1º cooperativa de energia solar em uma favela brasileira tem obras iniciadas

A previsão é que o reforço do prédio seja finalizado em quatro semanas

Foi dado o pontapé inicial das obras da primeira cooperativa de fonte fotovoltaica em uma favela brasileira. A usina de 25 kWp fornecerá energia para as comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira, localizadas no Rio de Janeiro (RJ).

Segundo a ONG Revolusolar, idealizadora do projeto, as obras de reforço do prédio da Associação de Moradores da Babilônia, que vai receber o sistema fotovoltaico, começaram nesta semana.

“A previsão é que o reforço do prédio seja finalizado em quatro semanas. A planta terá 58 painéis solares de 430 W, fornecidos pela fabricante LONGi, e um inversor fotovoltaico fornecido pela GoodWe. O módulos fotovoltaicos chegam no final de novembro e a instalação será no início de dezembro, feita em parceria com a LocalPower. “A comunidade está ansiosa”, comentou Eduardo Avila, diretor-executivo da Revolusolar.

Preparativos para a instalação

Visando a qualidade da instalação da usina, os moradores das comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira realizaram, nesta sexta-feira (6), um treinamento sobre instalação e segurança de sistemas fotovoltaicos.

O treinamento, fruto de uma parceria entre a ONG e o Canal Solar, foi ministrado pelo engenheiro eletricista Mateus Vinturini e teve como objetivo capacitar e orientar os profissionais que vão instalar a primeira cooperativa de energia em solar em um favela no Brasil.

Bruno Kikumoto, diretor-executivo do Canal Solar, destacou que o ideal do projeto atraiu a atenção da empresa e foi o principal motivo para a parceria.

“Quando conhecemos melhor o projeto, vimos o quão robusto era e os benefícios que trará à comunidade, não exitamos em participar. Por isso, conversamos com o pessoal da organização e identificamos a necessidade de fazer um treinamento dirigido para o projeto que será executado. Com isso, tivemos a oportunidade de transmitir o conhecimento e aproveitar nossa experiência para os instaladores”, relatou Kikumoto.

O eletricista Adalberto Silva de Almeida, co-fundador da Revolusolar e o primeiro instalador de energia solar fotovoltaica de uma favela no Brasil, participou do curso e destacou o aproveitamento para toda a equipe da ONG.

“O curso foi muito produtivo. O Mateus respondeu a todas perguntas e tirou as dúvidas de todos os alunos. Além disso, os alunos estão bem empenhados e anotaram tudo que acham interessante”, relatou Almeida.

“Fico feliz em poder ajudar com conhecimento e capacitação. A redução da conta de energia sempre é significativa, e, aliado a capacitação dos instaladores locais, acredito que a ONG esteja fazendo um ótimo trabalho”, afirmou Vinturini.

Redução na fatura de energia

A implantação da usina deve impactar positivamente as duas comunidades instaladas na capital carioca, já que a tarifa de energia no estado do Rio de Janeiro é uma das mais caras do país.

Segundo Avila, a redução do custos de mais de 80% da energia fotovoltaica na última década e a sustentabilidade da fonte solar são os principais fatores que motivaram a realização deste projeto.

“A ideia de que energia solar é coisa de rico é mito. Energia fotovoltaica é uma ferramenta muito mais importante para a camada mais pobre. Enquanto a classe alta gasta cerca de 3% a 4% da renda com energia, a baixa renda chega a gastar 30% a 40%. Então, é uma ferramenta muito importante para a questão econômica para reduzir despesas com energia”, destacou Avila.

Além do Canal Solar, o projeto conta com apoio da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar) e das empresas LONGi e GoodWe, que vão doar os equipamentos necessários para a implantação da usina na comunidade.

Imagem de Ericka Araújo
Ericka Araújo
Head de jornalismo do Canal Solar. Apresentadora do Papo Solar. Desde 2020, acompanha o mercado fotovoltaico. Possui experiência em produção de podcast, programas de entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Em 2019, recebeu o Prêmio Jornalista Tropical 2019 pela SBMT e o Prêmio FEAC de Jornalismo.

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