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Bolsa cai 17,5% após eleições; ações de empresas de energia recuam até 33%

Energisa e Equatorial lideram perdas entre as maiores companhias do setor elétrico após resultado do segundo turno

Canal Solar - Bolsa cai 17,5% após eleições; ações de empresas de energia recuam até 33%

Foto: Ilustração/Canal Solar

O resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 provocou forte reação no mercado financeiro brasileiro. Entre o fechamento de sexta-feira (23) e quinta-feira (29) de outubro, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumulou queda de 17,5%, com ações de empresas do setor elétrico registrando desvalorizações superiores a 30%.

O movimento começou na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, o Ibovespa recuou 13,88%, fechando o dia nos 176.357 pontos, o pior desempenho diário desde março de 2020.

A intensidade das vendas levou a B3 a acionar o mecanismo de *circuit breaker*, que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte volatilidade. Até quinta-feira (29), o índice chegou a 169.186 pontos, contra 205.082 pontos registrados no último pregão antes do segundo turno.

O setor elétrico também acompanhou o movimento de desvalorização, embora com diferenças expressivas entre as companhias, conforme levantamento realizado pelo Canal Solar com 12 das principais empresas listadas na B3, considerando os segmentos de geração, transmissão e distribuição.

Energisa e Equatorial registram as maiores quedas

Entre as empresas do setor analisadas, a Energisa (ENGI11) apresentou a maior desvalorização do período. As ações da companhia passaram de R$ 66,47, em 23 de outubro, para R$ 44,50 no fechamento de 29 de outubro, queda de 33,1%.

Na sequência aparece a Equatorial Energia (EQTL3), cujas ações recuaram de R$ 48,88 para R$ 32,90, desvalorização de 32,7%. A Auren Energia (AURE3) também registrou uma perda expressiva, de 28%, passando de R$ 15,24 para R$ 10,97 no período.

Outras companhias tiveram quedas entre 12% e 20%. É o caso da Alupar (ALUP11), com recuo de 19,1%; Eneva (ENEV3), com 18%; Axia Energia (AXIA3), com 17,8%; e Copel (CPLE3), com 16,4%. A tabela a seguir apresenta a variação das ações das 12 companhias.

Foto: Ilustração/Canal Solar

O que explica a reação do mercado?

A forte desvalorização está relacionada à mudança nas expectativas dos investidores após o resultado eleitoral. Antes do segundo turno, parte do mercado havia montado posições apostando em uma alternância de governo, movimento que contribuiu para a valorização dos ativos brasileiros nas semanas anteriores.

Com a reeleição de Lula, essas posições começaram a ser revertidas, enquanto aumentaram as preocupações com a trajetória das contas públicas e a condução da política fiscal. A incerteza sobre o cenário econômico brasileiro levou investidores a exigir maior remuneração para assumir riscos no Brasil.

A reação também foi observada no mercado de câmbio e de juros. Já na segunda-feira (26), o dólar comercial avançou 8,21%, encerrando o pregão a R$ 5,403, enquanto os contratos de juros futuros registraram forte alta.

Esse movimento é relevante para empresas do setor elétrico porque a elevação das expectativas de juros pode encarecer financiamentos, aumentar despesas financeiras e alterar a avaliação de projetos que exigem investimentos elevados e apresentam retorno de longo prazo.

Desvalorização não significa necessariamente piora operacional

Apesar das perdas expressivas na Bolsa, a variação das ações não representa, por si só, uma deterioração dos resultados operacionais das companhias.

O preço dos papéis também reflete as expectativas dos investidores sobre juros, risco fiscal, endividamento, investimentos futuros e perspectivas de crescimento.

Além disso, as empresas analisadas possuem modelos de negócios distintos. Companhias de geração, transmissão e distribuição apresentam diferentes estruturas de receitas, necessidades de capital e exposição às condições do mercado financeiro.

Por isso, a reação negativa das ações não deve ser interpretada como um indicador isolado da situação financeira ou operacional de cada empresa.

O desempenho dos próximos pregões dependerá, entre outros fatores, da evolução das expectativas econômicas, das decisões de política fiscal e monetária e da capacidade das companhias de manter seus resultados diante de um ambiente de maior volatilidade.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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