A Axia Energia aprovou um novo investimento de R$ 20 milhões para integrar sua usina solar de concentração (heliotérmica) a um data center em Petrolina (PE). O objetivo é avaliar como a tecnologia pode contribuir para reduzir o consumo de energia destinado ao resfriamento de servidores e equipamentos de processamento de dados.
A usina piloto utiliza espelhos para concentrar a radiação solar em uma torre central, gerando simultaneamente eletricidade e calor. Enquanto a energia elétrica pode ser utilizada normalmente, o calor é aproveitado para alimentar um sistema de refrigeração por absorção, capaz de produzir água gelada para climatização de instalações industriais e data centers.
Segundo a empresa, a proposta busca aproveitar uma das maiores demandas energéticas dos data centers: a refrigeração. Isso porque, com o crescimento da IA (inteligência artificial), da computação em nuvem e do processamento de dados, o consumo de energia para resfriamento vem ganhando cada vez mais relevância na operação dessas estruturas.
Ao todo, a planta possui capacidade instalada de 1 MW de geração elétrica e 2,2 MW de energia térmica. Desde sua implantação, o projeto já recebeu mais de R$ 74 milhões em investimentos, dos quais cerca de R$ 68 milhões vieram de recursos do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Além de estudar aplicações para data centers, a companhia avalia o potencial da tecnologia para competir, no futuro, com sistemas de armazenamento em baterias e até mesmo com termelétricas em aplicações que exigem flexibilidade e despacho de energia.
De acordo com a Axia Energia, a planta consegue armazenar energia térmica por até três dias e realizar despachos de até 17 horas consecutivas, característica considerada estratégica para um sistema elétrico com crescente participação de fontes renováveis.
A empresa também desenvolve outros projetos voltados à integração entre geração renovável, armazenamento e data centers. Na Bahia, por exemplo, opera uma planta híbrida que combina energia solar, eólica, baterias e um data center voltado à mineração de bitcoin, com foco em aumentar a flexibilidade operacional e reduzir perdas associadas a restrições de transmissão e cortes de geração.
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