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Conta de luz: após bandeira vermelha em outubro de 2024 e 2025, mês voltou à verde em 2026. O que isso indica?

Diferente da bandeira vermelha, que aplica taxa extra mais alta na conta de luz, a verde garante o consumo sem nenhum adicional

Canal Solar - O que mudou para outubro ter bandeira verde após 2 anos no vermelho

Foto: Magnific

A conta de luz voltou a ter bandeira verde em outubro de 2026, diferentemente do mesmo mês de 2024 e 2025, quando vigorou a bandeira vermelha, com cobrança adicional para os consumidores.

A mudança foi anunciada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 25 de setembro, após cinco meses consecutivos de bandeira amarela. Com isso, deixa de ser cobrado o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

A bandeira verde indica condições mais favoráveis para a geração de energia. Segundo a ANEEL, o aumento das chuvas em regiões do Sul e do Sudeste ajudou a estabilizar os reservatórios das hidrelétricas. O cenário previsto para outubro também permite reduzir a necessidade de acionamento de fontes mais caras, como as termelétricas.

A mudança encerra, por enquanto, a cobrança extra que acompanhou boa parte do período seco. No início de 2026, a energia armazenada nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste passou de 47%, no fim de janeiro, para 66%, no encerramento de abril, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Durante esses quatro meses, a bandeira permaneceu verde.

A partir de maio, porém, a ANEEL acionou a bandeira amarela. Com a redução das chuvas, diminui o volume de água que chega às bacias hidrográficas utilizadas para a geração hidrelétrica, o que pode elevar os custos de operação do sistema.

Embora os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste ainda registrassem 66% de energia armazenada no fim de junho, o percentual recuou para 58% no encerramento de agosto.

O que aconteceu nos anos anteriores?

Em 2024, a bandeira permaneceu verde de janeiro a junho. Em julho, passou para amarela, retornou à verde em agosto e chegou à vermelha patamar 2 em setembro e outubro, com a cobrança do adicional mais elevado previsto no sistema.

Em 2025, o período de cobrança começou mais cedo e se prolongou por mais meses. Após quatro meses de bandeira verde, maio registrou bandeira amarela. Em junho e julho, vigorou a vermelha patamar 1, que subiu para o patamar 2 em agosto e setembro. Outubro permaneceu com bandeira vermelha, mas no patamar 1.

 

Assim, outubro de 2026 interrompe uma sequência de dois anos em que o mesmo mês registrou bandeira vermelha, sinalizando condições de geração mais favoráveis neste momento.

Uma das variáveis que permanecem no radar do setor elétrico é o El Niño. Em julho, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) aprovou medidas preventivas diante da elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno no segundo semestre.

Entre os possíveis efeitos apontados pelo comitê estão a redução da disponibilidade de geração de energia na região Norte e o aumento do consumo de eletricidade associado às temperaturas mais elevadas.

Por enquanto, os dados de setembro indicam melhora das afluências em parte do país. Na revisão do PMO (Programa Mensal de Operação) referente à semana de 19 a 25 de setembro, o ONS projetava afluências equivalentes a 143% da MLT (Média de Longo Termo) no Sudeste/Centro-Oeste e a 254% no Sul.

Se as condições hidrológicas voltarem a piorar nos próximos meses, os custos de geração poderão aumentar, levando a ANEEL a acionar novamente uma bandeira com cobrança adicional.

Vale destacar que o nível dos reservatórios não determina, isoladamente, a cor da bandeira. A metodologia também considera o risco hidrológico e a previsão do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), referência utilizada no mercado de energia de curto prazo.

Os custos da geração termelétrica e outros fatores que afetam as distribuidoras também integram a avaliação. Por isso, mesmo com volumes consideráveis de água armazenada, o sistema elétrico pode enfrentar condições de geração mais caras.

Como funcionam as bandeiras tarifárias?

As bandeiras sinalizam a variação mensal do custo de geração de energia. Na verde, não há adicional. Na amarela, são cobrados R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A vermelha tem dois patamares: R$ 4,463 e R$ 7,877 a cada 100 kWh.

Para uma residência que consome 300 kWh no mês, o adicional seria de aproximadamente R$ 5,66 sob bandeira amarela, R$ 13,39 na vermelha patamar 1 ou R$ 23,63 na vermelha patamar 2, antes dos tributos. 

Os valores crescem na mesma proporção que o consumo. Em um comércio que consome 10 mil kWh por mês, a bandeira amarela acrescentaria R$ 188,50 à fatura. Na vermelha, o adicional subiria para R$ 446,30 no patamar 1 e R$ 787,70 no patamar 2, também antes dos tributos. 

Nesse último caso, a diferença entre um mês de bandeira verde e outro de vermelha patamar 2 se aproxima de R$ 800,00 para o mesmo volume de energia. 

Qual é o efeito para quem instala energia solar?

A bandeira tarifária também importa para a análise econômica de um sistema fotovoltaico. Pelas regras da ANEEL, o adicional não incide sobre a energia compensada no SCEE (Sistema de Compensação de Energia Elétrica). 

Portanto, quando a bandeira é amarela ou vermelha, cada kWh compensado pode evitar um gasto maior do que em um mês de bandeira verde. 

Se os 300 kWh consumidos da rede por uma residência forem integralmente compensados no ciclo de faturamento, por exemplo, o consumidor evita também o adicional que incidiria sobre essa energia: cerca de R$ 5,66 sob bandeira amarela ou R$ 23,63 sob vermelha patamar 2, antes dos tributos. 

Para um comércio, o efeito pode alcançar valores maiores, conforme o consumo e a quantidade de energia compensada. A parcela que continuar sendo faturada pela distribuidora permanece sujeita à bandeira vigente. Para o integrador, meses com bandeiras mais caras podem ampliar a economia observada pelo cliente. 

Na projeção de retorno do investimento, porém, é preciso considerar diferentes cenários. Tratar a cobrança extra como permanente pode superestimar a economia futura, como mostra a passagem da bandeira amarela para a verde entre setembro e outubro de 2026.

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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