energético mais sustentável, mas também criam novos mercados, modelos de negócios e oportunidades de renda, impulsionando a economia e a geração de empregos.

É fundamental que governos, empresas e sociedade trabalhem juntos para promover ainda mais essa transição energética e de mobilidade. Políticas públicas favoráveis, incentivos fiscais, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e parcerias entre governos, empresas e instituições acadêmicas são essenciais para impulsionar o crescimento desses setores.

Segurança energética

Além dos benefícios ambientais e econômicos, a transição para a energia solar, baterias, hidrogênio verde e mobilidade elétrica também promove a segurança energética.

Ao diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, os países podem se tornar menos vulneráveis a choques externos, como flutuações nos preços do petróleo.

No Brasil, é fundamental aproveitar o imenso potencial que o país possui em termos de energia solar, recursos naturais e matriz energética diversificada. O investimento em energia renovável e mobilidade elétrica pode impulsionar o crescimento econômico, gerar empregos de qualidade e promover a sustentabilidade a longo prazo.

Em relação à energia solar, é importante continuar a incentivar a instalação de sistemas fotovoltaicos em residências, empresas e instalações públicas. Além disso, investimentos em pesquisa e desenvolvimento devem ser incentivados para melhorar a eficiência e reduzir ainda mais os custos dos painéis solares.

No que diz respeito às baterias, é necessário continuar a investir em tecnologias de armazenamento de energia, visando aumentar a capacidade de armazenamento e melhorar a vida útil das baterias. Isso garantirá uma maior integração de fontes renováveis na rede elétrica, fornecendo eletricidade limpa e confiável quando necessário.

Quanto ao hidrogênio verde, é fundamental promover investimentos em infraestrutura e tecnologias de produção, armazenamento e distribuição. Parcerias público privadas podem ser estabelecidas para impulsionar o desenvolvimento dessa indústria e estimular o uso do hidrogênio verde em setores chave, como transporte pesado, indústria e geração de energia.

No campo da mobilidade elétrica, é crucial expandir a infraestrutura de recarga em todo o país, tornando-a acessível e conveniente para os usuários. Incentivos fiscais e políticas de estímulo à aquisição de veículos elétricos devem ser implementados para impulsionar a demanda e acelerar a transição para uma frota mais limpa.

Em conclusão, a energia solar, baterias, hidrogênio verde e mobilidade elétrica estão desempenhando um papel fundamental na transformação dos setores de energia e transporte em direção a um futuro mais sustentável.

Os investimentos globais nesses segmentos estão em ascensão e o Brasil possui um grande potencial para liderar essa transição. Ao promover a inovação, criar novos modelos de negócios e oportunidades de renda, podemos não apenas combater as mudanças climáticas, mas também impulsionar o desenvolvimento econômico e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

É hora de abraçar essa transição e construir um futuro mais verde e próspero para todos.


As opiniões e informações expressas são de exclusiva responsabilidade do autor e não obrigatoriamente representam a posição oficial do Canal Solar.

Marcelo Abuhamad

Marcelo Abuhamad

Administrador, empreendedor, sócio fundador do Bonö Group com larga experiência em negócios no setor de energia. Possui experiência acumulada de mais de 1,2 mil projetos desenvolvidos no setor de energia e mais de 300 MW de portfólio. Motivado em transformar positivamente negócios e pessoas.

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