O diretor de Solar, BESS e Building da WEG, Harry Neto, revelou em entrevista exclusiva ao Canal Solar que a companhia pretende participar do futuro leilão de baterias ao lado de parceiros estratégicos, atuando como fornecedora de equipamentos e serviços EPC (Engineering, Procurement and Construction).
Segundo o executivo, a empresa não pretende disputar diretamente os ativos do leilão, mas sim atuar em conjunto com investidores e empresas do setor elétrico responsáveis pela operação dos projetos.
“A WEG não fica com o ativo porque não concorremos com os nossos clientes. A gente vai junto com o parceiro como fornecedor de equipamentos e de serviços, fazendo o full EPC de bateria”, afirmou.
De acordo com Harry Neto, a WEG também prepara uma solução nacional de BESS (Battery Energy Storage System) de 6,9 MWh fabricada no Brasil – movimento alinhado à expectativa de que o leilão possa trazer incentivos para projetos com conteúdo local.
O executivo explicou ainda que a companhia já negocia pré-acordos com parceiros interessados em participar do certame, principalmente em função da capacidade produtiva inicial da fábrica. “A gente está negociando pré-acordos para ir junto no leilão”, acrescentou.
Baterias já representam 20% do valor financeiro dos kits vendidos pela WEG
Perguntado sobre o cenário de investimentos em armazenamento, Harry Neto disse que o mercado brasileiro já começa a apresentar crescimento relevante, especialmente nos segmentos residencial, comercial e industrial.
Segundo ele, embora os sistemas com baterias ainda não representem a maioria das vendas em volume da companhia, eles já respondem por cerca de 20% do valor financeiro dos kits comercializados atualmente pela empresa.
“Pela queda do preço dos módulos fotovoltaicos e pelo valor agregado das baterias, os sistemas com armazenamento já representam algo em torno de 20% do valor financeiro dos kits vendidos hoje na WEG”, revelou.
O executivo destacou que a WEG já comercializa baterias de 5 kW e 10 kW no mesmo canal utilizado pela geração distribuída solar, além de soluções maiores voltadas ao segmento empresarial.
Crescimento forte do armazenamento nos próximos anos
Segundo ele, o avanço da tecnologia no mercado residencial ainda está muito ligado às aplicações de backup em casos de interrupção no fornecimento de energia. Já no segmento comercial e industrial, as baterias começam a ser utilizadas em estratégias mais sofisticadas, como peak shaving e empilhamento de receitas.
Harry Neto ainda disse que a expectativa da companhia é de forte crescimento da integração entre energia solar e baterias nos próximos anos, impulsionada por fatores como inversão de fluxo, curtailment e futuras tarifas dinâmicas. “Acreditamos que, em um horizonte de cinco anos, algo próximo de dois terços dos sistemas solares novos já devem incluir baterias”, afirmou.
Segundo ele, mercados internacionais já começam a exigir armazenamento associado às usinas solares, movimento que tende a ganhar força também no Brasil. “No México, por exemplo, já existem regras em que você não pode fazer usina solar sem bateria. Essa é uma tendência que deve começar a acontecer aqui também”, avaliou.
Mobilidade elétrica
Harry Neto também comentou o posicionamento da WEG no mercado de mobilidade elétrica. Segundo o executivo, a companhia já atua fortemente no fornecimento de sistemas de tração elétrica, baterias e infraestrutura de recarga para ônibus elétricos, caminhões e aplicações especiais.
A empresa também atua no fornecimento de carregadores rápidos e equipamentos de recarga em corrente alternada para veículos elétricos. “A WEG hoje é uma das maiores fornecedoras do Brasil para ônibus elétricos, incluindo bateria e sistemas de tração”, afirmou.
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