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Início / Notícias / Temporal no Sul de Minas: módulos FV suportam granizo?

Temporal no Sul de Minas: módulos FV suportam granizo?

Especialistas ouvidos pelo Canal Solar discorrem sobre o assunto e apontam quais seguros cobrem temporais
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  • Foto de Mateus Badra Mateus Badra
  • 16 de novembro de 2022, às 16:13
4 min 27 seg de leitura
Chuva deixa ruas de Alterosa (MG) cobertas com gelo. Foto: Redes Sociais

O forte temporal de granizo, que caiu na semana passada no Sul de Minas, deixou estragos em pelo menos 19 cidades da região. Em Cabo Verde, as ruas ficaram tomadas de gelo e foi preciso até uma escavadeira para retirá-lo.

Já em Campos Gerais, por exemplo, a chuva provocou queda de energia e de árvores, veículos danificados e telhados quebrados. Segundo a Defesa Civil, pelo menos 600 casas foram atingidas pelo temporal, que durou cerca de 25 minutos.

Desse total, é possível que algumas casas possuíam sistemas fotovoltaicos instalados. Dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontam que o município conta com 332 usinas de GD (geração distribuída) fotovoltaica, sendo que destas, 130 estão instaladas em residências.

Chuva de granizo causa estragos em Campos Gerais (MG). Foto: Redes sociais
Chuva de granizo causa estragos em Campos Gerais (MG). Foto: Redes sociais

Portanto, diante de um cenário como este, será que os painéis solares suportam granizo? Existe também algum seguro que cobre este tipo de dano? O Canal Solar conversou com especialistas que discorreram sobre o assunto. Confira:

Módulos suportam granizo?

Segundo Mendelsson Rainer, pesquisador do LESF (Laboratório de Energia e Sistemas Fotovoltaicos da Unicamp), os módulos fotovoltaicos são preparados para suportar eventos de granizo até uma determinada intensidade.

“Internacionalmente, os painéis são testados de acordo com a norma IEC 61215-2:2021, que traz em seu escopo diversos testes de durabilidade e qualidade”, apontou.

Existe nesta norma um teste que verifica a capacidade do módulo de suportar o impacto do granizo. A durabilidade da placa é testada em laboratório com uma máquina que produz bolas de gelo de diferentes diâmetros e é capaz de arremessá-las a diferentes velocidades.

“As bolas de gelo devem atingir locais específicos do painel fotovoltaico. A aprovação do módulo neste teste dependerá da potência máxima perdida”, relatou Rainer.

“É aceitável uma degradação de potência inferior a 5%, desde que sua isolação elétrica não tenha sido comprometida durante o teste e não tenham ocorrido danos visíveis ao vidro”, explicou.

É seguro manter o sistema com módulos quebrados em funcionamento?

O professor Marcelo Villalva, diretor do LESF, afirma que o objetivo dos testes de certificação é verificar as condições mínimas de durabilidade e funcionamento em caso de ocorrências de granizo.

“Entretanto, eventos atmosféricos intensos e atípicos podem causar estragos irreversíveis aos painéis fotovoltaicos – e neste caso eles devem ser substituídos”, ressaltou.

Para ele, módulos com vidro danificado devem ser retirados de utilização. “Mesmo que aparentemente o sistema continue em bom funcionamento após a quebra dos módulos, existe o risco de originação de correntes reversas ou mesmo arcos elétricos, que podem originar incêndios e causar estragos maiores”.

“Painéis danificados não podem ser reparados e devem ser substituídos por novos. Recomenda-se a substituição por módulos de potência compatível, com o mesmo número de células e com corrente de curto-circuito ligeiramente superior à do módulo original”, concluiu Villalva.

Para mais informações, confira o artigo: Substituição de módulos fotovoltaicos defeituosos, publicado na 7º edição da Revista Canal Solar.

Seguro para módulos FV

Monclair Araújo, diretor da Pulsar Energia Solar, comentou sobre o temporal que atingiu o Sul de Minas e fez um alerta sobre a importância da contratação de seguros para equipamentos fotovoltaicos.

“Acho que serve de alerta para que o seguro seja considerado. E também em caso de danos, desligarem o sistema até a solução, para evitar riscos de incêndio”, apontou.

Mas qual seguro cobre os prejuízos causados por temporais? Vanda Somera, diretora da Visioni Corretora de Seguro, esclarece que cada seguradora possui suas regras no eventual sinistro, sendo assim avaliado caso a caso.

De acordo com Sidney Cezarino, diretor de Property, Riscos de Engenharia, Riscos Diversos e Energy da Tokio Marine, quando os módulos fotovoltaicos já estão operando, é preciso primeiro definir qual será o destino da energia gerada pelo equipamento.

Nos casos em que a energia gerada pelos painéis tem como objetivo o uso próprio, o seguro ideal é o de equipamentos, sendo o produto Agro para as instalações em zonas rurais e o de RD (Riscos Diversos) para as que se encontram em zonas urbanas.

“Este seguro protege equipamentos fotovoltaicos, após o término da montagem, ou seja, quando já estão operando. É uma proteção para o patrimônio. A cobertura básica oferecida cobre danos provocados por incêndios de qualquer natureza, raios, explosões, roubos e furtos qualificados, vendavais, granizo, ou qualquer dano de causa externa”, explicou.

Seguro para painéis solares traz benefícios para empresas e consumidores

Jarbas Medeiros, diretor-executivo da Porto Seguro, comentou que a empresa oferece cobertura aos painéis solares fotovoltaicos em casos semelhantes ao ocorrido no Sul de Minas.

“Temos uma cobertura específica para placas solares, que ampara os prejuízos em caso de danos elétricos, por vendaval ou queda de granizo, quebra de vidros e até em casos de roubo ou furto, indo além de amparos voltados somente para fenômenos naturais. Nessa cobertura, o segurado será indenizado de acordo com o valor que contratou”, afirmou.

Vendaval e cobertura de seguros em sistemas fotovoltaicos

chuvas módulos normas
Foto de Mateus Badra
Mateus Badra
Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020.
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